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UE e China disputam liderança verde após saída dos EUA do Acordo de Paris

Na Europa, 2026 será marcado pela simplificação e flexibilização das metas ambientais

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 06h55.

Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 07h51.

A União Europeia (UE), principal fonte de financiamento climático internacional, e a China, maior emissora de gases poluentes e também líder em investimentos em energias renováveis, devem disputar o protagonismo ambiental em 2026.

O cenário será marcado pela saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, movimento que, segundo especialistas, dificultará a transição verde, mas não interromperá a dinâmica dos mercados.

Os EUA estarão fora do Acordo a partir de 27 de janeiro, a UE flexibilizou suas exigências ambientais e a China está disposta a reduzir seu pico de emissões.

EUA: transição mais difícil

Após sobreviver à primeira retirada promovida por Donald Trump em 2020, o Acordo de Paris enfrenta novo desafio.

Os EUA responde por 11% das emissões globais, contra 30% da China e 6% da UE. Em 2023, contribuiu com US$ 9,5 bilhões para o financiamento climático internacional.

Em 22 de dezembro, o governo americano cancelou cinco grandes projetos de energia eólica offshore na costa leste, alegando “riscos para a segurança nacional”.

UE aposta em simplificação e flexibilidade

Na Europa, 2026 será marcado pela simplificação e flexibilização das metas ambientais. O Parlamento aprovou um corte histórico de 90% nas emissões de gases de efeito estufa até 2040, em relação a 1990, permitindo que 5% sejam compensados com créditos de emissão fora da UE.

Também foram flexibilizados o veto à venda de veículos movidos a combustíveis fósseis previsto para 2035, as obrigações de sustentabilidade corporativa e as regras contra desmatamento importado.

Essas medidas refletem a busca pelo equilíbrio entre descarbonização, proteção industrial e competitividade, mantendo a meta de neutralidade climática em 2050.

As políticas verdes europeias serão definidas ao longo de 2026, durante a negociação do orçamento comunitário para 2027-2034. Organizações ambientais alertam: “A UE deve escolher se continuará líder global na proteção das pessoas e da natureza ou se se tornará um espaço desregulado para interesses corporativos”, declarou a ONG SEO/Birdlife.

China: ambição crescente

Nesse contexto, a China pode se apresentar como defensora do multilateralismo climático, com metas cada vez mais ambiciosas. Já existem sinais de que o país já atingiu ou está próximo de atingir seu pico de emissões.

Em 2026, será divulgado o Plano Quinquenal para 2026-2030. Dados do grupo Ember indicam que a produção chinesa de turbinas eólicas e painéis solares cobre praticamente toda a demanda global, e 75% dos pedidos de patentes vêm do país asiático.

Países em desenvolvimento: papel estratégico

Um relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis, divulgado durante a COP 30 de Belém, mostrou a disparidade na transição energética: países desenvolvidos concentraram 34% dos investimentos em renováveis em 2024, enquanto a América Latina ficou com apenas 5,4%.

O documento alerta para a concentração das aplicações em China e países ricos, devido aos altos custos de capital, restrições fiscais e vulnerabilidade à dívida nas economias emergentes. Ainda assim, esses países são estratégicos por recursos como minerais essenciais à transição. Destaque para o chamado Triângulo do Lítio — Argentina, Chile e Bolívia — que detém mais da metade das reservas do metal usado em baterias elétricas.

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