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EXCLUSIVO: Papa Johns chega ao Brasil para desafiar Domino's e Pizza Hut

Terceira maior rede de delivery de pizzas do mundo procura parceiro para desembarcar no país, considerado prioridade na expansão internacional

Rede de pizzarias Papa Johns busca franquador para abrir operação no Brasil  (Divulgação/Divulgação)
Rede de pizzarias Papa Johns busca franquador para abrir operação no Brasil (Divulgação/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 07:00.

Última atualização em 18 de setembro de 2026 às 16:39.

RESUMO | A americana Papa Johns colocou a entrada no Brasil entre suas prioridades de 2026 e busca master franqueados para iniciar a operação em São Paulo. A rede espera abrir a primeira unidade até o fim de 2027 ou início de 2028, com posicionamento premium, cardápio adaptado ao gosto brasileiro e possível expansão para Rio de Janeiro e Brasília.


A disputa das grandes redes internacionais de pizza pelo consumidor brasileiro está prestes a ganhar um novo nome. A americana Papa Johns, uma das maiores redes de pizza do mundo, prepara sua entrada no Brasil e escolheu São Paulo como ponto de partida. Antes de abrir as primeiras lojas, porém, precisa encontrar quem vai tocar a operação por aqui.

A companhia está em busca de um ou mais master franqueados, que ficarão responsáveis pela expansão da marca no país. Já há pelo menos cinco reuniões agendadas com potenciais parceiros. O perfil procurado é de grupos capitalizados, com experiência na operação de restaurantes e capacidade para desenvolver a rede no mercado brasileiro.

A busca não começou agora. A Papa Johns conversa há alguns anos com potenciais operadores. Em 2011, inclusive, a rede chegou a anunciar entrada no país, mas os planos não foram para frente porque a companhia não encontrou um parceiro que considerasse adequado. "Não tínhamos as conexões certas com o mercado", lamenta John Matter, diretor global de desenvolvimento da Papa Johns, ao EXAME Insight.

Em 2026, porém, a entrada no Brasil passou a figurar entre as prioridades estratégicas da companhia. "Queremos estar aqui há muito tempo e estamos muito animados com a oportunidade de trazer nosso produto e fazer com que a população local experimente nossa pizza", afirma Matter. A expectativa é ter a primeira unidade funcionando em São Paulo até o fim de 2027 ou início de 2028.

Gosto popular 

O Brasil foi colocado entre as prioridades da estratégia de expansão internacional da Papa Johns. A aposta combina o tamanho da economia e, principalmente, o apetite do brasileiro por pizza. Só na cidade de São Paulo são produzidas mais de 800 mil pizzas por dia, segundo dados da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra). A cidade só fica atrás de Nova York no consumo de fatias.

A movimentação faz parte de uma ofensiva internacional mais ampla. Recentemente, a Papa Johns escolheu a KM Capital como nova parceira de franquias no México e renovou acordos de desenvolvimento em mercados como Chile, Equador, Panamá, Costa Rica, Guatemala e República Dominicana. A empresa também avança em novos países, entre eles a Índia.

A companhia avalia que o desempenho da marca em outros países latino-americanos abre espaço para repetir a estratégia por aqui, mas vê particularidades no consumidor brasileiro. A adaptação ao gosto local deverá, por isso, fazer parte do cardápio desde o início. “Para realmente sermos bem-sucedidos aqui, queremos garantir uma parceria com um parceiro local forte, que entenda esse mercado único e consiga trazer os sabores que sabemos que os brasileiros querem encontrar em suas pizzas”, diz Matter.

A chegada colocará a Papa Johns em uma disputa na qual redes internacionais como Pizza Hut e Dominos já dividem espaço com milhares de pizzarias independentes. A estratégia não será brigar apenas por preço. A companhia pretende se posicionar como uma opção premium entre as grandes redes, sem tentar ocupar o mesmo espaço das pizzarias artesanais de tíquete mais elevado.

É no produto que a Papa Johns pretende marcar distância das concorrentes. “Nossa massa é feita com seis ingredientes simples e nunca é congelada. Nossos vegetais são frescos e cortados nas próprias lojas. Nenhuma das nossas carnes tem sabores artificiais ou aditivos. Temos orgulho da nossa promessa: melhores ingredientes, melhor pizza”, diz o executivo.

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Apesar do lema, entregar os “melhores ingredientes” sem pressionar demais as margens é um dos desafios de operar em um mercado como o brasileiro. Para ajudar nessa conta, a Papa Johns pretende aproveitar uma cadeia de fornecedores que, em parte, já existe. A rede trabalha com produtores brasileiros de itens agrícolas e carnes que abastecem suas operações em outros mercados da América Latina. A relação pode facilitar a montagem da operação local e encurtar o caminho para o abastecimento das primeiras lojas.

O modelo ainda pode ganhar contornos diferentes conforme as negociações avancem. Embora São Paulo seja a porta de entrada, a Papa Johns admite trabalhar com mais de um master franqueado no Brasil, dividindo o país entre diferentes operadores. O radar já inclui outras praças. Rio de Janeiro e Brasília estão entre os mercados de interesse, além de uma expansão mais ampla pelo Sudeste.

Massa fresca

O tamanho do investimento e o número de lojas a serem abertas ainda não estão definidos. A companhia costuma operar em shopping centers e centros comerciais, em vez de grandes restaurantes independentes, modelo que considera competitivo em termos de custo de implantação.

Uma aquisição, por outro lado, não está nos planos neste momento. A Papa Johns já comprou operações em outros países e não fecha completamente a porta para esse caminho no Brasil caso apareça uma oportunidade, mas a estratégia desenhada hoje é crescer por meio de um master franqueado. “Chegou a hora de a Papa Johns vir para o Brasil", garante Matter.


Quando a Papa Johns vai abrir a primeira loja no Brasil?

A Papa Johns espera inaugurar a primeira unidade em São Paulo até o fim de 2027 ou início de 2028. A entrada no Brasil passou a figurar entre as prioridades estratégicas da rede em 2026.

Como será a operação da Papa Johns no Brasil?

A Papa Johns pretende crescer por meio de um ou mais master franqueados, responsáveis pela expansão da marca no país. A empresa já tem pelo menos cinco reuniões agendadas com grupos capitalizados, experientes na operação de restaurantes e capazes de desenvolver a rede brasileira.

Por que a Papa Johns escolheu São Paulo para iniciar a expansão?

São Paulo foi escolhida como porta de entrada pelo tamanho do mercado e pelo consumo de pizza. Segundo a Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra), a cidade produz mais de 800 mil pizzas por dia e fica atrás apenas de Nova York no consumo de fatias.

Qual será o posicionamento da Papa Johns no mercado brasileiro?

A Papa Johns pretende se posicionar como uma opção premium entre as grandes redes, sem disputar o mesmo espaço das pizzarias artesanais de tíquete mais elevado. Segundo John Matter, diretor global de desenvolvimento da Papa Johns, a rede aposta em massa nunca congelada, vegetais cortados nas lojas e carnes sem sabores artificiais ou aditivos.

O cardápio da Papa Johns será adaptado ao gosto brasileiro?

Sim. John Matter afirma que a Papa Johns procura um parceiro local que conheça o mercado e consiga incorporar ao cardápio os sabores que os brasileiros esperam encontrar em suas pizzas.

Quais cidades estão nos planos de expansão da Papa Johns?

A Papa Johns começará por São Paulo, mas também demonstra interesse pelo Rio de Janeiro, por Brasília e por uma expansão mais ampla no Sudeste. A rede admite dividir o país entre diferentes master franqueados.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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