ESG

Entenda o que é a certificação de energia renovável 24/7

Com a certificação 24/7, empresas buscam atender sua demanda com energia renovável 100% do tempo

Certificação 24/7: é uma alternativa para empresas que buscam unir consumo verificado e produção de energia renovável. (Jacobs Stock Photography Ltd/Getty Images)

Certificação 24/7: é uma alternativa para empresas que buscam unir consumo verificado e produção de energia renovável. (Jacobs Stock Photography Ltd/Getty Images)

Publicado em 15 de abril de 2024 às 09h49.

Última atualização em 19 de abril de 2024 às 16h23.

A certificação de energia renovável já é comum no mercado brasileiro. Com ela, empresas podem adquirir certificados (o mais comum se chama I-REC) que comprovem que seu consumo mensal (ou anual) de eletricidade foi obtido a partir de fontes renováveis – principalmente eólicas e solares.

Entretanto, na Europa e nos Estados Unidos tem se popularizado a certificação 24/7 de energia renovável (ou “24/7 carbon free energy”, como é conhecida). Mas, qual a diferença?

Com a certificação tradicional, uma empresa respalda seu consumo de um dado mês, ou ano, com certificados renováveis. Porém, não necessariamente a energia renovável associada foi produzida nos momentos, ou na mesma localidade, em que o consumo de fato ocorreu.

Por exemplo, uma empresa que consome energia durante a noite pode comprar certificados de usinas solares, que produzem apenas durante o dia, e declarar que todo seu consumo foi atendido por energia renovável.

Ainda que, uma vez conectado à rede elétrica, seja impossível distinguir qual a origem da eletricidade utilizada por determinado consumidor, a certificação 24/7 é uma alternativa para empresas que buscam “casar” seu consumo verificado com a produção de energia renovável.

Para tanto, as empresas buscam adquirir certificados de energia renovável cuja energia foi produzida no mesmo instante de seu consumo e, muitas vezes, em uma localidade próxima – de modo que a rede elétrica não seja um gargalo para escoar esta energia.

Tudo começou quando o Google, lá em 2018, publicou um artigo explicando que ter seu consumo anual 100% atendido por renováveis não significava que suas operações utilizassem energia renovável todo o tempo.

Em 2020, a empresa traçou a meta de, até 2030, sempre operar seus datacenters com energia renovável – buscando o fornecimento de energia renovável 24/7. A Microsoft logo fez o mesmo.

Por um lado, existe o interesse de diferentes empresas em atender sua demanda por energia limpa. Por outro, governos estão se movimentando para incentivar iniciativas similares.

Ainda em 2021, a Casa Branca divulgou a meta de atender o consumo anual das instalações administrativas do governo americano com energia limpa, sendo ao menos 50% em base horária – isto é, 24/7. Em 2023, o PJM, operador do maior mercado de energia elétrica dos Estados Unidos, passou a fornecer certificados de energia renovável em base horária.

O 24/7 Carbon-Free Energy Compact é um movimento global com mais de 100 empresas associadas para buscar o suprimento de energia renovável 24/7. A EnergyTag, uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido, com o apoio do Google, tenta criar um padrão de certificados horários que as empresas possam adotar.

Mas há desafios. Um deles é criar um mercado organizado para a negociação de certificados horários, de forma independente da energia, algo inédito. A parceria entre o Nord Pool, uma grande bolsa de energia na Europa, e a Granular Energy, uma startup, tenta criar este marketplace, seguindo as diretrizes da EnergyTag.

Outro desafio é a própria oferta de certificados; considerando que mais empresas busquem a certificação 24/7, a procura por certificados irá aumentar e alguns horários do dia, de baixa produção renovável, podem apresentar dificuldades para que consumidores adquiram os certificados desejados.

Ainda que seja ambicioso respaldar todo consumo com energia limpa, 24 horas por dia, sete dias por semana, a certificação de energia renovável tem sido um caminho adotado em diferentes países, por governos e empresas, para aumentar os investimentos em energia limpa e avançar nas agendas de sustentabilidade corporativa.

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