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AMD: empresa entra na corrida de IA em 3D (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 08h52.
A AMD anunciou a compra da World Labs, startup de inteligência artificial fundada por Fei-Fei Li, por US$ 8,2 bilhões em ações. A aquisição leva a criadora do ImageNet ao cargo de vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD e reforça a disputa com a Nvidia no desenvolvimento de modelos de mundo, tecnologia voltada a robôs, simulações 3D e sistemas de IA capazes de entender ambientes físicos.
A AMD concordou em pagar US$ 8,2 bilhões, em ações, pela World Labs, startup fundada por Fei-Fei Li, na segunda maior aquisição da história da fabricante de chips.
O acordo, anunciado na segunda-feira, 28, levará Li ao cargo de vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD, subordinada à CEO Lisa Su, e deve ser concluído até o fim do ano, sujeito à aprovação de reguladores, segundo as empresas. Só a compra da Xilinx, por cerca de US$ 50 bilhões em 2022, foi maior, de acordo com a CNBC.
Li, professora de Stanford, é às vezes chamada de "madrinha da IA" por ter criado o ImageNet, base de imagens que ajudou a viabilizar o aprendizado profundo, segundo a Fortune.
A World Labs, fundada em 2024, desenvolve modelos de mundo, sistemas de IA que geram e simulam ambientes em três dimensões a partir de texto, imagem ou vídeo.
— Fei-Fei Li (@drfeifei) September 28, 2026
Modelos de mundo aprendem com vídeo e outros dados que mostram o espaço físico, e não com texto. A meta é uma IA que entenda como os objetos se movem, como uma bola que quica, capacidade considerada decisiva para levar a tecnologia a robôs humanoides, segundo a Fortune.
A falta de dados reais para treinar robôs de uso geral faz dos dados sintéticos, gerados por esses modelos, uma peça central dessa aposta.
O primeiro produto da empresa, o Marble, transforma fotos, vídeos ou texto em cenas 3D que podem ser exploradas, e é apresentado como ferramenta de entretenimento e de criação de ambientes simulados para treinar robô.
Em setembro, a World Labs lançou o Atlas, em acesso antecipado para parceiros selecionados, que pode criar réplicas virtuais de fábricas e armazéns.
Em fevereiro, a startup levantou US$ 1 bilhão numa rodada que a avaliou em cerca de US$ 5 bilhões, valor que a empresa não confirmou, segundo reportagens. Participaram AMD, Nvidia, Autodesk, Emerson Collective, Fidelity e Sea.
O preço da compra é mais de 60% superior a essa avaliação. A Nvidia, principal rival da AMD e dona de US$ 99 bilhões em investimentos em empresas de IA, deve ter retorno relevante com a venda, segundo o SiliconANGLE.
A AMD diz que entender as cargas de trabalho de fronteira, como as criadas na World Labs, vai orientar o roteiro de seus chips. "Construir as plataformas de computação para a próxima geração de IA exige um entendimento profundo de como os modelos estão evoluindo", diz Su.
A compra também aproxima a AMD da Nvidia num terreno em que a rival largou na frente. A Nvidia já oferece uma família de modelos de mundo de pesos abertos, o Cosmos, enquanto a AMD só disponibilizava ao público modelos de texto e vídeo. As duas empresas já tinham, desde o ano passado, uma parceria para otimizar o treino e a inferência dos modelos da World Labs em chips da AMD.
"Sem um esforço focado em hardware, a IA fica limitada em eficiência e em escala. E, para os nossos propósitos, continua presa ao mundo digital", afirma Li em publicação no X. A equipe da World Labs continuará a pesquisar modelos dentro da AMD.
É o segundo negócio bilionário de uma fabricante de chips com uma empresa de IA em menos de um mês. Em 3 de setembro, a Nvidia concordou em comprar a Hugging Face por cerca de US$ 12,9 bilhões, com fechamento previsto para o primeiro semestre de 2027, segundo documento enviado à SEC.
Li defende que a linguagem não basta. "Construímos a empresa guiados pela crença fundamental de que a linguagem sozinha não é suficiente para o desenvolvimento de modelos. O universo não é feito de palavras, é feito de coisas reais", afirma.
A AMD comprou a World Labs para ampliar sua atuação em inteligência artificial e entender melhor as novas cargas de trabalho criadas por modelos avançados. A empresa afirma que a tecnologia da startup ajudará a orientar o desenvolvimento de seus próximos chips e plataformas de computação.
A AMD concordou em pagar US$ 8,2 bilhões em ações pela World Labs. A operação é a segunda maior aquisição da história da fabricante de chips, atrás apenas da compra da Xilinx, concluída em 2022 por cerca de US$ 50 bilhões.
Fei-Fei Li é professora de Stanford e uma das pesquisadoras mais conhecidas da inteligência artificial. Ela criou o ImageNet, uma grande base de imagens que ajudou a impulsionar o avanço do aprendizado profundo, tecnologia que se tornou fundamental para a evolução da IA moderna.
A World Labs desenvolve modelos de mundo, sistemas de inteligência artificial capazes de gerar e simular ambientes tridimensionais a partir de textos, imagens e vídeos. A tecnologia busca permitir que máquinas entendam melhor o ambiente físico.
Modelos de mundo são sistemas de IA treinados para compreender e simular ambientes físicos. Diferentemente de modelos focados principalmente em texto, eles aprendem com dados como vídeos e imagens para entender relações espaciais, movimentos e comportamentos de objetos.
Modelos de mundo podem ajudar robôs a entender como objetos e ambientes funcionam antes de agir no mundo real. A tecnologia é considerada uma peça importante para o desenvolvimento de robôs humanoides e máquinas capazes de executar tarefas mais complexas.
O Marble é o primeiro produto da World Labs. Ele transforma fotos, vídeos ou textos em cenas tridimensionais que podem ser exploradas e usadas para criação de ambientes virtuais ou simulações destinadas ao treinamento de robôs.
O Atlas é uma ferramenta da World Labs que permite criar réplicas virtuais de ambientes como fábricas e armazéns. O produto foi lançado em acesso antecipado para parceiros selecionados.
A World Labs levantou US$ 1 bilhão em uma rodada realizada em fevereiro, que avaliou a startup em cerca de US$ 5 bilhões, segundo reportagens. A empresa não confirmou oficialmente essa avaliação.
AMD e Nvidia disputam o mercado de chips usados para inteligência artificial. A Nvidia lidera o setor de aceleradores de IA, enquanto a AMD busca ampliar sua participação oferecendo alternativas de hardware e investindo em tecnologias ligadas aos modelos mais avançados.
Fabricantes de chips buscam acompanhar a evolução dos modelos de IA porque o desenvolvimento dessas tecnologias influencia diretamente a demanda por hardware. Ao adquirir laboratórios de IA, empresas como AMD e Nvidia podem aproximar o desenvolvimento de modelos das plataformas de computação que oferecem.
Sim. A Nvidia anunciou a compra da Hugging Face por cerca de US$ 12,9 bilhões, segundo documentos enviados à SEC. O negócio faz parte de uma estratégia da empresa para ampliar sua presença no ecossistema de inteligência artificial.
Após a conclusão do acordo, Fei-Fei Li assumirá o cargo de vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD. A equipe da World Labs continuará pesquisando modelos de mundo dentro da fabricante de chips.