Rinovírus: estudo aponta por que infecção varia de leve a grave (Thinkstock)
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Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 11h03.
Uma pesquisa da Escola de Medicina de Yale descobriu o motivo pelo qual o mesmo vírus pode derrubar algumas pessoas e quase não afetar outras, e a resposta está — literalmente — dentro dos nossos narizes.
Segundo o estudo, a rapidez da ação imunológica inicial nas células do nariz — a chamada resposta do interferon — é quem dita se o rinovírus será capaz de despertar nenhum ou poucos sintomas em algumas pessoas, ou desencadear crises, inclusive de asma, em outras. Isso ocorre porque o mecanismo de defesa varia entre os indivíduos.
Segundo a Dra. Ellen Foxman, professora associada de medicina laboratorial e imunobiologia em Yale e uma das autoras do trabalho, a resposta do organismo é determinante para o desfecho clínico. "É a resposta do corpo que realmente determina a doença causada pelo vírus", afirmou.
Para chegar aos resultados, pesquisadores cultivaram células nasais humanas em laboratório até que formassem um tecido semelhante ao revestimento real das vias aéreas. Em seguida, essas células foram infectadas com rinovírus e monitoradas.
Os experimentos mostraram que, quando a resposta do interferon é ativada rapidamente, a infecção permanece restrita a menos de 2% das células nasais. Nesse cenário, a pessoa pode apresentar poucos sintomas ou apenas sinais leves, como espirros.
Por outro lado, quando os cientistas bloquearam essa resposta inicial, cerca de 30% das células foram infectadas, o que resultou no aumento da produção de muco e inflamação — sintomas de quadros mais graves, como resfriados fortes ou crises respiratórias.
Apesar das descobertas, os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que enfraquece a resposta ao interferon em algumas pessoas. Foxman afirma que estudos futuros com pacientes reais serão necessários para esclarecer essa questão.
Por outro lado, a pesquisadora pontuou que evidências indicam que uma infecção viral recente pode manter ativa a resposta antiviral do interferon, o que desencadeia uma reação mais rápida do organismo a um novo vírus.
Além disso, Foxman afirmou que temperaturas mais baixas nas vias aéreas parecem favorecer os vírus, por estarem associadas à supressão ou ao atraso na produção de interferon.
Ela acrescentou que fatores ambientais também influenciam esse processo. A inalação de poluição ou fumaça de cigarro altera a resposta imunológica a exposições posteriores, como ao rinovírus, e tende a provocar uma reação mais grave.