Economia

Inflação na China desacelera em maio mais que o esperado

A retração no mês foi a terceira desaceleração consecutiva nos preços ao produtor

Banco central do país reduziu a taxa de juros esta semana pela primeira vez desde o início da crise financeira mundial, em 2008 (Feng Li/Getty Images)

Banco central do país reduziu a taxa de juros esta semana pela primeira vez desde o início da crise financeira mundial, em 2008 (Feng Li/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 9 de junho de 2012 às 09h36.

Pequim - A inflação anual ao consumidor na China desacelerou para 3 por cento em maio, mais que o estimado por analistas, mostraram dados divulgados na madrugada neste sábado, depois que o banco central do país reduziu a taxa de juros esta semana pela primeira vez desde o início da crise financeira mundial, em 2008.

Em um sinal de que as pressões sobre os preços se mantiveram benignas, o Instituto Nacional de Estatística chinês afirmou que os preços ao produtor diminuíram 1,4 por cento interanual, mais que a queda esperada era de 1,1 por cento estimada por analistas.

A retração no mês foi a terceira desaceleração consecutiva nos preços ao produtor. "As pressões sobre os preços diminuíram em maio e o alívio pode se acelerar nos próximos meses. Isso respalda a medida do banco central de cortar a taxa de juros", disse Zhang Yongjun, economista do Centro Chinês para Câmbio e Economia Internacional (CCIEE, na sigla em inglês), uma importante consultoria do governo do país.

Economistas consultados pela Reuters haviam projetado que a inflação iria se desacelerar para 3,2 por cento em maio. Em comparação com abril, a inflação ao consumidor caiu 0,3 por cento, enquanto os preços ao produtor baixaram 0,4 por cento. "É muito provável que a inflação em junho baixe a menos de 3 por cento e provavelmente se desacelerará ainda mais até o fim do ano", comentou Zhang. "Não podemos descartar a possibilidade de mais cortes na taxa e o encaixe bancária deveria ser reduzido mais frequentemente", analisou.

O dado sobre preços foi divulgado dois dias depois que o banco central da China reduziu as taxas referenciais de crédito e os depósitos em 25 pontos básicos em uma medida destinada a conter a desaceleração da economia. Analistas consideram que a China registrará crescimento de 7,9 por cento no segundo trimestre, a menor taxa de expansão trimestral em três anos, desacelerando a economia pelo sexto trimestre consecutivo.

Além de baixar a taxa de juros, a autoridade monetária da China também reduziu os encaixes bancários duas vezes neste ano em um total de 100 pontos básicos a fim de aliviar as condições de crédito. O primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, havia prometido manter a economia crescendo a uma taxa "relativamente rápida" e o governo havia prometido que iria acelerar os investimentos planejados para a infraestrutura.

Ainda assim, analistas avaliaram que a China não contará com o grande pacote de estímulo de 4 bilhões de yuanes, como o ocorrido durante a crise financeira nos anos de 2008 e 2009.

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