Haddad se reúne com Fazenda e BC para montar plano anti-spread

A medida é impopular entre os bancos, mas os petistas acreditam que o pequeno e o médio empresário devem comemorar a retomada de acesso ao crédito

Em mais um episódio de seu périplo no mercado financeiro, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) tem encontro marcado nesta segunda-feira com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. A ideia é reunir dados para embasar o programa de tributação adicionada aos bancos para baixar o spread, uma das principais propostas econômicas da campanha petista ao Planalto.

Às Sete – um guia rápido para começar seu dia

Leia também estas outras notícias da seção Às Sete e comece o dia bem informado:

Haddad, além de plano B do partido para o pleito, é coordenador de campanha à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nós entendemos que chegou o momento de enfrentar, de uma vez por todas, a questão do crédito no Brasil”, disse Haddad em entrevista a EXAME. “Não podemos continuar convivendo com taxas de juros que espoliam a população, com o cartão de crédito e o cheque especial [sendo usados] como linhas de crédito em um patamar de juros completamente desconectado da Selic e da inflação”.

O encontro é importante também para sentir o clima de recepção da proposta. A medida é impopular entre os bancos, mas os petistas acreditam que o pequeno e o médio empresário devem comemorar a retomada de acesso ao crédito. Em sua coluna na revista VEJA, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega chama a medida de “intervencionista” e pouco eficaz.

“No último relatório sobre o mercado bancário, o BC informou que o spread médio se divide em quatro partes: (1) o custo da inadimplência (37,4% do total), (2) despesas administrativas (31,4%), (3) tributos e contribuições para o Fundo de Garantia de Crédito (22,7%) e margem financeira, isto é, o lucro dos bancos (8,5%)”, diz Nóbrega. “Se lesse o documento, Haddad se daria conta de que 91,5% do spread bancário se referem a custos sobre os quais os bancos não têm qualquer controle. Assim, o tributo incidiria apenas sobre 8,5% do spread.”

O trabalho de Haddad, na teoria, termina dia 15 de agosto, prazo final de registro das candidaturas. A partir daí, segundo afirmou a EXAME, voltará a dar aulas. O desafio quixotesco de bater de frente com os bancos caberia ao provável cabeça de chapa, o ex-presidente Lula.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.