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A experimentação frequente ajuda a desenvolver familiaridade com diferentes usos da inteligência artificial. (Magnific)
Redatora
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 05h10.
Aprender uma nova tecnologia costuma começar com curiosidade. Depois de alguns testes, porém, surge uma diferença importante: enquanto algumas pessoas passam a usá-la cada vez mais, outras continuam recorrendo a ela apenas em situações pontuais.
Os dados indicam que essa diferença não depende apenas de conhecer mais ferramentas ou fazer cursos. Um comportamento aparece com frequência entre quem desenvolve maior familiaridade com a inteligência artificial: experimentar.
Uma análise da Microsoft identificou que os usuários mais avançados de IA são 68% mais propensos a testar frequentemente maneiras diferentes de utilizar a tecnologia.
A experimentação foi o principal fator associado à transformação de alguém em um chamado power user, ou usuário avançado.
Testar diferentes possibilidades muda a relação com a tecnologia. A familiaridade se desenvolve enquanto a pessoa utiliza a ferramenta para resolver problemas reais e descobre como ela pode ser útil.
Um relatório da Microsoft aponta que os usuários mais avançados não apenas experimentam mais.
Eles são 49% mais propensos a parar antes de uma tarefa e avaliar se a IA poderia ajudar, 30% mais propensos a continuar tentando quando a primeira resposta não funciona e 56% mais propensos a pesquisar e testar novos prompts.
A lógica é simples: uma resposta ruim deixa de ser apenas um resultado frustrante e passa a fornecer uma pista sobre o que precisa mudar na próxima tentativa.
Há uma diferença entre saber que uma ferramenta existe e entender onde ela pode ser útil.
Um profissional pode começar pedindo um resumo de um documento. Depois, testar a ferramenta para comparar informações, revisar um texto, organizar dados ou encontrar padrões em uma planilha.
A cada tentativa, fica mais fácil reconhecer quais tarefas combinam com a tecnologia e quais ainda exigem mais intervenção humana.
O processo funciona como uma espécie de repertório. Quanto maior o número de situações testadas, mais referências a pessoa acumula para decidir quando e como recorrer à IA.
Aprender a trabalhar com IA envolve lidar com respostas incompletas, interpretações equivocadas e comandos que não produzem o resultado esperado.
Por isso, insistir depois de uma primeira tentativa ruim é outra característica associada aos usuários mais avançados.
A prática, nesse caso, não significa aceitar qualquer resposta produzida pela ferramenta. Pelo contrário. Os profissionais precisam avaliar o resultado, identificar o que ficou faltando e reformular a solicitação.
A Microsoft aponta que usuários mais experientes tendem a tratar as respostas da IA como um ponto de partida e dão mais importância à revisão e ao controle de qualidade.
Não é necessário transformar a rotina inteira para desenvolver essa familiaridade. Uma maneira mais simples é escolher atividades recorrentes e testar diferentes formas de usar a IA nelas.
Vale comparar uma resposta produzida a partir de um pedido genérico com outra em que são fornecidos contexto, objetivo e formato.
Depois, é possível experimentar uma tarefa diferente e observar onde a tecnologia realmente economiza tempo ou melhora o resultado.
É esse repertório construído na prática que transforma curiosidade em habilidade.