ESG

Brasil emplaca o terceiro lugar em instalação de parques eólicos

Por outro lado, o país tem desafios significativos, como o revelado no grande apagão de energia, em São Paulo, em 2023; problemas evidenciam a necessidade urgente de melhorar sistema elétrico

Eólica: segundo o Gwec, 2023 foi o melhor ano para esse setor de energia no mundo, com o volume recorde de 117 GW em nova capacidade (Maria Arrellaga/Getty Images)

Eólica: segundo o Gwec, 2023 foi o melhor ano para esse setor de energia no mundo, com o volume recorde de 117 GW em nova capacidade (Maria Arrellaga/Getty Images)

Estadão Conteúdo
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Agência de notícias

Publicado em 16 de abril de 2024 às 14h32.

Última atualização em 16 de abril de 2024 às 14h48.

O Brasil foi pelo segundo ano consecutivo o terceiro país que mais instalou parques eólicos no mundo em 2023, adicionando 4,8 gigawatts (GW), perdendo apenas para China e Estados Unidos, segundo o Global Wind Report 2024, divulgado nesta terça-feira, 16, pelo Global Wind Energy Council (Gwec), informou a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Segundo o Gwec, 2023 foi o melhor ano para a energia eólica no mundo, com a instalação de um volume recorde de 117 GW em nova capacidade.

Mesmo mantendo a sexta posição no ranking Gwec 2023, o Brasil recebeu destaque no relatório por sinalizar que a mudança de governo e os compromissos firmados pelo país em torno da reindustrialização do Brasil, associados a uma política de transição energética, têm trazido um efeito importante para o crescimento da indústria eólica brasileira.

"O ano de 2023 foi crucial para a indústria de energias renováveis no Brasil, caracterizado pela retomada das atividades pós-pandemia, um novo governo nacional e aceleração do planejamento de energia eólica offshore", ressalta o relatório.

Desafios

O Brasil também apresentou desafios significativos, avalia o documento, incluindo um grande apagão em agosto e dificuldades na restauração do fornecimento de energia em São Paulo. "Estes eventos destacaram a necessidade urgente de o Brasil melhorar aspectos do seu sistema elétrico, como confiabilidade e flexibilidade", segundo o Gwec.

Para a entidade, apesar de um ambiente político e macroeconômico turbulento, a indústria eólica no mundo está entrando em uma nova era de crescimento, impulsionada por uma maior ambição política, manifestada na adoção da meta histórica definida na COP28 em triplicar as energias renováveis até 2030.

Previsão

O Gwec revisou a previsão de crescimento para o período de 2024-2030 (1.210 GW) para cima, em 10%, em resposta ao estabelecimento de políticas industriais nacionais nas principais economias, ganhando impulso na energia eólica offshore e prometendo crescimento entre os mercados emergentes e economias em desenvolvimento.

"Para cumprir as metas da COP28 e os objetivos na trajetória de 1,5 grau, a indústria eólica deve praticamente triplicar seu crescimento anual e passar de 117 GW em 2023 para, pelo menos, 320 GW até 2030", informa o documento.

Segundo a entidade, 54 países representando todos os continentes acrescentaram nova energia eólica no ano passado. O crescimento, porém, ficou concentrado em alguns países, entre os quais o Brasil, avalia o CEO do Gwec, Ben Backwell. A China estabeleceu um novo recorde, com 75 GW de novas instalações comissionadas, quase 65% do total global, informa o relatório.

"O crescimento está altamente concentrado em alguns grandes países como a China, os EUA, o Brasil e a Alemanha, e precisamos que muito mais países removam barreiras e melhorem as estruturas de mercado para ampliar as instalações eólicas", afirma Backwell.

O ano passado também foi o segundo melhor da história para instalações eólicas offshore, com 10,8 GW no total instalado no mundo, informa o Global Wind Report 2024.

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