Natália foi premiada na categoria Sustentabilidade do 5º Prêmio Mulheres Exponenciais, da Esfera Brasil (Paulo Cavera/Esfera Brasil)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 26 de março de 2026 às 19h25.
À frente da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende define sua trajetória em uma palavra: resiliência. Engenheira de formação, com passagens também por áreas como Direito e Contabilidade, construiu uma carreira marcada pelo aprofundamento técnico e pela capacidade de transitar entre diferentes campos do conhecimento — especialmente na agenda de recursos hídricos, que considera central para o presente e o futuro.
“Sem água, a gente não vive”, resume. A fala orienta uma atuação baseada em dados, evidências e planejamento de longo prazo. Na secretaria, isso se reflete em iniciativas como o plano de recursos hídricos, a estratégia climática e o plano de adaptação e resiliência, todos com horizonte até 2050, mas com ações já em curso. Natália foi premiada na categoria Sustentabilidade do 5º Prêmio Mulheres Exponenciais, da Esfera Brasil, entregue tradicionalmente em março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher.
Para Natália, no entanto, o sucesso de qualquer política pública vai além dos números. “Não é só o projeto no papel. É entender as pessoas que serão impactadas”, afirma. A escuta ativa, o diálogo com diferentes atores e o engajamento das equipes são, segundo ela, elementos centrais para a execução de projetos complexos.
Colaboração
Esse modelo ficou evidente em um dos processos mais emblemáticos de sua gestão: a desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Considerado um dos temas mais desafiadores da infraestrutura, o saneamento exige articulação entre Estado, municípios e sociedade civil. A secretária destaca que o avanço só foi possível a partir de uma governança colaborativa, com consultas públicas, audiências regionais e participação ativa de diferentes segmentos.
Os resultados, segundo ela, já começam a aparecer. Houve aumento significativo de investimentos — de cerca de R$ 4 bilhões para até R$ 20 bilhões — e ampliação do acesso ao tratamento de esgoto em diversas cidades. Além disso, a criação de um fundo de apoio à universalização permitiu subsidiar tarifas para populações mais vulneráveis, alcançando milhões de pessoas.
A gestão também envolve lidar com divergências. Para Natália, críticas e visões distintas fazem parte do processo e contribuem para decisões mais robustas. “Quando você explica, mostra dados e dialoga, as pessoas entendem o caminho”, diz. A transparência, acrescenta, é essencial para construir confiança em projetos que impactam diretamente a vida da população.
A crença de que é possível transformar desafios em soluções concretas também tem origem pessoal. “Eu acredito muito nas pessoas”, afirma. Para ela, coragem, disciplina e planejamento são pilares para superar obstáculos — tanto na vida pública quanto na trajetória individual.