Economia
Acompanhe:

Haddad diz que governo avalia termos para entrar na OCDE

Processo de entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, conhecida como "clube dos ricos", teve início no governo Bolsonaro

Fernando Haddad: ministro conversou com presidente da Uber sobre seguridade social dos trabalhadores (Andressa Anholete/Bloomberg/Getty Images)

Fernando Haddad: ministro conversou com presidente da Uber sobre seguridade social dos trabalhadores (Andressa Anholete/Bloomberg/Getty Images)

A
Agência O Globo

19 de janeiro de 2023, 06h47

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que sua pasta já tem um grupo de trabalho para apresentar os termos para uma eventual entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O martelo vai ser batido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse o ministro.

Haddad se reuniu hoje cedo com o secretário-geral, da OCDE, Mathias Cormann, da OCDE. O Brasil iniciou processo para que o país faça parte da organização, conhecida como “clube dos ricos”, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"O Brasil pleiteou a entrada no organismo. Essa aproximação está acontecendo naturalmente e agora vamos ver com Itamaraty e o presidente da República os próximos passos. Temos de desenhar a política que vai ser feita com o Itamaraty e os ministérios para se alinhar às determinações do presidente da República", afirmou.

O Brasil assume em 2024 a presidência do G20 e pediu para adiar para 2025 o comando nos BRICs: "Temos de fazer uma reunião específica com Lula das nossas agendas multilaterais e o Brasil tem participação intensa em diversos fóruns."

No Mercosul, por exemplo, a agenda será retomada com a viagem de Lula na Argentina ainda neste mês, disse Haddad.

LEIA TAMBÉM: Argentina, EUA e China: as primeiras viagens de Lula ao exterior

Em seu último dia em Davos, Fernando Haddad, disse que sua participação no Fórum Econômico Mundial foi positiva.

"Saio satisfeito sobre o que ouvi do Brasil. Cheguei aqui surpreso com grau de preocupação com o país. A mensagem que [a ministra do Meio Ambiente], Marina Silva, e eu passamos é que o Brasil segue forte e as pessoas ficaram felizes de ouvir isso."

Haddad não descarta novos riscos de ataques golpistas no país, mas não há razão para que a comunidade internacional se preocupe com o Brasil: "O mundo todo está sob vigilância externa. Existe crescimento extremismo de direita que precisa ser contido. O Brasil demonstrou instituições se uniram em torno da mesma causa."

Trabalhadores do Uber

Na manhã desta quarta-feira, Haddad se encontrou também com o presidente global do Uber, Dara Khosrowshahi. Em uma conversa curta, o ministro abriu uma agenda para discutir com a gigante de tecnologia a possibilidade de discutir a seguridade social dos trabalhadores brasileiros.

"Não somos contra a tecnologia, mas ela precisa estar a serviço dos consumidores e trabalhadores", ressaltou o ministro.

Segundo Haddad, o governo quer abrir uma agenda para discutir a previdência social para que os trabalhadores tenham amparo social. O presidente do Uber, segundo o ministro, demonstrou sensibilidade ao tema.

Em nota, o Uber informou que, na reunião de 15 minutos, o executivo apresentou os investimentos da empresa no Brasil e seus impactos na economia. Ainda segundo a empresa, ele se colocou à disposição do governo brasileiro para contribuir no debate sobre a regulação do trabalho por meio de plataformas.

“Khosrowshahi reforçou a importância da inclusão de motoristas e entregadores na Previdência Social, com a participação das empresas na contribuição, modelo defendido pela Uber desde 2021”, informou a empresa.

Quer receber os fatos mais relevantes do Brasil e do mundo direto no seu e-mail toda manhã? Clique aqui e cadastre-se na newsletter gratuita EXAME Desperta.