O risco do populismo: FMI reduz previsão de expansão global

Instituição afirma que leva de imposição de tarifas comercias é um dos fatores a jogar para baixo a economia tanto em 2018 quanto em 2019

O novo presidente brasileiro ainda nem assumiu e já tem um novo desafio com o qual lidar. O Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento da economia global tanto em 2018 quanto em 2019 de 3,9%, de julho, para 3,7%. Executivos da instituição e do Banco Mundial estão reunidos para uma conferência em Bali, na Indonésia, e divulgaram as novas previsões na madrugada desta terça-feira.

É mais um sinal de que os bons ventos na economia global podem estar perto do fim. Para o Brasil, a notícia é especialmente preocupante porque, como se sabe, o país ainda luta para se recuperar de sua pior crise econômica e há no ar uma grande expectativa de retomada com a provável eleição de Jair Bolsonaro (PSL). Seu bom desempenho no primeiro turno fez com que a bolsa subisse 4,6%, ontem. A dúvida desta terça-feira é se o rali continuará, de olho no cenário interno, ou será afetado pelos ventos gelados que vêm de Bali.

Segundo a revista Economist, a única certeza no cenário econômico global é que “uma nova recessão é inevitável — e o mundo está completamente despreparado” para lidar com ela. Os motivos da preocupação vêm de todos os lados: tensões com relação a uma guerra comercial global, resultados ruins na economia europeia e uma crescente dificuldade de países emergentes num cenário com crédito mais escasso em virtude de aumentos nas taxas de juros de países como os Estados Unidos.

“O crescimento dos Estados Unidos vai cair assim que partes de seu pacote de estímulo fiscal sofram reversão”, afirmou o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld. O fundo cortou a previsão de crescimento americano de 2019 de 2,7% para 2,5%, e da China de 6,4% para 6,2%. A previsão dos dois países para 2018 permanece inalterada: 2,9% e 6,6%, respectivamente. No caso brasileiro, a previsão de crescimento em 2018 caiu de 1,8% para 1,4% em virtude, entre outros fatores, da greve dos caminhoneiros.

O pessimismo do FMI com os Estados Unidos é uma prova de fogo para Donald Trump que, dois anos depois de assumir, surfa na onda de uma expansão econômica de 4% com desemprego abaixo dos 4%. É uma combinação que infla seu discurso populista e alimenta populismos mundo afora, como alerta Harold James, professor da Universidade Princeton e colunista do app EXAME Hoje. James afirma que “é apenas uma questão de quando, e não de se, a conta econômica vai chegar”.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.