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Dario Amodei: fundador do Claude não é dono majoritário da empresa (Flickr/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 20 de julho de 2026 às 16h01.
Sete pessoas fundaram a Anthropic em 2021. Cinco anos e mais de US$ 40 bilhões em aportes depois, nenhuma delas tem sequer 2% da empresa.
A diluição, porém, cobrou um preço curioso: a fatia de pouco mais de 1,6% de Dario Amodei, CEO da criadora do Claude, vale hoje US$ 15,5 bilhões, segundo a Forbes.
O salto veio de uma única rodada. Em maio, a companhia levantou US$ 65 bilhões a uma avaliação de US$ 965 bilhões e se tornou a startup de inteligência artificial (IA) mais valiosa do mundo, superando a rival OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões.
A resposta está na diluição. A Anthropic captou mais de US$ 40 bilhões em rodadas sucessivas, e cada aporte reduz a proporção detida pelos fundadores. O fato de uma participação de menos de 2% ainda valer dezenas de bilhões indica que a alocação original era substancial.
A empresa não divulga percentuais individuais. As estimativas variam dependendo do método. A Bloomberg, em seu índice de bilionários, calcula que cada fundador detém menos de 1% da companhia.
Há ainda um detalhe societário que separa dinheiro de poder.
A Anthropic usa uma estrutura de ações com classes diferentes, que dá aos fundadores controle de voto desproporcional em relação à fatia econômica que possuem — ou seja, mandam mais do que a participação sugere.
A Anthropic foi fundada no início de 2021 por um grupo que saiu junto da OpenAI.
Além de Dario, sua irmã Daniela Amodei, hoje presidente da empresa, e mais cinco pesquisadores — Tom Brown, Jack Clark, Jared Kaplan, Sam McCandlish e Christopher Olah. A saída foi motivada pela avaliação de que a antiga empresa priorizava lançamentos de produto em detrimento da pesquisa em segurança.
Com a rodada de maio, os sete entraram de uma vez na lista das 500 pessoas mais ricas do mundo — o maior número de pessoas de uma mesma empresa a ingressar no índice da Bloomberg em um único dia.
O contraste com a OpenAI ajuda a dimensionar. Greg Brockman, presidente da empresa rival, declarou em depoimento judicial que sua fatia vale perto de US$ 30 bilhões — quase o dobro da de cada fundador da Anthropic.
Já Ilya Sutskever, cofundador da OpenAI, afirmou que sua parte vale cerca de US$ 7 bilhões.
O caso mais peculiar é o de Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, que não tem participação direta na própria empresa. A Forbes estima seu patrimônio em US$ 3,5 bilhões, proveniente de outros investimentos.
Boa parte dessa fortuna, ao menos no papel, tem destino traçado.
Em janeiro, os sete cofundadores se comprometeram a doar 80% de seu patrimônio pessoal para iniciativas filantrópicas voltadas à desigualdade provocada pela IA — um compromisso que valia mais de US$ 21 bilhões na época do anúncio.
Claude: IA é carro-chefe da Anthropic (Imagem gerada por IA/Exame)
A promessa foi divulgada junto com um ensaio de Dario Amodei intitulado "A Adolescência da Tecnologia". Outros funcionários da empresa também se comprometeram a doar ações, e a companhia afirmou que vai igualar essas contribuições.
Os números da operação ajudam a explicar por que investidores aceitaram a avaliação. A Anthropic chegou a US$ 14 bilhões de receita anual no início do ano, com mais de 500 clientes corporativos gastando acima de US$ 1 milhão em suas ferramentas.
Antes da rodada de maio, a empresa havia captado US$ 30 bilhões em fevereiro, a uma avaliação de US$ 380 bilhões, com investidores como o fundo soberano de Singapura GIC, o Coatue, o MGX de Abu Dhabi, além de Microsoft e Nvidia.
A Amazon é a maior investidora externa individual da companhia. A Anthropic estuda abrir capital, o que colocaria à prova, no mercado aberto, uma avaliação hoje definida a portas fechadas.