Jonas Marques, CEO da Pague Menos: “Ozempic é a grande invenção do século. Comparo, inclusive, com a invenção da Penicilina” (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 16 de março de 2026 às 19h12.
Última atualização em 30 de março de 2026 às 06h35.
A possível chegada de versões mais acessíveis do Ozempic, o desempenho do varejo no mês do consumidor e o debate sobre a escala de trabalho 6x1 estão entre os principais temas no radar da Pague Menos para 2026.
Em entrevista ao podcast "De Frente com CEO", o presidente Jonas Marques afirma que o setor farmacêutico pode entrar em uma nova fase com a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, prevista para março no Brasil.
Segundo o executivo, a expectativa é que novas versões do medicamento cheguem ao mercado ainda neste ano.
“Em julho chegará o produto similar do Ozempic, que depois deve abrir caminho para os genéricos”, diz o CEO.
Os medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, se tornaram um dos segmentos mais promissores da indústria farmacêutica global.
Para Jonas, a ampliação da concorrência pode ampliar significativamente o acesso ao tratamento.
“Essa classe de medicamentos é uma verdadeira revolução. Na minha opinião, é uma das grandes invenções da medicina recente”, afirma.
Com a entrada de novos produtos, a expectativa é de queda de preços e aumento da demanda, especialmente entre consumidores que hoje não têm acesso ao tratamento.
Veja a entrevista completa de Jonas Marques, CEO da Pague Menos, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME.
A mudança pode beneficiar especialmente regiões onde o consumo ainda é menor. Hoje, cerca de 70% das operações da Pague Menos estão no Norte e Nordeste, mercados que devem ganhar relevância caso os medicamentos se tornem mais acessíveis.
“Vai ser a vez de uma grande parte da população ter acesso a esse tipo de tratamento”, afirma.
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Enquanto o mercado acompanha as mudanças no setor farmacêutico, o curto prazo também traz oportunidades para o varejo. Março é tradicionalmente um dos meses mais fortes do ano para as farmácias por causa do Dia do Consumidor, que movimenta campanhas promocionais em todo o país.
Na Pague Menos, a estratégia foi concentrar ações comerciais nesse período.
“Só neste mês temos cerca de 3 mil produtos em promoção”, afirma Jonas.
Segundo o executivo, a empresa adaptou seu calendário promocional considerando um ano que pode ser mais complexo para o consumo. “No varejo não existe um ano comum”, diz.
Ele explica que fatores como eleições e Copa do Mundo exigem planejamento mais detalhado para evitar períodos em que o consumidor esteja menos atento às campanhas comerciais.
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Outro tema que acompanha o planejamento do setor é o debate sobre a possível mudança da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.
Jonas afirma que a rede já realiza simulações para entender como uma eventual transição para jornadas como a escala 5x2 poderia afetar a operação.
“Nós não somos contra a escala 5x2. Se ela vier a ser aprovada, a gente vai se adaptar”, diz.
Ao mesmo tempo, o executivo ressalta que o tema exige cuidado em setores que operam com atendimento contínuo.
“Ela não é uma mudança banal, porque mexe com atividades como o varejo, que muitas vezes funciona aos domingos ou até 24 horas”, afirma.
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A companhia encerrou 2025 com R$ 16 bilhões em faturamento e crescimento nas vendas impulsionado pelo aumento da base de clientes e do ticket médio.
Para 2026, a estratégia combina execução comercial, expansão da rede e adaptação às mudanças do mercado.
“2026 é o ano da escala”, afirma o CEO.
A rede abriu 51 lojas no último ano e deve continuar ampliando sua presença no país, especialmente em regiões onde ainda há espaço para crescimento.
Para Jonas, o setor farmacêutico segue como um dos mais resilientes da economia.
“O varejo farmacêutico cresce de forma consistente há décadas e não será diferente neste ano”, afirma.
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