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Saldo da balança comercial cai pela primeira vez no ano

Em maio, as importações cresceram mais do que as exportações. O sinal amarelo está aceso, segundo economista

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 11h11.

O resultado ainda é positivo mas, pela primeira vez no ano, o saldo da balança comercial caiu em relação ao mês anterior. Em maio, o país obteve um superávit de 3,45 bilhões de dólares, ou seja, 10,5% menor do que em abril, quando o volume registrado foi de 3,8 bilhões de dólares.

Como as exportações continuam em alta, a explicação para a freada encontra-se no lado oposto da balança. "O volume de importações foi realmente alto no mês de maio", diz o economista Carlos Urso, da LCA Consultores. De fato, foi o maior valor registrado no ano: 6,3 bilhões de dólares.

Ele lembra que a entrada de produtos estrangeiros nem sempre é um fator negativo. Importações aquecidas indicam que a produção industrial está em alta e, por isso, as empresas precisam adquirir insumos de fora do país. O perigo, segundo o economista, está no excesso.

"Quando o dólar está desvalorizado frente à moeda local, como no caso do Brasil, torna-se mais rentável importar do que produzir. E isso pode quebrar a indústria nacional", diz Urso.

Enquanto as exportações cresceram 6,5% no mês de maio, as importações subiram 18,8% no mesmo período. A diferença, segundo Urso, é conseqüência da valorização do real frente ao dólar. "Pelos nossos cálculos, o equilíbrio da balança comercial brasileira exige um dólar a 2,80 reais", diz o economista.

Na lista dos produtos mais importados pelo Brasil estão equipamentos mecânicos, fertilizantes, produtos químicos e peças para veículos.

Perigo à vista

Na opinião do economista da LCA, o sinal amarelo está aceso. Alguns setores, como o têxtil e o calçadista, já demonstraram queda na receita de exportação. Segundo ele, é preciso estar alerta para um problema generalizado.

Ele lembra que, hoje, o setor produtivo brasileira está bem mais competitivo e preparado do que há 11 anos auge do Plano Real quando muitas indústrias não suportaram o dólar valorizado e foram à falência. "O mesmo choque hoje não seria tão grave, mas é sempre bom evitar", comenta.

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