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Rony Meisler: o "marrento" que vendeu o estilo de vida do RJ para a Arezzo

Marca é descolada, judaica — Meisler faz questão de frisar —, e tem o espírito carioca descontraído e livre
 (Reprodução/Leo Aversa)
(Reprodução/Leo Aversa)
Por Denyse Godoy, Ivan PadillaPublicado em 23/10/2020 13:47 | Última atualização em 23/10/2020 16:43Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Rony Meisler, de 38 anos, é um típico menino do Rio de Janeiro. Vascaíno roxo, foi criado no bairro de classe média de Botafogo. Criança, ia a pé para o colégio judaico Liessin com o irmão. No seu livro, Rebeldes têm asas, Meisler conta que era da turma do fundão, bagunceiro, mas estudava para ter sucesso nas provas. Seu sonho é ser um empreendedor de sucesso como Meisler? Aprenda com a EXAME Academy a inovar na prática.

No começo da adolescência, passou dois anos em São Paulo porque seu pai havia sido transferido de trabalho. Sofreu no retorno ao Rio porque seus amigos já não lhe eram mais próximos. Sua "personalidade leve" e "facilidade de relacionamento" o salvaram, diz no livro. Cursou engenharia de produção na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro por influência do pai. Diz que foi o curso errado, porque na verdade sua vocação é para as ciências humanas, mas que as habilidades aprendidas na graduação sempre foram úteis.

O primeiro empreendimento de Meisler foi uma banca de venda de livros antigos e gibis na calçada do prédio onde morava. Contava, então, 12 anos. Com 19, no começo dos anos 2000, fundou um site nos moldes do que hoje chamamos de marketplace, mas não para vender e sim para proporcionar a troca de produtos entre consumidores. O negócio não foi para a frente, porém lhe deu uma lição valiosa: não depender do capital alheio.

(EXAME Research/Exame)

A Reserva começou despretensiosamente de uma conversa com o amigo Fernando Sigal. Aos 24 anos, Meisler era analista na Accenture e fequentava a mesma academia de ginástica de Sigal. Certo dia, os dois viram um grupo de garotos usando a mesma bermuda, e brincaram que havia um problema de oferta. Pela aventura, resolveram desenhar uma bermuda de praia com uma foto em 360 graus da praia de Ipanema. Nasceu assim a grife de moda masculina descolada, judaica — como Meisler faz questão de frisar —, com o espírito carioca descontraído e livre. Meisler ganhou o apelido de "marrentinho da moda" pela personalidade belicosa. Já brigou com Oskar Metsavha, o fundador da Osklen, que chamou o concorrente de "marqueteiro de esquina". Esse outsider agora se tornou sócio da Arezzo, um dos maiores grupos de moda do país. Com a Reserva, a Arezzo começa um novo capítulo de sua história, passando a atuar no setor de vestuário também.

O estilo Reserva

A Reserva cresceu com um discurso antimoda para uma classe média do Rio de Janeiro. Meisler sempre gostou de dizer que a marca vende estilo de vida, e não moda. Nesse sentido, o modelo a ser seguido era a Osklen. Não em termos de design, tecidos, estampas. Mas a Osklen sempre se posicionou como a cara do lifestyle do Rio — e era esse o lugar que o Rony queria ocupar. Tanto que até o perfume usado nas lojas da Reserva, dizem os detratores, era copiado da marca de Oskar Methsavat.

De acordo com consultores e especialistas ouvidos pela EXAME, Meisler sempre se moveu, principalmente nos últimos cinco ou seis anos, entre a crítica ao sistema de moda e o desejo de pertencimento. Ele participou de diversas edições do São Paulo Fashion Week, mesmo quando o evento sofreu com a saída de marcas importantes como a Ellus. Ao mesmo tempo, colocava os manequins de cabeça para baixo nas vitrines como crítica aos padrões dos desfiles.

Meisler dizia em entrevistas que não ligava para moda, mas gostava de aparecer no prédio da Bienal durante a época dos desfiles da semana de moda paulista. A Reserva é uma empresa focada em marketing, em posicionamento, em fazer barulho. Seus produtos oscilam entre peças básicas e estampas de fácil aceitação no mercado, sem grandes ousadias.

Aos poucos, com produtos de boa qualidade e bastante propaganda, conseguiu fazer do logotipo do Picapau um símbolo aceito na classe A. Contou para isso a com participação no grupo do apresentador Luciano Huck, que durante um bom tempo fazia aparições com as celebradas camisas polo da marca.

Em 2018 Meisler criou a RSV+, uma empresa dentro da Reserva apenas para cuidar de colaborações. As collabs viraram um fenômeno dentro do mercado de moda, principalmente em tempos de redes sociais. São associações de marcas de públicos diferentes, que tentam transmitir um verniz de democratização em um mercado considerado elitista. O exemplo mais emblemático é o da aristocrática Louis Vuitton com a marca de streetwear Supreme.

Com orientação de Mesler, a RSV+ promoveu lançamentos de coleções cápsula, em quantidades de poucas centenas de peças, com Johnnie Walker, Fila, Umbro, New Balance. É uma forma de a Reserva conversar com um público mais fashionista e ampliar o leque de consumidores da marca.

Os ídolos de Meisler são empreendedores como Jeff Bezos, e não criativos da moda. Seu sonho sempre foi criar uma marca de grande escala. Para isso, mais do que a ida ao mercado de capitais, ele acreditava em uma associação com algum grande grupo. Sua mais recente negociação foi com o Grupo Soma, de Roberto Jatahy.

As conversas com a Soma não evoluíram, e analistas do mercado acreditam que uma das razões foi o próprio perfil do grupo. A Soma, que detém Farm e Animale, é uma empresa de moda. A Reserva seria uma marca a mais dentro do portfólio. Jatahy defende a permanência das identidades de cada marca. Mas nesses casos sempre há o risco de canibalização.

A Arezzo, em contrapartida, é uma empresa focada em calçados. Com a compra, a Reserva passa a ser a estrela solitária da moda na constelação de sapatos. Provavelmente Rony continuará à frente da criação da Reserva. Quem o conhece diz que dificilmente ele abriria mão de seguir ditando os rumos da marca. É possível concluir que ele está mais confortável dentro da empresa de Birman do que subordinado a Jatahy.

Alexandre Birman, ao contrário de Meisler, é um empresário da moda. Foi ele quem apostou na criação da Schutz, mais premium, e convenceu no passado o pai, Anderson, a investir nesse segmento. A compra da marca de sneakers Vans, grife queridinha dos modernos, mostra dois desejos de Birman: continuar com o pé firme no segmento da moda e entrar com força no mercado masculino.

Grosso modo, em uma comparação com o mercado internacional, a Reserva encontraria paralelo na Tommy Hilfiger, uma marca de amplo alcance, bem posicionada, mas de moda básica. A compra da Reserva pela Arezzo seria algo parecido à compra da Versace pela Michael Kors. São marcas que conversam com um público de alta renda mas de perfil bastante variado.