ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

No esquenta da COP31, a economia circular ganha o centro da agenda climática

Com ZeroWaste na programação da Cúpula de Líderes, a preparação para Antalya amplia o espaço da redução de resíduos sólidos, do reúso e, principalmente da reciclagem

A força da economia circular será medida tanto nas cidades, quanto no campo, porque reciclar se torna uma ação pelo clima (CHEP/Divulgação)

A força da economia circular será medida tanto nas cidades, quanto no campo, porque reciclar se torna uma ação pelo clima (CHEP/Divulgação)

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 10h39.

Priorizar nos meus resultados Google

*Por Rodrigo Oliveira

A COP31 começa antes de seus negociadores chegarem a Antalya, na Turquia. No aquecimento para a conferência, marcada para 9 a 20 de novembro de 2026, a economia circular ganha uma posição que merece nossa atenção: o dia dedicado a Desperdício Zero, em 11 de novembro, coincidirá com a abertura da Cúpula de Líderes.

É um sinal político relevante para quem trabalha para transformar materiais descartados em valor econômico, inclusão e redução de emissões.

A COP30, em Belém, já incluiu resíduos sólidos e economia circular em sua programação temática. Agora, o caminho para a COP31 reforça essa presença por meio de uma agenda que conecta circularidade, cidades, indústria, alimentos e financiamento. Esse movimento amplia o reconhecimento de uma contribuição climática que precisa ganhar escala.

Esse “esquenta COP31” tem um marco importante no Fórum Global Desperdício Zero 2026 e na chamada à ação da Plataforma de Istambul, disponível no site da Convenção do Clima da ONU.

O documento posiciona Desperdício Zero e circularidade como pilares transversais da Agenda de Ação Climática da COP31 e propõe aproximar governos, empresas, cidades e financiadores em torno de resultados mensuráveis.

Para compreender a dimensão dessa proposta, precisamos olhar para o ciclo de  vida completo dos produtos. A economia circular começa nas decisões sobre materiais, durabilidade e possibilidade de conserto. Avança com manutenção, reúso, recondicionamento e refil.

E inclui a reciclagem para manter recursos em circulação. Esse conjunto oferece caminhos para reduzir a pressão sobre recursos naturais e as emissões associadas à extração, produção e ao consumo.

Uma embalagem reutilizável, um equipamento reparável ou um material que retorna à indústria ajudam a tornar essa discussão concreta.

O benefício climático de cada solução precisa ser avaliado considerando seu ciclo de vida. É justamente essa avaliação que permite transformar uma boa intenção em uma contribuição tangível para a descarbonização.

O documento de Istambul também propõe os Zero Waste Districts, ou Distritos Desperdício Zero: territórios que articulam prevenção, separação na origem, reúso, reparo e compostagem.

Para as cidades participantes, apresenta metas de desvio de aterros de pelo menos 70% até 2030 e 90% até 2040. São objetivos do programa proposto, que pretende alcançar cem países. Aqui um sinal importante, Fortaleza e Rio de janeiro estão bem cotados nestes planos.

Vejo nessa abordagem uma oportunidade para aproximar a agenda internacional da rotina urbana. Um território pode integrar escolas, comércio, moradores, cooperativas e indústria em um sistema que facilite a participação das pessoas.

Para isso, precisará de infraestrutura acessível, responsabilidades claras e indicadores capazes de mostrar o que acontece com os materiais depois da coleta.

O Brasil tem uma base importante para contribuir. A Estratégia Nacional de Economia Circular reúne diretrizes sobre design, coleta seletiva, reciclagem, rastreabilidade, educação e inclusão dos trabalhadores. Essa combinação oferece um ponto de partida para apresentar projetos que conectem desenvolvimento industrial, proteção ambiental e justiça social.

Circularidade só é possível com coletividade e os catadores precisam ocupar uma posição central nessa construção. Projetos de circularidade devem reconhecer seu trabalho, remunerá-lo adequadamente e ampliar sua participação nas decisões.

Uma cadeia que comprova resultados ambientais deve também demonstrar, de ponta a ponta, como distribui o valor gerado entre as pessoas que tornam esses resultados possíveis.

O financiamento será decisivo. A chamada à ação defende preparar projetos para investimento e aproximar recursos concessionais de capital privado e investimentos de impacto e deixar claro quem assume o risco e quanto ele custa.

Para avançar, é essencial combinar infraestrutura, contratos de demanda, rastreabilidade e capacidade operacional. Quem financia precisa conhecer os riscos, quem opera precisa de condições para entregar e quem compra precisa confiar na qualidade dos materiais e dos serviços.

Também devemos aproveitar esse momento para fortalecer a educação climática. Chegou o momento do letramento sobre o tema para tornar visível a relação entre as escolhas cotidianas e as cadeias produtivas: conservar um produto, usar refil, evitar desperdício e separar materiais são formas de participar de uma transformação econômica mais ampla.

Essa compreensão ajuda a construir adesão duradoura aos sistemas circulares e traz cada cidadão para o centro, mostrando que suas decisões que influenciam o clima, pois suas escolhas entre produtos, empresas, meio de transportes, alimentos e serviços diversos que serão determinantes para a descarbonização da economia.

O Crédito de Carbono da Reciclagem terá um papel fundamental, pois concretiza a ação individual em recurso financeiro, ou seja, a remuneração através de um ativo vinculado a ação de reciclar desperta no indivíduo tanto curiosidade quanto incentivo.

Um dos créditos com maior impacto social com metodologia internacional verificada, poderá ser um grande alavancador de investimentos para o mercado nacional.

O “esquenta COP31” abre uma janela para que o Brasil apresente soluções com resultados verificáveis, potencial de expansão e captador de recursos estrangeiros através da venda de créditos de carbono.

Podemos levar a Antalya projetos que mostrem materiais retornando à produção, renda chegando aos trabalhadores e recursos sendo utilizados com mais eficiência.

Que essa nova centralidade da economia circular se traduza em investimento, infraestrutura e oportunidades. A força dessa agenda será medida tanto nas cidades, quanto no campo, porque reciclar se torna uma ação pelo clima.

*Rodrigo Oliveira, cofundador da Green Mining

 

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeClimacrise climáticaCOP31

Mais de ESG

Reservou um Airbnb? Parte do valor ajuda a acolher vítimas de desastres e violência doméstica

Saúde, casa própria e respeito: o que os brasileiros 70+ sonham para o país

Por que países exigem que datacenters tragam a própria energia?

Às vésperas da COP31, países cortam em até 80% financiamento público a combustíveis fósseis