Economia

Mulher de Pedro Grendene é alvo de operação da PF

A empresária Tania Bulhões atua na área de decoração e perfumes de luxo e, segundo a Receita Federal, teria montado um esquema de importação fraudulenta

Tânia Bulhões, mulher de Pedro Grendene de dona de lojas de decoração e perfumes de luxo (--- [])

Tânia Bulhões, mulher de Pedro Grendene de dona de lojas de decoração e perfumes de luxo (--- [])

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Da Redação

Publicado em 14 de julho de 2009 às 19h49.

A empresária Tania Bulhões - que atua na área de decoração e perfumes de luxo e é casada com Pedro Grendene, sócio da marca de calçados Grendene - é alvo de investigações de operação conjunta entre Ministério Público, 6ª Vara Criminal, Polícia e Receita Federal realizada nesta terça-feira em São Paulo. Batizada de Porto Europa, a operação apura um suposto esquema fraudulento na importação de mercadorias comercializadas nas duas lojas que a empresária possui na capital paulista.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão da Justiça Federal que envolvem as duas lojas da empresária e um escritório do grupo, duas residências dos supostos beneficiários do esquema e  dois escritórios de contabilidade. Segundo a Receita Federal, foram apreendidos 1,704 milhão de reais em um dos cofres da empresa (537 mil reais em dinheiro e o restante em cheques), equipamentos de informática (três servidores de computadores, seis HDs, notebooks, pendrives) e milhares de documentos que incluem faturas originais dos produtos adquiridos.


Paralelamente, segundo a Receita, foram encontradas indícios de investimentos nas Ilhas Virgens, o que pode sinalizar prática de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
 
As investigações demonstram que as tradings que intermediavam as operações, comandadas por um brasileiro residente nos Estados Unidos, e que ocupavam o mesmo endereço, adquiriam e revendiam os produtos, em operações com prejuízo nominal de 70%, ocultando o verdadeiro importador: o grupo Tania Bulhões.
 
O relatório da Receita mostra que a empresa ocultou que era a real importadora dos produtos pelo menos até a deflagração da Operação Dilúvio. Ao sonegar essa informação, a empresa deixou de recolher impostos de importação e outras obrigações fiscais. O esquema fraudulento configura o crime de descaminho.
 
Paralelamente ao aspecto criminal, segundo a Receita Federal, uma vez constatada a irregularidade na declaração de impostos os mesmos terão de ser pagos em sua totalidade, além de juros e multas que podem variar de 75% a 225%.
 
Operação Dilúvio

 
Informações sobre o suposto esquema envolvendo o grupo Tania Bulhões foram descobertas na Operação Dilúvio, da Polícia Federal, em 2006, cujo processo corre na Justiça Federal de Curitiba (PR). O Ministério Público Federal de São Paulo recebeu as informações sobre a Operação Dilúvio, relativa ao grupo Tania Bulhões, e determinou análise do material pela Receita Federal em São Paulo.
 
Realizada em 16 de agosto de 2006, a Operação Dilúvio, segundo a Polícia Federal, consumiu dois anos de investigação e foi realizada simultaneamente em oito Estados e nos Estados Unidos. A ação conjunta da Receita e da Polícia Federal desarticulou o maior esquema constatado, até então, de fraudes no comércio exterior, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, evasão de divisas, cooptação de servidores públicos, entre outros. Processos relativos ao caso correm na Justiça Federal do Paraná.
 
Outro lado

A assessoria de imprensa de Tania Bulhões confirmou a realização das buscas nas duas lojas, mas que nenhuma irregularidade havia sido constatada na unidade de perfumes. Também foi informado que o valor apreendido é referente à movimentação financeira da loja. Ainda segundo a assessoria, a empresária prefere não se pronunciar sobre o caso, mas  irá responder legalmente às acusações.
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