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O novo risco de carreira: ser o único do time que não usa inteligência artificial (Adobe Stock)
Jornalista
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 16h37.
Imagine uma equipe em que todos passaram a usar inteligência artificial para resumir documentos, analisar dados, estruturar apresentações ou automatizar tarefas repetitivas. Um profissional, porém, continua fazendo as mesmas atividades manualmente.
O problema não é simplesmente "não usar IA". A questão aparece quando a forma de trabalhar muda e a pessoa permanece presa a processos que os colegas já conseguiram tornar mais rápidos ou mais abrangentes.
Esse cenário pode ter impacto na carreira porque promoções não dependem apenas do tempo de casa. Em muitas funções, também envolvem capacidade de assumir tarefas mais complexas, entregar resultados e demonstrar novas competências.
A mudança já aparece nos dados sobre o mercado de trabalho. O relatório Work Change Report, do LinkedIn, estima que 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030, tendo a IA como um dos principais catalisadores.
Outro levantamento, o AI Jobs Barometer 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes. Segundo o estudo, as habilidades exigidas nas ocupações mais expostas à IA estão mudando mais de duas vezes mais rápido que nas menos expostas.
Isso ajuda a explicar por que o uso da tecnologia pode começar a ser observado dentro das próprias equipes. Se uma atividade passa a ser realizada com apoio de IA, o profissional que domina a ferramenta pode direcionar mais tempo para análise, tomada de decisão ou outras tarefas de maior complexidade.
Não existe evidência de que simplesmente utilizar uma ferramenta de IA garanta uma promoção. O efeito tende a aparecer de maneira indireta, por meio das entregas e competências que o uso da tecnologia possibilita.
Um profissional que automatiza uma tarefa recorrente, por exemplo, pode liberar horas para analisar resultados ou assumir um projeto adicional. Outro pode usar IA para organizar informações e chegar mais rapidamente a uma primeira versão de um relatório, dedicando o tempo restante à revisão e à análise crítica.
Nesse cenário, o que pode ser observado pela liderança não é apenas "ele usa IA", mas o que consegue fazer com o tempo e os recursos disponíveis.
O Microsoft Work Trend Index de 2025, que ouviu 31 mil trabalhadores do conhecimento em 31 mercados, mostrou que 82% dos líderes consideravam aquele um momento importante para repensar operações e estratégias com IA.
O mesmo levantamento apontou uma diferença entre líderes e funcionários na familiaridade com agentes de IA. Entre os líderes pesquisados, 67% disseram estar familiarizados com agentes, contra 40% dos funcionários.
Isso não significa que todo profissional precise usar IA em todas as atividades. Há funções, processos e informações em que a utilização pode ser inadequada, especialmente quando existem restrições de segurança, privacidade ou confidencialidade.
Mas ignorar a tecnologia sem entender onde ela pode ou não ser aplicada cria uma lacuna de conhecimento.
Um sinal importante é quando tarefas que antes consumiam boa parte da jornada começam a ser feitas com ferramentas de IA por outros integrantes da equipe.
Alguns exemplos:
A pergunta, portanto, não precisa ser "preciso usar IA?". Pode ser mais específica: quais partes do meu trabalho podem ser ampliadas pela tecnologia sem comprometer qualidade, segurança ou responsabilidade profissional?
A inteligência artificial também não elimina a necessidade de competências humanas. O estudo de 2026 da PwC aponta que, nas funções mais expostas à IA, habilidades como julgamento e liderança ganham importância.
Isso cria uma combinação diferente para o profissional: saber utilizar ferramentas de IA e, ao mesmo tempo, conseguir avaliar resultados, identificar erros, tomar decisões e assumir responsabilidade pelo trabalho entregue.
O diferencial, portanto, não está necessariamente em conhecer dezenas de ferramentas. Está em compreender como a IA pode ser incorporada ao próprio trabalho e quais atividades continuam dependendo de experiência, contexto e julgamento humano.
No ambiente profissional, a diferença entre quem usa e quem não usa IA pode aparecer menos como uma disputa direta entre pessoas e mais como uma mudança no tipo de trabalho que cada uma consegue assumir.
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