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Escolas e universidades revisam métodos de avaliação diante do avanço da inteligência artificial (Diógenes Pandini/Exame/Exame)
Redatora
Publicado em 4 de julho de 2026 às 05h09.
Uma redação entregue antes do prazo, um trabalho impecável ou uma resposta bem estruturada já não são, necessariamente, sinais de que um aluno dominou determinado conteúdo.
A popularização da inteligência artificial generativa levou escolas e universidades a um novo desafio: como avaliar a aprendizagem quando ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude conseguem produzir textos, resolver problemas e explicar conceitos em poucos segundos?
O debate, antes centrado em proibir ou permitir o uso dessas plataformas, agora ganha outro foco: adaptar o ensino a uma tecnologia que dificilmente deixará de fazer parte da rotina dos estudantes.
Durante décadas, grande parte das avaliações mediu o produto final: uma redação, um relatório ou uma lista de exercícios concluída.
Com a IA generativa, esse modelo passou a ser questionado.
Em vez de analisar apenas o texto entregue, muitas instituições passaram a valorizar o processo de construção da resposta.
Rascunhos, versões intermediárias, registros de pesquisa e apresentações orais começam a ganhar espaço justamente porque permitem acompanhar como o estudante desenvolveu seu raciocínio.
Outra mudança ocorre dentro da sala de aula. Professores têm apostado em debates, estudos de caso e atividades que exigem argumentação, interpretação e defesa de ideias em tempo real.
Embora a IA consiga produzir respostas bem estruturadas, ela não substitui a capacidade do aluno de justificar escolhas, responder a questionamentos ou relacionar o conteúdo com experiências vividas.
Nessas situações, o conhecimento deixa de ser apenas reproduzido e passa a ser demonstrado na prática.
A chegada da inteligência artificial também ampliou a discussão sobre autoria.
Se um estudante utiliza uma IA para organizar ideias, revisar um texto ou sugerir melhorias, onde termina a contribuição da ferramenta e começa o trabalho do autor?
Especialistas em educação defendem que a questão não deve ser tratada apenas como um problema disciplinar, mas como uma oportunidade para desenvolver competências relacionadas ao uso responsável da tecnologia.
Da mesma forma que aprender a pesquisar na internet se tornou uma habilidade importante, saber utilizar a inteligência artificial com transparência e senso crítico passa a integrar o processo de aprendizagem.
A transformação não atinge apenas os estudantes. Professores também vêm incorporando a IA ao planejamento de aulas, à criação de exercícios personalizados e à preparação de materiais didáticos.
Nesse novo cenário, o docente deixa de ocupar exclusivamente o papel de transmissor de informações e assume uma função cada vez mais voltada à mediação, ao desenvolvimento do pensamento crítico e à orientação sobre como utilizar a tecnologia de forma ética.
Mais do que decidir se a inteligência artificial deve ou não entrar na sala de aula, escolas e universidades começam a reconhecer que a principal mudança está na forma de ensinar e avaliar.
O desafio já não é impedir que os alunos utilizem essas ferramentas, mas criar experiências de aprendizagem em que o conhecimento continue sendo construído pelo estudante, mesmo quando a tecnologia participa do processo.