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Alta renda, dança das cadeiras e OPA da Cielo: o plano do Bradesco para dar a volta por cima

Banco apresentou plano estratégico ambicioso para retomar rentabilidade após mais um balanço aquém das expectativas

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Marcelo Noronha, novo CEO do Bradesco, assumiu gestão do banco no final de 2023 (Egberto Nogueira/Divulgação)

Marcelo Noronha, novo CEO do Bradesco, assumiu gestão do banco no final de 2023 (Egberto Nogueira/Divulgação)

Existe um ditado que recomenda focar em uma coisa de cada vez para, assim, conseguir o melhor resultado. Mas não é isso o que a nova administração do Bradesco defende. Marcelo Noronha, recém chegado ao mais alto posto do banco, quer que a empresa coloque a mão na massa em diversos pontos estratégicos simultaneamente. 

“Não vamos escolher um único foco, vamos fazer tudo ao mesmo tempo”, disse Noronha em coletiva com a imprensa na manhã desta quarta-feira, 7. O CEO apresentou nesta manhã o novo plano estratégico da empresa para os próximos cinco anos, que pretende reverter os problemas dos três últimos. 

A derrocada do Bradesco ficou mais visível no final de 2022, com a divulgação de um balanço que assustou os investidores e fez o banco perder, em um único dia, mais de R$ 30 bilhões em valor de mercado. O começo do desafio, porém, vem desde 2020. No auge da pandemia e dos juros baixos, o Bradesco concedeu mais crédito do que deveria, fazendo disparar a inadimplência e gerando um forte baque nos resultados do banco.

Desde então o Bradesco vem apresentando resultados abaixo do esperado a cada trimestre. O resultado de 2023 ficou mais uma vez aquém das expectativas, com uma rentabilidade abaixo dos principais pares do mercado. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) do Bradesco, que indica a capacidade do banco de rentabilizar seu capital, ficou em 6,9% – muito abaixo do patamar dos 20% que vem sendo registrado por Itaú e Banco do Brasil, e aquém também do Santander, que conseguiu ficar acima de 10%.

Foi nesse contexto que Noronha assumiu a presidência do banco em novembro de 2023. Desde então houve uma mudança na alta hierarquia da empresa que reorganizou posições e eliminou diretorias. Serão contratados ainda dois executivos C-level, um para negócios digitais e outro para diretoria de RH.

Além da mudança dentro de casa, a ambição era apresentar, já no primeiro resultado deste ano, um plano estratégico capaz de fazer o Bradesco dar a volta por cima. “Nos últimos meses, só não trabalhamos no Natal e no Ano Novo. Entregamos em 60 dias um plano que levaria seis meses.”

O que pretende o novo plano estratégico

O plano estratégico do Bradesco envolve cinco pilares principais: varejo, alta renda, PMEs, pagamentos e ciclo de crédito. “Somos líder ou estamos entre os top 3 maiores bancos em todos os principais segmentos de clientes. Por isso queremos crescer nosso market share em crédito dos atuais 14% para uma faixa entre 15% e 19%”, disse o CEO.

Na alta renda, o Bradesco está criando uma nova categoria entre o private banking e o prime, que antes definia o segmento no banco. O prime agora se localiza numa faixa de renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 25 mil reais, enquanto o alta renda afluente deve atender o cliente entre R$ 25 mil e R$ 1 milhão. “O afluente vai ter proposta de valor diferenciada e acima do atual prime. É uma mudança de rota para atender uma base importantíssima”, comentou Cassiano Scarpelli, CFO do banco. O Bradesco estima que tenha 1,7 milhão de clientes nessa faixa de renda – sendo o segundo maior banco no segmento. 

E apesar do foco na alta renda, o negócio principal do banco, no varejo de baixa renda, não será abandonado. “Não vamos sair do nosso core: temos alta penetração e principalidade em torno de 60%. São várias alavancas competitivas. O desafio é o risco de crédito e o segredo está no custo de servir”, disse Noronha. Em varejo, o Bradesco irá dividir o físico do digital, inclusive com a chegada de um novo executivo para negócios digitais que, segundo o banco, será anunciado ao mercado em breve. 

Por sua vez, o objetivo na frente de crédito é ampliar o uso de dados e revisar os modelos – o que já vem sendo implementado desde o segundo semestre de 2023 e, na análise do Bradesco, foi uma das iniciativas responsáveis pela redução da inadimplência nos resultados apresentados hoje. O índice de inadimplência acima de 90 dias, grande desafio do banco nos últimos resultados, caiu no quarto trimestre para 5,1% – melhora de 0,5 p.p. contra o trimestre anterior.

Outro foco é no campo de pequenas e médias empresas, na qual o Bradesco já é líder, com a maior carteira do mercado: R$ 100 bilhões. “Queremos criar agências, plataformas e equipes específicas, com novo modelo de gestão. Serão 122 agências entregues este ano”, disse Noronha.

Já a frente de pagamentos se conecta à de PMEs e também à OPA da Cielo anunciada recentemente. A Oferta Pública de Aquisição, proposta junto com o Banco do Brasil, pretende fechar o capital da adquirente. “O objetivo de melhorar o esquema de pagamentos se conecta à proposta de OPA da Cielo: vamos estar mais próximos de PMEs em pagamentos”, ressaltou.

A meta é ambiciosa, especialmente porque todas as frentes vão estar em transformação ao mesmo tempo. Noronha defende, no entanto, que esta é a melhor saída para voltar a entregar bons patamares de lucro e rentabilidade. “O resultado de 2023 não é o que queríamos entregar; é desafiador. A mudança não será imediata, este ano é de transição. É um plano que vamos realizar passo a passo até 2028.”

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