Baleia jubarte: caso observado na Austrália pode ajudar a compreender respostas de cetáceos à morte (Freepik)
Redatora
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 17h22.
Uma baleia jubarte permaneceu durante horas ao lado de seu filhote morto na costa da Austrália. O comportamento, raramente documentado nessa espécie, chamou a atenção de pesquisadores e pode ajudar a entender como esses animais reagem à morte.
O caso ocorreu em 2025, na costa sul de Gold Coast, e foi documentado por pesquisadores da Universidade Griffith e da Sea World Foundation. Segundo o estudo, a fêmea aparentemente havia dado à luz um filhote natimorto.
De acordo com as imagens, a mãe permaneceu próxima ao corpo, manteve contato visual e se posicionou ao lado dele durante várias horas. Os pesquisadores consideram possível que ela tenha permanecido com o filhote por dias. O episódio foi descrito em um estudo publicado na última quarta-feira, 16, na revista científica Discover Animals.
Comportamentos de atenção a indivíduos mortos já foram registrados principalmente entre baleias dentadas e golfinhos. Observações científicas semelhantes são mais raras entre baleias de barbatanas, grupo que inclui as jubartes.
Segundo Jan-Olaf Meynecke, pesquisador do Programa de Pesquisa sobre Baleias e Clima da Universidade Griffith, o comportamento observado também apresentou diferenças em relação a casos registrados em outros cetáceos.
Enquanto mães de algumas espécies de baleias dentadas já foram vistas levando seus filhotes mortos até a superfície, a jubarte observada permaneceu próxima ao corpo debaixo d'água.
Durante o acompanhamento, a fêmea manteve contato visual e ficou posicionada ao lado do filhote. Para os pesquisadores, essas ações foram compatíveis com comportamentos de cuidado ou proteção e indicaram um forte vínculo materno.
Andrew Mulville, capitão de uma embarcação de resgate da Sea World Foundation, presenciou o episódio. Inicialmente, ele acreditou estar diante de duas baleias descansando na superfície, até perceber o comportamento incomum.
Os pesquisadores são cautelosos ao interpretar a observação como uma resposta semelhante ao luto. Como episódios desse tipo são raramente presenciados em baleias jubarte, ainda são necessários mais registros para compreender seu significado.
Segundo o estudo, o comportamento observado pode estar relacionado ao apego materno, a uma resposta semelhante ao luto ou a outras formas de comportamento social e emocional.
O caso se soma ao pequeno número de registros científicos envolvendo baleias de barbatanas e filhotes mortos. Para os autores, documentar esses episódios pode fornecer informações sobre como grandes baleias respondem à morte.
Os pesquisadores defendem a documentação sistemática de casos raros de mortalidade neonatal para investigar o significado cognitivo, emocional e evolutivo dos comportamentos observados após a morte.
Segundo Meynecke, estudar como animais não humanos reagem à morte também pode fornecer informações sobre seus vínculos sociais, capacidades cognitivas e respostas emocionais.
O estudo foi apresentado como o primeiro registro de atenção pós-morte de uma baleia jubarte a um filhote natimorto.