Após Ethereum abandonar mineração, procedimento continua rentável para outras criptos?

Especialista aponta possibilidades e fatores que determinam a rentabilidade da mineração de bitcoin e outras criptomoedas depois do 2º maior blockchain do mundo abandonar o método
Mineração de criptomoedas é feita por máquinas específicas (Bloomberg/Getty Images)
Mineração de criptomoedas é feita por máquinas específicas (Bloomberg/Getty Images)
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Mariana Maria SilvaPublicado em 06/10/2022 às 17:03.

Há pouco mais de uma década, o bitcoin foi a primeira aplicação bem-sucedida e em massa da tecnologia blockchain. Desta forma, as moedas digitais se tornaram realidade e puderam ser transacionadas de forma completamente online. E a solução encontrada para realizar a validação de tais transações foi a “mineração”, que paga recompensas em criptomoedas por cada bloco validado no blockchain.

No entanto, pouco mais de uma década depois, novos métodos foram desenvolvidos e adotados por grandes redes. Como a Ethereum, segundo maior blockchain do mundo, que abandonou a mineração em setembro de 2022. Atualmente, entre as 10 maiores redes em blockchain, apenas duas utilizam a mineração. Uma delas é a própria rede do bitcoin.

A mudança fez com que muitos investidores se questionassem: será que ainda é economicamente rentável trabalhar com a mineração de bitcoin e outras criptomoedas?

(Mynt/Divulgação)

Rentabilidade

Segundo Ricardo Alcofra, diretor de ativos digitais no BTG Pactual e especialista em tecnologia blockchain pela Universidade da Califórnia Berkeley, para trabalhar com a mineração de criptomoedas é necessário o investimento em hardware e eletricidade.

Bitcoin e ether, as duas maiores criptomoedas do mundo, eram as mais atrativas deste mercado. No entanto, com a mudança da rede Ethereum, os mineradores se viram obrigados a dar um novo destino para o equipamento comprado ou permanecer na rede como um validador, procedimento diferente da mineração.

Reaproveitando o equipamento

O impacto da atualização da Ethereum no mercado de mineração foi significativo, já que segundo Alcofra, “o ether era uma moeda mais acessível a mineração onde qualquer pessoa com um computador com placa gráfica (GPU) poderia minerar”.

No caso do bitcoin, o equipamento necessário para minerar é diferente. Chamadas de ASICs, estas máquinas possuem um hardware feito para calcular um algoritmo especifico. No entanto, a vantagem das GPUs é que elas são mais versáteis e podem ser adaptadas para a mineração de outras criptomoedas, explicou Alcofra.

“As RIGs de mineração de ether são mais versáteis e permitem a troca para uma gama maior de criptos cujo método de validação seja a prova de trabalho”, disse. A prova de trabalho é o mecanismo de consenso utilizado por redes blockchain que validam suas transações através da mineração. Já as RIGs de mineração são um conjunto de placas gráficas.

As criptomoedas que estão no radar dos mineradores para aproveitar o equipamento seriam Ethereum Classic, Litecoin, Ravencoin e Ergo, segundo Alcofra. Fruto de uma bifurcação da própria rede Ethereum em 2016, a Ethereum Classic surgiu após um ataque hacker e esteve “esquecida” no mercado até o anúncio da “The Merge”, atualização que foi responsável pelo abandono da mineração na rede principal da Ethereum.

“Com a mudança da Ethereum para prova de participação, muitos mineradores acabaram migrando para outras moedas como Ethereum Classic, Litecoin, e outras menos conhecidas como Ravencoin e Ergo, sendo as duas primeiras mais conhecidas, com maior liquidez e de fácil adaptação”, disse Ricardo Alcofra, do BTG Pactual, em entrevista à EXAME.

Antes mesmo da mudança, mineradores já iniciavam um processo de migração para a Ethereum Classic, que manteve a prova de trabalho como o mecanismo utilizado para validar suas transações. A criptomoeda ETC chegou a disparar mais de 50% na época.

Vale a pena ser um validador?

Além das outras criptomoedas que podem ser mineradas a partir das GPUs, os mineradores da Ethereum tiveram a opção de se tornarem validadores da rede, dando continuidade ao serviço de validação de transações de outra forma.

Para ser um validador, no entanto, não é necessário um equipamento específico e sim uma reserva significativa de unidades da criptomoeda nativa da rede, o ether. Agora, a Ethereum funciona a partir da prova de participação (PoS), o que significa que os validadores são selecionados através do staking.

Ao realizar o staking, determinado patrimônio em criptomoedas terá sua movimentação bloqueada, ou seja, ficará “congelado”.

“Para aqueles que decidiram seguir com ether na prova de participação, o poder computacional necessário gerado pelas as ASICs e GPUs deu lugar a disponibilidade, ou seja, o antigo minerador se torna um validador necessitando de um hardware mais simples, mas com maior confiabilidade e disponibilidade para participar da rede”, explicou Alcofra.

“Além disso, é preciso depositar 32 ETH em staking como garantia. Hoje em dia, a remuneração é de aproximadamente 5% ao ano. Em caso de baixa performance o validador é penalizado perdendo parte do valor depositado em garantia. Esse cálculo é feito com base no prejuízo gerado a rede, e ele pode até ser banido como validador”, acrescentou.

Mineração ainda vale a pena

Para o especialista, a mineração de criptomoedas ainda é uma atividade atrativa e rentável, seja de bitcoin ou de outras criptomoedas. No entanto, quem optar por investir no setor precisa estar preparado para as oscilações do mercado, já que a cotação da criptomoeda minerada também pode afetar a rentabilidade do procedimento.

“A mineração ainda é uma atividade atrativa e rentável, mas envolve riscos e aqueles que ainda seguem nessa estratégia buscam maneiras mais eficientes de otimizar a sua operação para se adequar ao mercado de baixa e ao mesmo tempo contra pressões regulatórias quanto ao consumo de energia ou mesmo de ruído”, concluiu Alcofra.

Por conta de seu alto consumo de energia elétrica, a mineração é criticada por governos e grupos ativistas, como o Greenpeace, que pede por sua extinção do mercado de criptomoedas.

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