BTG Pactual (BPAC11) projeta dólar a R$ 4,80 até o final do ano  

Os analistas do banco visualizam um cenário pessimista em taxa mais elevada devido ao aperto das condições financeiras nos mercados globais mais rápido que o esperado
 (Adrienne Bresnahan/Getty Images)
(Adrienne Bresnahan/Getty Images)
Karla Mamona
Karla Mamona

Publicado em 05/07/2022 às 16:14.

Última atualização em 05/07/2022 às 16:22.

O desempenho acumulado do dólar no mês de junho, com alta de 10%, não alterou a projeção do BTG Pactual da moeda americana até o final do ano. Em relatório publicado nesta terça-feira, 5 de junho, a equipe de analistas do banco afirma que a dólar terminará 2022 em R$ 4,80. Entretanto, eles visualizam um cenário pessimista em taxa mais elevada devido ao aperto das condições financeiras nos mercados globais mais rápido que o esperado anteriormente.

No cenário internacional, os analistas do banco destacam que o Federal Reserve ainda está focado em reduzir a inflação americana, mesmo que precise sacrificar o ritmo de crescimento do PIB dos EUA.  E o aperto das condições financeiras está impactando negativamente o fluxo de recursos para moedas emergentes, deixando, por consequência, o real enfraquecido no curto prazo.

“O FOMC elevou o intervalo da fed funds rate [taxa de fundos federais] em +75 bps no mês de junho [agora entre 1,50% e 1,75%], um ritmo de ajuste pouco usual. Por sua vez, o comitê deu alguns recados por meio da atualização do SEP (Summary of Economic Projections) — que revelaram que os juros ainda subirão pelo menos 1,75% em 2022.”

Ao analisar o quadro doméstico, o BTG afirma que o risco para o cenário fiscal continua elevado com a PEC dos Auxílios. De acordo com os analistas, ela é um fator de risco no curto prazo. O impacto fiscal total da PEC será de R$ 41,25 bilhões, fora do teto de gastos, e os recursos serão liberados por meio da abertura de créditos extraordinários.

Dessa maneira, no curto prazo, a perspectiva é que o dólar deve seguir sendo negociado acima de R$ 5 nos próximos meses. “Esperamos que, após o pico, o real aprecie devido à redução da incerteza eleitoral e do elevado superávit comercial.”