Economia

Juro alto reflete doença mais grave na economia, diz ex-diretor do BC

Para Luiz Fernando Figueiredo, juro real de 10% é “um crime” e reflete desequilíbrio entre política fiscal e atuação do Banco Central

Luiz Fernando Figueiredo: "O Banco Central não é malvado, sacana e quer juro alto. Ele tem que colocar o juro num ponto em que consiga trazer a inflação para baixo"  (klavi/Divulgação/Divulgação)

Luiz Fernando Figueiredo: "O Banco Central não é malvado, sacana e quer juro alto. Ele tem que colocar o juro num ponto em que consiga trazer a inflação para baixo" (klavi/Divulgação/Divulgação)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 11h25.

A esperada manutenção da Selic em patamar de 15%, o maior valor dos últimos 20 anos, é reflexo de uma doença mais grave da economia brasileira, segundo avaliação do ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, sócio e membro do Conselho Consultivo da Jubarte Capital, Luiz Fernando Figueiredo.

"Os juros tão altos acontecem porque estamos com uma doença grave. Por isso, tomamos uma dose de remédio absurdamente grande", disse o ex-BC durante encontro do Mercado & Opinião, think tank que reúne empresários e especialistas para discutir perspectivas políticas e econômicas para 2026.

Para ex-diretor de Política Monetária do BC, o juro real brasileiro em 10% "é um crime", mas é consequência da atuação de governos com programas que aumentam a demanda, enquanto o Banco Central tenta desaquecer a economia com o aumento da Selic.

"A taxa de juros alta é consequência de um monte de coisas. Ela nunca é causa. O Banco Central não é malvado, sacana e quer juro alto. Ele tem que colocar o juro num ponto em que consiga trazer a inflação para baixo", disse.

Figueredo explicou ainda que esse cenário tornou a política monetária menos eficiente por ações políticas.

Brasil precisa reduzir a dívida para manter juros baixo

Figueiredo acrescenta que o alto nível de endividamento do Brasil exige uma atuação mais cautelosa do Banco Central, diante da elevada percepção de risco.

"Quanto maior a dívida e quanto maior o juro dessa dívida, maior o receio. E, com mais receio, eu busco uma taxa de juros mais alta", afirmou.

Hoje, as estimativas do mercado apontam que a dívida bruta chegará a 85% do PIB em 2026, com o aumento de gastos e a manutenção de créditos tributários. Em 2025, a dívida encerrará próximo de 80%. O dado consolidado do último ainda será confirmado pelo governo.

A avaliação do economista é que, para reduzir o patamar preocupante da dívida, é necessário um ajuste fiscal. Ele afirmou que uma redução de 2,5% do PIB em gastos públicos poderia estabilizar a trajetória da dívida, algo em torno de R$ 200 bilhões.

“Se isso acontecer, o risco cai, o custo de rolar a dívida também cai. O déficit nominal, que hoje está perto de 10%, viria para algo em torno de 5%. É outro país”, disse.

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