Trecho da Via Dutra, que liga o Rio a São Paulo (CCR/Divulgação)
Agência de Notícias
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 07h10.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 09h17.
Uma das principais rodovias do Brasil, a Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo, está dando os primeiros passos para se tornar um corredor logístico verde, com a eletrificação de sua frota de caminhões.
O projeto, chamado Laneshift e-Dutra, foi apresentado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, e pretende revolucionar o transporte de cargas no Brasil, que é feito principalmente por rodovia.
O e-Dutra nasceu com o apoio de um consórcio de 17 empresas do setor de transporte e logística, entre elas gigantes como Volkswagen, Amazon e LOTS Group, uma empresa de soluções tecnológicas para o setor de transporte do Grupo Scania, responsável pela primeira viagem.
“O que estamos mostrando com este projeto é que a logística sustentável não é algo para daqui a 10 anos. Já é possível hoje”, afirmou à Agência EFE Edson Guimarães, diretor executivo para a América Latina do LOTS Group.
O plano é ambicioso: até 2030, cerca de 1.000 caminhões elétricos deverão cruzar diariamente a Via Dutra, que conecta 60 milhões de pessoas nos dois principais polos econômicos do Brasil, responsáveis por 41% do PIB.
Quando isso se tornar realidade, será evitada a emissão de cerca de 75 mil toneladas de CO2, o que equivale aos gases gerados por cerca de 16 mil automóveis à combustão.
Para Guimarães, a e-Dutra é um exemplo de como a colaboração entre empresas, governos e organizações técnicas é “a espinha dorsal” da transição do diesel para as energias limpas.
“Nenhum ator consegue fazer essa transformação de forma isolada. A logística verde só avança quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada”, explicou.
Além do projeto na Via Dutra, a LOTS apresentou na COP30 outro piloto de descarbonização: a primeira rota de longa distância com caminhões a biometano, em um projeto que une Scania, Ultragás e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A rota, de 2.950 quilômetros, une São Bernardo do Campo, cidade vizinha a São Paulo, e Belém, cidade onde foi realizada a COP30.
Esse tipo de projeto, segundo Guimarães, contribuirá para diminuir a chamada “paridade do custo total de propriedade”, ou seja, fará com que os caminhões elétricos e movidos a combustíveis sustentáveis tenham o mesmo preço dos movidos a diesel.
“Hoje, vemos muitos projetos-piloto, mas ainda em pequena escala. Para crescer, a transição precisa de custos equivalentes ao modelo tradicional. Esse é o grande acelerador”, afirmou.
A LOTS garante que já mostrou que é possível avançar nessa direção, em um projeto recente de logística com a indústria de embalagens metálicas, que permitiu melhorar em mais de 200% a eficiência operacional em apenas dois meses, reduzindo horas e otimizando rotas para compensar o custo das tecnologias verdes.
Guimarães reiterou que esse caminho, de mais eficiência, mais cooperação e mais eletrificação, será crucial para que o e-Dutra deixe de ser um piloto e se torne o primeiro corredor logístico verde em grande escala da América Latina.