Coretava, da Palestina, busca R$ 30 milhões no Brasil após experiência no Vale do Silício
Startup Coretava já captou US$ 4 milhões, negocia com três fundos uma Série A e lança plataforma de inteligência artificial para automatizar operações de receita


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 09:00.
Última atualização em 21 de setembro de 2026 às 16:52.
RESUMO | A Coretava negocia com três fundos de venture capital uma Série A de até R$ 30 milhões, prevista para ser concluída até o fim do ano. A empresa pretende acelerar o TavyoOS, plataforma de inteligência artificial para operações de receita, e expandir na América Latina e na América do Norte.
Aws Alnabulsi nasceu na Palestina. Passou por São Francisco, nos Estados Unidos, e Santiago, no Chile, antes de fazer residência em São Paulo há dois anos com a Coretava, empresa de tecnologia especializada em engenharia de receita. "É um mercado pouco penetrado, não tem tanta competição no Brasil quanto no Vale do Silício", explica Alnabulsi sobre a mudança da companhia que ajudou a fundar. Agora, o empresário mira um novo salto na ferramenta.
A companhia está atrás de um cheque de até R$ 30 milhões para financiar sua próxima fase de crescimento. A empresa de tecnologia negocia com três fundos de venture capital uma rodada Série A que pretende concluir até o fim do ano. Em troca, Alnabulsi está disposto a vender uma participação de até 15% na operação, que ele avalia entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões. O novo capital será usado principalmente para acelerar a tecnologia e a expansão da companhia, que tem planos para a América Latina e América do Norte.
Mudança de proposta
Por trás da captação está também uma mudança na própria tese do negócio. "Há um ano, era só CRM. Hoje somos AI revenue operator", diz Alnabulsi. A aposta para sustentar essa transformação se chama TavyoOS, uma nova plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Coretava para identificar oportunidades de receita e executar ações de vendas, relacionamento e atendimento.
A companhia apresenta a tecnologia como um operador de Revenue AI: em vez de apenas organizar informações sobre clientes ou indicar oportunidades para um vendedor, o sistema busca executar parte dessas tarefas de maneira autônoma. Na prática, o Tavyo identifica oportunidades que poderiam passar despercebidas e, a partir delas, pode executar campanhas e ações de relacionamento e atendimento sem depender de uma equipe técnica para colocar cada iniciativa de pé.
Milhões até aqui
A Coretava chega à Série A depois de captar cerca de US$ 4 milhões desde sua fundação, há sete anos. O primeiro investidor institucional foi o Ibtikar Fund, fundo de venture capital que busca teses de investidores palestinos, que aportou US$ 500 mil em 2018. Outros US$ 3,5 milhões foram levantados ao longo da trajetória da companhia com family offices, investidores-anjo e o próprio Banco da Palestina. Parte desses recursos foi destinada ao desenvolvimento da tecnologia que agora dá origem ao Tavyo.
A próxima rodada representa uma mudança de escala. O objetivo, segundo o fundador, é "liderar o mercado" em um momento no qual empresas estrangeiras do segmento começam a avançar no Brasil.
Maior dor
A tese da Coretava parte de um problema que Alnabulsi identifica na adoção de softwares comerciais pelas empresas. Comprar a ferramenta, segundo ele, não significa necessariamente conseguir extrair receita dela. "O service layer é a maior dor do mercado", afirma.
É nessa camada que a companhia quer posicionar o Tavyo. Em vez de entregar somente a infraestrutura tecnológica e deixar a implementação e a operação para o cliente, a ideia é que a inteligência artificial também assuma parte do trabalho necessário para transformar dados e oportunidades em ações comerciais. O foco são, nas palavras do fundador, "empresas que querem crescer e que não têm camada de serviço". Hoje, a empresa atende 55 clientes globalmente. Entre os nomes citados pela Coretava estão BRF, Carrefour e Odontoprev.
Quanto a Coretava pretende captar na Série A?
A Coretava busca um cheque de até R$ 30 milhões e negocia a rodada com três fundos de venture capital. Aws Alnabulsi, cofundador da empresa, está disposto a vender uma participação de até 15% na operação, avaliada por ele entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões.
Para que a Coretava usará os recursos da nova rodada?
A Coretava pretende usar o capital principalmente para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e financiar sua expansão na América Latina e na América do Norte.
O que é o TavyoOS?
O TavyoOS é uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Coretava para identificar oportunidades de receita e executar ações de vendas, relacionamento e atendimento. Segundo a empresa, o sistema pode realizar campanhas e outras iniciativas sem depender de uma equipe técnica para implementar cada ação.
Qual problema a inteligência artificial da Coretava busca resolver?
O TavyoOS busca transformar dados e oportunidades em ações comerciais, assumindo parte do trabalho de implementação e operação. Segundo Aws Alnabulsi, o foco são empresas que querem crescer, mas não têm uma camada de serviços para extrair receita dos softwares comerciais.
Quanto a Coretava já captou desde sua fundação?
A Coretava captou cerca de US$ 4 milhões desde sua fundação, há sete anos. O Ibtikar Fund investiu US$ 500 mil em 2018, e outros US$ 3,5 milhões vieram de family offices, investidores-anjo e do Banco da Palestina.
Quantos clientes a Coretava atende?
A Coretava atende 55 clientes globalmente. Entre os clientes citados pela própria empresa estão BRF, Carrefour e Odontoprev.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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