Economia

Teste de fogo no Congresso

Em dezembro de 2011, a presidente afastada Dilma Rousseff declarou que o Brasil estava “na vanguarda” das relações republicanas entre os Três Poderes. Referia-se à aprovação no Congresso da Desvinculação das Receitas da União (DRU), classificada por ela como “importantíssima”. Hoje, a DRU pode ser uma prova de fogo do poder político do presidente interino […]

SENADO: Texto de autoria dos tucanos Aécio Neves e Ricardo Ferraço será votado nesta quarta-feira no Senado / AGÊNCIA SENADO (AGÊNCIA SENADO/Agência Senado)

SENADO: Texto de autoria dos tucanos Aécio Neves e Ricardo Ferraço será votado nesta quarta-feira no Senado / AGÊNCIA SENADO (AGÊNCIA SENADO/Agência Senado)

DR

Da Redação

Publicado em 18 de maio de 2016 às 06h23.

Última atualização em 23 de junho de 2017 às 18h56.

Priorizar nos meus resultados Google

Em dezembro de 2011, a presidente afastada Dilma Rousseff declarou que o Brasil estava “na vanguarda” das relações republicanas entre os Três Poderes. Referia-se à aprovação no Congresso da Desvinculação das Receitas da União (DRU), classificada por ela como “importantíssima”. Hoje, a DRU pode ser uma prova de fogo do poder político do presidente interino Michel Temer.

Em 2011, o Congresso permitiu que o governo federal usasse como quisesse 20% dos recursos do Orçamento da União. Sem a DRU, 90% dos recursos estão vinculados a algum tipo de gasto determinado por lei ou pela Constituição, o que engessa o orçamento. A aprovação da DRU é, portanto, essencial para o novo governo – é considerada uma prioridade de curto prazo junto com a votação da nova meta fiscal no Congresso.

Dois projetos correm paralelamente: o da Câmara está parado desde julho e, por isso, Romero Jucá, quando ainda era senador, juntou a desvinculação das receitas da União ao projeto que tratava do assunto para estados e municípios. Com a proposta de Jucá, agora ministro do Planejamento, 25% das receitas de União, estados e municípios ficariam livres para ser usadas de acordo com as prioridades de cada ente federativo até 2023. O texto foi aprovado em primeiro turno em abril. Na época, o PT apoiou a matéria. Agora, Temer precisa de 49 votos no Senado para sair vitorioso. Essa é a batalha de hoje.

Criada em 1994, a DRU vem sendo renovada de quatro em quatro anos. Num momento de recessão e situação drástica das contas públicas, economistas consideram que seria muito complicado não aprová-la novamente agora. “A desvinculação de receitas ajuda na hora de escolher onde gastar e facilita a ação de certos projetos públicos. Para Dilma, era tudo pelo social. Outros podem entender que isso quebra o país antes de dar resultado”, diz o economista Istvan Kaznar, da FGV Rio.

Ao conquistar a vitória no caso da DRU, Temer deve dar um pouco de confiança ao mercado e a observadores econômicos de que o ajuste fiscal sairá do papel. É pouco ainda, mas ajuda numa primeira semana conturbada no poder.

Acompanhe tudo sobre:Exame HojeÀs Sete

Mais de Economia

Novo Desenrola: governo vai comprar R$ 150 bi em dívidas de famílias com descontos de 90%

Prévia da inflação: IPCA-15 sobe para 0,70% em setembro, acima da expectativa

Governo reduz contenção no Orçamento para R$ 16,1 bi; entenda a mudança

Empresas do Simples estão na reta final de escolha da reforma tributária — e o mercado pode punir