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Após escândalo por entrevista da Lady Di, Londres quer reformar BBC

Segundo relatório da Suprema Corte britânica, jornalista usou documentos falsos para conseguir a entrevista; Johnson contempla a possibilidade de acabar com o imposto que financia a emissora

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 (CARL COURT/AFP/Getty Images)

(CARL COURT/AFP/Getty Images)

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AFP

Publicado em 21 de maio de 2021, 13h36.

O governo britânico anunciou, nesta sexta-feira (21), que examinará a pertinência de reformar a governança da BBC, após a publicação de um relatório sobre os métodos antiéticos adotados por um de seus jornalistas para conseguir uma polêmica entrevista com a princesa Diana, em 1995. 

No relatório, divulgado na quinta-feira (20), o ex-juiz da Suprema Corte John Dyson critica o jornalista Martin Bashir por usar documentos falsos para convencer Lady Di a lhe conceder a entrevista. Também critica a direção da emissora pública britânica por sua gestão do caso.

Vista por 22,8 milhões de telespectadores em 1995, a entrevista foi uma bomba. Nela, a princesa afirmou que havia "três pessoas" em seu casamento - referindo-se à relação extraconjugal de Charles com Camilla Parker Bowles, hoje sua esposa - e admitia que ela também tinha um caso.

Com esta entrevista, o então desconhecido Bashir impulsionou sua carreira. Em 2003, conversou o astro do pop Michael Jackson, que depois o denunciou ao órgão regulador do setor audiovisual britânico, por divulgar uma imagem distorcida sua. Há uma semana, o jornalista deixou a BBC, alegando motivos de saúde.

"Este informe é claramente condenatório", disse o ministro da Justiça, Robert Buckland, ao canal Sky News, destacando que o documento aponta não apenas o jornalista, mas também a direção e "as decisões que foram tomadas à época". "Isso exigirá um exame detalhado, e é isso que o governo fará com calma para ver o que precisa ser feito para melhorar a governança na BBC", acrescentou.

"Agora cabe à BBC garantir que nada disso volte a acontecer", declarou o primeiro-ministro Boris Johnson.

A publicação do relatório de Dyson provocou uma forte condenação da BBC por parte dos filhos de Diana, que morreu em um acidente de carro em 1997, em Paris, perseguida pelos paparazzi.

"É infinitamente triste saber até que ponto as falhas da BBC alimentaram os medos, a paranoia e a solidão dos últimos anos que passei com ela", reagiu seu filho mais velho, príncipe William, de 38 anos, o segundo na linha sucessória ao trono britânico.

Dos Estados Unidos, onde vivem com sua esposa, Meghan, e com o filho, seu irmão mais novo, Harry, de 36, relacionou a morte de sua mãe "ao efeito dessa cultura de exploração e de práticas pouco éticas".

A polícia de Londres, que em março decidiu não abrir uma investigação sobre o assunto, disse hoje que estudará "qualquer nova prova significativa que surja" após o informe.

Melhorar governança

O Executivo de Johnson tem a BBC na mira desde sua chegada ao poder, em dezembro de 2019. À época, acusou o grupo de parcialidade em relação ao Partido Conservador (a sigla do premiê) na campanha eleitoral para a disputa legislativa. Paradoxalmente, o Partido Trabalhista também atribuiu falta de objetividade à BBC durante a mesma cobertura.

Esta emissora pública de rádio e televisão deve renegociar em 2022 seu acordo com o Estado, e Johnson contempla a possibilidade de reduzir, ou suprimir em alguns casos, o imposto audiovisual de 157 libras (US$ 223) anuais pago pelo contribuinte britânico. Alguns conservadores defendem, inclusive, que a BBC deveria migrar para um sistema de assinatura semelhante ao de diferentes plataformas digitais. Hoje, a empresa enfrenta o desinteresse do público mais jovem.

Com parte de uma "modernização" para se adaptar aos novos hábitos do público, o grupo anunciou, em 2020, o corte de 450 postos de trabalho em sua redação.

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