Disney: empresa envia notificação judicial para ByteDance deixar de permitir personagens da empresa no Seedance (Bastiaan Slabbers/Getty Images)
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Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 09h24.
Nas últimas semanas, o aplicativo Seedance, ferramenta de vídeos curtos movida por IA da dona do TikTok, saiu do status de novidade tecnológica para se tornar alvo de notificações legais.
O estopim foi uma carta de cessar e desistir enviada pela Disney, após o Seedance permitir que usuários criassem vídeos com personagens como Mickey, Minnie e Homem-Aranha em cenas inéditas e não autorizadas. Segundo os advogados da companhia, o uso configuraria “roubo virtual” de propriedade intelectual sob a legislação americana.
A ByteDance afirmou estar ciente das questões envolvendo a versão 2.0 do aplicativo e declarou que trabalha para reforçar mecanismos que impeçam o uso não autorizado de personagens e imagens protegidas.
O episódio ganha relevância porque ocorre em um momento de redefinição das relações entre estúdios e empresas de IA.
Em 2025, a própria Disney firmou um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI, permitindo que o sistema de geração de vídeos Sora utilizasse oficialmente seus personagens por um período de até três anos. A diferença central está no modelo: enquanto a parceria com a OpenAI prevê licenciamento formal e salvaguardas jurídicas, o Seedance operava sem autorização.
Os vídeos produzidos pelas duas plataformas passaram a circular amplamente nas redes sociais. Alguns dos mais virais mostravam representações hiper-realistas de atores como Scarlett Johansson, Tom Holland e Zendaya em situações fictícias, confundindo parte do público sobre a veracidade das cenas.
A reação não ficou restrita à Disney. Estúdios como Paramount Pictures, Warner Bros. e Netflix também enviaram notificações à ByteDance. O sindicato dos atores de Hollywood, o SAG-AFTRA, classificou o uso de imagens e personagens como uma “violação flagrante” de direitos.
Diante da pressão, a ByteDance encerrou a possibilidade de envio de fotos de pessoas reais ao aplicativo, uma medida vista como tentativa de reduzir o risco jurídico.