Economia

EUA põem em risco competitividade de 41 setores exportadores

Exclusão do Brasil do sistema americano que dá tarifa zero de importação a produtos estrangeiros é defendida por representantes do governo e do Congresso americano

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 10h29.

Exportadores brasileiros de 41 ramos industriais perderão sua competitividade no mercado americano caso o Brasil seja excluído do chamado Sistema Geral de Preferências (SGP) americano. A discussão, que voltou à pauta nesta semana, trata de um mercado que, no ano passado, rendeu 3,6 bilhões de dólares a empresas no Brasil - valor equivalente a 15% do total exportado pelo país aos Estados Unidos. O maior baque seria sentido pelas indústrias de autopeças, compensados de madeira, máquinas e equipamentos, plásticos e granitos.

Criado na década de 70, o sistema objetiva contribuir para o aumento da competitividade de produtos de países pobres e beneficia, atualmente, 133 países. A exemplo da discussão que houve no ano passado, representantes do governo e do Congresso dos Estados Unidos apontam para a exclusão de 13 países - além do Brasil, outros como Índia, Tailândia, Argentina - que já teriam atingido um determinado nível de competitividade. "O senador Chuck Grassley [produtor agrícola no Iowa e principal defensor da exclusão do Brasil] afirma que o país não pode mais ser considerado ';em desenvolvimento'; na agricultura. Mas o SGP não isenta produtos agrícolas", diz Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "É um absurdo os argumentos que estão sendo utilizados."

Na prática, se o Brasil for excluído do sistema, 150 produtos brasileiros beneficiados com a tarifa zero de importação passarão a pagar de 3,5% a 26% de taxa para entrar no mercado americano. "Isso poderá significar perda de mercado. E quem se beneficia com a perda da competitividade brasileira? A China, maior responsável pelo déficit comercial dos Estados Unidos", diz o diretor da Fiesp. Cavalcanti salienta, ainda, que 40% das empresas que se beneficiam do SGP são americanas. "Essas empresas estrangeiras transfeririam a produção feita no Brasil para outras filiais no mundo", afirma.

O projeto que tramita no Congresso americano discute a renovação do SGP por mais cinco anos. Caso a renovação não seja aprovada ainda neste ano, o sistema será revogado. Com isso, a partir de 1º de janeiro, as tarifas de importação voltam a valer. A expectativa dos industriais é que na volta das férias legislativas, em setembro, e após o recesso e as eleições parlamentares, em novembro, os congressistas aprovem o projeto e não excluam o Brasil.

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