Em crise, Credit Suisse tenta tranquilizar investidores sobre solidez financeira

O maior banco suíço está enfrentando uma forte queda de sua credibilidade após uma série de escândalos que custaram bilhões de dólares
 (Stefan Wermuth/Bloomberg)
(Stefan Wermuth/Bloomberg)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 02/10/2022 às 18:43.

Última atualização em 02/10/2022 às 18:59.

O Credit Suisse, o maior banco da Suíça e um dos maiores da Europa, está enfrentando uma profunda crise, que já provocou a substituição do CEO e anúncios de cortes radicais da força de trabalho.

No último final de semana os executivos seniores do Credit Suisse foram obrigados a tranquilizar grandes clientes, contrapartes e investidores sobre a liquidez e a solidez financeira do banco suíço.

Nas últimas semanas os spreads dos Credit Default Swaps (CDS) do banco, os papéis que representam um "seguro" contra a possível inadimplência de uma empresa ou de um país, subiram de forma muito intensa. Em particular, na última sexta-feira, os CDS saltaram 25%, passando de 200 para 250, aumentando as preocupações dos investidores sobre a sobrevivência do banco. Em janeiro deste ano, os CDS do banco estavam em 59.

Por outro lado, as ações do Credit Suisse estão registrando uma forte queda, passando de cerca de 10 dólares para menos de 4 dólares em menos de doze meses. Há um ano, o valor de mercado do banco era de US$ 22,3 bilhões, hoje, seu valor é de apenas US$ 10,4 bilhões.

Uma queda tão expressiva que levou o novo CEO do banco, Ulrich Körner, a enviar um memorando para todos os funcionários da empresa na última sexta-feira tentando tranquilizar os funcionários sobre a posição de capital e a liquidez do banco.

O que está acontecendo com o Credit Suisse?

O banco suíço cometeu uma série de erros de gestão nos últimos anos que minaram sua credibilidade, geraram especulações sobre sua possível falência ou até sobre uma possível fusão com o rival UBS.

Dois escândalos, em particular, ocorreram quase um após o outro em 2021 e causaram prejuízos bilionários para o Credit Suisse: o Archegos Capital Managment e o Greensill.

O primeiro caso estourou na primavera de 2021, quando o Archegos, family office do investidor sul-coreano Bill Hwang baseado em Nova York quebrou, gerando um prejuízo de US$ 5,5 bilhões para o Credit Suisse. O family office estava muito alavancado e acabou recebendo uma chamada de margem que gerou sua falência.

Após esse episódio, o banco suíço reduziu os empréstimos para fundos de hedge e prometeu uma reformulação de seu departamento de compliance.

No caso do Greensill, empresa financeira britânica fundada em 2011 especializada em emprestar dinheiro para empresas financiarem suas necessidades de fluxo de caixa, quebrou em outubro de 2021 gerando um prejuízo de US$ 10 bilhões para o Credit Suisse.

Além disso, o capital do banco foi consumido por multas e sentenças judiciais adversas.

Por exemplo, um tribunal das Bermudas ordenou que o Credit Suisse pagasse para um bilionário georgiano mais de US$ 600 milhões por ter permitido que um seu funcionário roubasse e administrasse mal seus recursos.

Em outro caso, um tribunal suíço considerou o banco culpado por ajudar uma quadrilha búlgara a lavar dinheiro relacionado ao tráfico de cocaína.

Credit Suisse poderia dividir suas atividades

No final de setembro foi divulgada a informação que o Credit Suisse teria elaborado um plano para evitar um aumento de capital, considerado perigoso e péssimo em um momento como o atual.

O projeto prevê a divisão de seu banco de investimento em três, criando um "banco ruim" onde alocar os investimentos que se revelaram prejuízos e vender as unidades lucrativas, como seu negócio de produtos securitizados.

Além disso, a diretoria do banco estaria estudando um corte de até 10% de toda a força de trabalho do Credit Suisse, que tem cerca de 45 mil funcionários no mundo todo.