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Natura adota biometano e corta até 90% das emissões da sua frota logística

Projeto pioneiro em Cajamar (SP) integra fábrica e transporte e acelera a transição energética da gigante de cosméticos rumo ao net zero até 2030, além de gerar ganhos de eficiência

Biometano será utilizado para 45% dos processos industriais da fábrica em Cajamar e para 100% da frota logística na grande São Paulo (Divulgação)

Biometano será utilizado para 45% dos processos industriais da fábrica em Cajamar e para 100% da frota logística na grande São Paulo (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06h00.

“Um sonho que vira realidade”. Foi assim que Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, definiu à EXAME a inauguração da unidade de abastecimento de biometano no complexo industrial de Cajamar (SP), o maior em operação da América Latina.

A iniciativa inaugurada na segunda-feira, 9, marca mais um passo concreto da companhia em sua jornada de transição climática, rumo à meta de se tornar um negócio 100% regenerativo até 2050 e zerar as emissões de suas operações até 2030.

Em parceria com a Ultragaz, a Natura passa a utilizar biometano como matriz energética para 45% dos processos industriais da fábrica em Cajamar e para 100% da frota logística que circula na Grande São Paulo.

O projeto é pioneiro ao integrar, pela primeira vez no Brasil, duas frentes operacionais simultâneas: produção industrial e logística. 

O biometano utilizado pela Natura vem do aterro sanitário de Caieiras, o maior da América Latina, que processa 3 mil toneladas de resíduos por dia . O combustível é produzido pela Ultragaz a partir da captação e purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos depositados no local e transformando o lixo em fonte de energia limpa.

Parte dos resíduos destinados pela própria Natura ao aterro retorna à empresa, materializando um modelo de economia circular e substituindo os fósseis poluentes das operações.

Para Guilherme Simão Darezzo, vice-presidente de Operações da Ultragaz, a parceria demonstra que a solução é madura, confiável e capaz de operar em escala.

"Ao integrar fábrica e frota, é possível descarbonizar processos complexos, aumentar a eficiência operacional e, ao mesmo tempo, fortalecer a competitividade do negócio."

A realidade atual é que dos 2,4 milhões de caminhões que circulam no Brasil, apenas 2 mil (menos de 0,1%) rodam a biogás. O VP destacou também que a Ultragaz garante que a molécula seja 100% rastreável e renovável.

Atualmente, o escopo 3 (carbono gerado "fora dos muros do negócio") é maior gargalo da Natura e representa mais de 96% de todo seu impacto. A meta até o fim desta década é reduzir 42% das emissões e a logística, embalagens e matérias-primas concentram a maior parte do problema.

"Essa solução é ambientalmente correta e possível, com custos competitivos. Podemos replicar essa mudança sistêmica e descarbonizar a nossa própria cadeia de valor ", destacou a diretora de sustentabilidade da Natura.

A partir da transformação, "Cajamar vira referência de tecnologia, inovação regulatória que serve de inspiração para outras cidades e operações", reforçou Josie Romero, vice-presidente de Operações, Logística e Suprimentos da Natura.

Descarbonização em escala

O projeto prevê o consumo de aproximadamente 3,5 milhões de metros cúbicos de biometano por ano em 2026, o equivalente ao consumo anual de 30 mil residências.

Com isso, a Natura espera evitar a emissão de até 1,3 mil toneladas de CO2 por ano, o que significaria o mesmo de retirar 280 carros de passeio das ruas diariamente.

Na frota logística, o impacto é ainda mais expressivo: a substituição do diesel pelo biometano reduz em até 90% as emissões dos 28 caminhões que abastecem na unidade, operados em parceria com a Coopercarga e ReiterLog.

"Esse é um passo concreto do nosso plano de transição climática", destacou Josie e sustentou que a inovação, intenções claras e parcerias estratégicas é o jeito "de fazer acontecer".

"Mostramos que é possível reduzir emissões de forma relevante em operações industriais e logísticas complexas[/grifar], usando uma solução que já está disponível, funciona e gera valor para o negócio", disse.

Ganhos para além da sustentabilidade

Além do impacto ambiental, a iniciativa trouxe ganhos expressivos de eficiência. Denise Leal, diretora de Operações da Natura, destaca que o biometano gerou incremento de mais de 15% de eficiência nas caldeiras industriais.

"Temos uma tubulação direta de alimentação e uma previsibilidade bastante boa. Isso dá tranquilidade para a operação, estabiliza custos e melhora a produtividade", explicou a executiva à EXAME.

Denise também reforça que os desafios de implementação são baixos quando o projeto é bem estruturado.

"Uma vez que você temos discussões regulamentares e técnicas feitas com as alçadas adequadas, é relativamente tranquilo. Se trata de uma decisão que nos ajuda a caminhar não só no aspecto da sustentabilidade, mas também na parte operacional", complementou.

Na logística, a tecnologia exclusiva desenvolvida pela Ultragaz permite que o abastecimento dos caminhões ocorra em cerca de 10 minutos. O tempo é significativamente inferior aos 40 a 50 minutos observados em postos comuns, encurtando os deslocamentos e consequentemente, a pegada de carbono. 

São Paulo lidera produção de biometano no Brasil

O Estado de São Paulo concentra metade das plantas de biometano autorizadas no país, se consolidando como líder nacional na produção do combustível renovável derivado de resíduos orgânicos.

Atualmente, são 9 plantas autorizadas em operação (das 18 plantas nacionais). Destas, 4 unidades produzem biometano a partir de resíduos sólidos urbanos depositados em aterros sanitários. É o caso do aterro de Caieiras, que abastece a Natura.  Já as outras 5 unidades utilizam resíduos agrícolas, principalmente do setor sucroenergético e de atividades pecuárias.

Além disso, outras 6 plantas estão em processo de autorização junto a órgãos federais. Quando entrarem em operação, poderão adicionar 203 mil m³/dia à capacidade instalada, segundo o governo estadual.

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