Copom: BC sinaliza para ciclo de corte, mas afirma que juros terá que manter a taxa restritiva (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 08h50.
Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 09h01.
Os diretores do Banco Central (BC) indicaram que o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, previsto para a próxima reunião, acontecerá com “serenidade” para assegurar a convergência da inflação à meta.
“Compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, escreveu o comitê em Ata divulgada nesta terça-feira, 3.
Os membros do Copom afirmaram que a magnitude e a duração do ciclo “serão determinadas ao longo do tempo”.
O comitê afirma que é necessário de novas informações e dados para confirmar o nível de desaceleração da economia, que ainda convive com um mercado de trabalho aquecido.
Na última decisão, o BC surpreendeu o mercado ao sinalizar de forma clara que o corte da Selic poderá começar na reunião de março.
A principal aposta de economista ouvidos pela EXAME é que a autoridade monetária inicie a redução dos juros com um corte de 0,25 ponto percentual.
O documento reforçou que o cenário atual, marcado por “elevada incerteza”, principalmente no exterior, exige cautela na condução da política monetária.
Porém, os diretores reconheceram que a atual estratégia, com juros em patamares restritivos, tem mostrado resultados.
A taxa de juros em 15% ao ano é a maior em 20 anos.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, afirmam os diretores.
A autoridade monetária afirmou ainda que apesar de indicar um ciclo de cortes, a taxa de juros não deve ter uma redução drástica neste ano. O Boletim Focus projeta que a Selic feche 2026 em 12% ao ano.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmaram.