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Pandemia agrava lento ritmo de crescimento da população global

Nos Estados Unidos, por exemplo, mesmo sem os efeitos da pandemia, o número de aposentados deve ultrapassar o total de crianças até a década de 2030

Mais de um ano após o início da pandemia, o impacto sobre o crescimento populacional começa a ficar evidente, e não apenas por causa do elevado número de mortes. Nas maiores economias, já atingidas por negativos dados demográficos, esse fenômeno tem se acelerado após medidas de distanciamento social e a pior crise de crescimento em gerações para prevenir ou dissuadir pessoas de terem filhos.

Embora o fechamento de empresas e o isolamento forçado possam ter incentivado casais a passar tempo juntos produtivamente, o número de recém-nascidos foi superado pela queda da taxa de fecundidade vista nos dados nacionais de 2020. Os números variam da menor taxa de natalidade da França desde a Segunda Guerra Mundial à queda de 15% em bebês registrados na China.

Os dados apontam para um legado potencialmente negativo da crise. Além de os governos acumularem enormes dívidas para financiar a ajuda econômica, a oferta de futuros contribuintes para pagar o serviço dessa dívida e pelos sistemas públicos de previdência agora parece ainda mais baixa do que antes. Tal impacto seria particularmente prejudicial em partes da Ásia e da Europa devido ao envelhecimento da população.

Quanto mais longa e grave a recessão, mais acentuada será a queda das taxas de natalidade e mais provável que essa redução se torne uma mudança permanente no planejamento familiar. Isso reduzirá as taxas de crescimento potencial e tornará os altos níveis de dívida menos sustentáveis no longo prazo.

James Pomeroy, economista do HSBC

Em duas décadas, 10% a 15% menos adultos podem ingressar na força de trabalho, de acordo com cálculos de Pomeroy. Ele diz que uma projeção recente de demógrafos da revista Lancet, de que a população mundial começará a diminuir na década de 2060, já corre o risco de parecer obsoleta, com uma inflexão uma década antes.

 

A queda da taxa de natalidade é particularmente evidente na Itália, um dos primeiros focos de covid-19. O número de nascimentos em 15 cidades no país despencou 22% em dezembro, exatamente nove meses após o início da pandemia. Efeitos comparáveis são vistos em outros países: o Japão teve o menor número de recém-nascidos registrados em 2020, enquanto a taxa de fecundidade de Taiwan caiu para menos de um filho por mulher pela primeira vez.

Do ponto de vista fiscal, esses resultados são nefastos. Nos Estados Unidos, por exemplo, mesmo sem os efeitos da pandemia, o número de aposentados deve ultrapassar o total de crianças até a década de 2030.

Na União Europeia, a proporção de pessoas com mais de 65 anos em relação ao grupo entre 15 e 64 anos, uma métrica-chave sobre a acessibilidade dos serviços sociais para idosos, deve piorar. Isso agravaria um cenário já complicado, pois gastos com pensões aumentaram quase 30% entre 2008 e 2016.

“O impacto fiscal pode ser um golpe duplo”, disse Sonal Varma, economista da Nomura Holdings. “A queda do crescimento populacional prejudicará o crescimento potencial [à medida que a força de trabalho diminui], prejudicando as receitas fiscais. E isso ocorrerá concomitantemente com o aumento dos gastos com pensões públicas e saúde.”

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