O salário mínimo de 2026 foi fixado em R$ 1.621, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União e confirmação do Ministério do Planejamento e Orçamento. O novo valor entra em vigor em 1º de janeiro e será pago na folha referente a fevereiro, substituindo o piso atual de R$ 1.518.
O reajuste é de R$ 103, equivalente a 6,79%. O salário mínimo diário passa a R$ 54,04, e o valor por hora fica em R$ 7,37, com base na jornada legal de 44 horas semanais.
Como foi feito o cálculo
O reajuste segue a Política de Valorização do Salário Mínimo, retomada em 2023 e aprovada pelo Congresso. A regra determina que o piso seja corrigido pela inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro, somada ao crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Para 2026, o cálculo considerou inflação de 4,4% até novembro de 2025 e crescimento do PIB de 2024 de 3,4%. No entanto, o novo arcabouço fiscal limita o ganho real a um intervalo entre 0,6% e 2,5%. Com a aplicação da trava, o crescimento econômico incorporado foi de 2,5%.
O valor técnico chegou a R$ 1.620,99 e foi arredondado para R$ 1.621, conforme previsão legal.
Quem é impactado pelo salário mínimo
O salário mínimo é referência direta de renda para 59,9 milhões de pessoas no Brasil, segundo o Dieese. O valor impacta trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS, além de benefícios assistenciais como o BPC.
O piso também influencia contratos de trabalho, seguro-desemprego, contribuições previdenciárias e pisos salariais definidos em acordos coletivos.
Ganho real e limites do aumento
Entre 2019 e 2022, o salário mínimo teve reajustes restritos à inflação, sem ganho real, o que reduziu o poder de compra, sobretudo diante da alta dos preços dos alimentos, segundo o Dieese.
Com a retomada da política de valorização, os reajustes voltaram a incluir crescimento econômico. Ainda assim, a trava fiscal limita o aumento real, com o objetivo de conter a expansão das despesas obrigatórias da União, já que benefícios previdenciários e assistenciais são atrelados ao piso.
Salário mínimo ideal x salário oficial
De acordo com o Dieese, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de cerca de R$ 7.067,18 em novembro de 2025. O valor considera gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, conforme determina a Constituição.
O montante estimado é cerca de cinco vezes maior que o salário mínimo oficial atual, evidenciando a distância entre o piso legal e o custo real de vida.
Efeito econômico do salário mínimo
O Dieese estima que o salário mínimo de R$ 1.518 em 2025 gerou um acréscimo de R$ 81,5 bilhões na renda da economia e R$ 43,9 bilhões em arrecadação tributária sobre o consumo. O impacto ocorre pela elevada propensão ao consumo das famílias que recebem até o piso.
Com o aumento para R$ 1.621, a tendência é de manutenção desse efeito multiplicador, ainda que dentro dos limites impostos pela política fiscal.
Histórico recente do piso nacional
Nos últimos dez anos, o salário mínimo passou de R$ 788, em 2015, para R$ 1.621 em 2026. Em 2015, o Dieese apontou que o valor representava o maior salário mínimo real desde 1983, com ganho real acumulado de 76,54% desde 2002.
Apesar da evolução nominal, a entidade avalia que, historicamente, o piso permanece insuficiente para cobrir as necessidades básicas das famílias brasileiras, cenário que já se verificava em 2005, quando o salário mínimo era de R$ 300 e o valor considerado necessário superava R$ 1.500.