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Ação da Tesla sobe 4% após balanço melhor que o esperado no 1º tri

Melhora da margem automotiva e geração de caixa livre acima do esperado foram pontos positivos do resultado

Tesla: lucro de US$ 1,45 bi no primeiro trimestre de 2026 (Jeremy Moeller/Getty Images)

Tesla: lucro de US$ 1,45 bi no primeiro trimestre de 2026 (Jeremy Moeller/Getty Images)

Publicado em 22 de abril de 2026 às 17h59.

As ações da Tesla reagem positivamente ao balanço do primeiro trimestre de 2026 da companhia, divulgado na noite desta quarta-feira, 22. Os números saíram após o fechamento das bolsas nos Estados Unidos e vieram acima das projeções do mercado. Foi o segundo trimestre consecutivo em que o balanço superaram as expectativas.

No after hours, os negócios que ocorrem após o encerramento da sessão regular, as ações da Tesla, negociadas na Nasdaq, subiam 4%, para US$ 387,51.

Do lado dos investidores, os principais pontos positivos do balanço foram a recuperação da margem automotiva, que voltou a 21% após trimestres de pressão. A geração de caixa livre de US$ 1,4 bilhão ficou bem acima da expectativa do mercado, que projetava um consumo de caixa de quase US$ 1,9 bilhão.

O negócio automotivo, no entanto, ainda gera cautela. As entregas cresceram apenas 6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, e o estoque global de veículos subiu para 27 dias, ante 15 dias no trimestre anterior. O mercado acompanha de perto se a aposta da empresa em inteligência artificial, robótica e carros autônomos vai gerar receita relevante antes que o negócio de elétricos enfrente uma concorrência ainda mais intensa.

O balanço da Tesla no detalhe

A Tesla reportou lucro líquido contábil de US$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na ajustada, que exclui efeitos não-recorrentes, o lucro foi de US$477 milhões, com alta de 17%. A diferença é explicada principalmente pelo pacote de remuneração em ações da empresa de Elon Musk, que somou $1,03 bilhão no período, e o aumento de despesas com inteligência artificial e robótica.

O lucro contábil por ação foi de $0,41, com alta de 52% ano a ano, ficando acima das projeções do mercado. 

O lucro operacional, resultado gerado pela operação antes de juros, impostos e efeitos financeiros, e portanto o indicador mais direto da eficiência do negócio, somou $941 milhões, crescimento de 136% ante os $399 milhões do primeiro trimestre de 2025.

A receita total atingiu $22,4 bilhões (+16%). O segmento automotivo gerou $16,2 bilhões (+16%), com margem bruta de 21,1% — o maior nível em ao menos cinco trimestres. A administração atribuiu o avanço ao menor custo de materiais por veículo e ao crescimento das vendas e assinaturas de FSD (Full Self-Driving — sistema de direção autônoma supervisionada da Tesla), que encerraram o trimestre em 1,28 milhão de assinantes ativos, alta de 51% ano a ano.

Serviços e outros, segmento que inclui receitas de Superchargers (rede própria de recarga rápida), seguros e FSD, somaram $3,7 bilhões (+42%). Energia, que compreende os sistemas de armazenamento Megapack e Powerwall, recuou 12% para $2,4 bilhões, com volume implantado de 8,8 GWh ante 14,2 GWh no Q4 2025. A administração atribui a queda ao timing de implantação de projetos, sem sinalizar deterioração de demanda.

A margem bruta automotiva avançou de 16,2% no Q1 2025 para 21,1% no Q1 2026. Excluindo créditos regulatórios — receitas que a Tesla obtém ao vender certificados de emissão para outras montadoras —, a margem passou de 12,5% para 19,2%, avanço de quase 7 pontos percentuais. A administração atribuiu o desempenho a menor custo de materiais e ao crescimento das vendas e assinaturas de FSD.

O fluxo de caixa operacional foi de $3,9 bilhões (+83%) e o FCL (Free Cash Flow — caixa gerado após os investimentos, considerado o indicador mais limpo de geração de valor ao acionista) foi de $1,4 bilhão (+117%), mesmo com capex (investimentos em ativos fixos como fábricas e equipamentos) de $2,5 bilhões (+67%).

No trimestre, a Tesla investiu, principalmente, em infraestrutura de inteligência artificial, fábricas do Cybercab (o robotáxi da Tesla), Tesla Semi (caminhão elétrico) e Optimus (robô humanoide).

O caixa total encerrou o trimestre em $44,7 bilhões (+21%). A dívida com recurso direto à Tesla é praticamente inexistente, em apenas $2 milhões, com $9 bilhões adicionais em dívida não-recurso — modalidade vinculada a projetos específicos de energia e leasing, sem garantia da companhia como um todo.

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