Negócios

Ozempic, mês do consumidor e escala 6x1: os planos da Pague Menos para crescer em 2026

Jonas Marques, presidente da rede, afirma que o similar do Ozempic deve chegar em julho e comenta como a rede de R$ 16 bilhões se prepara para possíveis mudanças na jornada de trabalho

Jonas Marques, CEO da Pague Menos: “Ozempic é a grande invenção do século. Comparo, inclusive, com a invenção da Penicilina” (Leandro Fonseca/Exame)

Jonas Marques, CEO da Pague Menos: “Ozempic é a grande invenção do século. Comparo, inclusive, com a invenção da Penicilina” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 16 de março de 2026 às 19h12.

Última atualização em 30 de março de 2026 às 06h35.

Tudo sobrePodcast De frente com CEO
Saiba mais

A possível chegada de versões mais acessíveis do Ozempic, o desempenho do varejo no mês do consumidor e o debate sobre a escala de trabalho 6x1 estão entre os principais temas no radar da Pague Menos para 2026.

Em entrevista ao podcast "De Frente com CEO", o presidente Jonas Marques afirma que o setor farmacêutico pode entrar em uma nova fase com a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, prevista para março no Brasil.

Segundo o executivo, a expectativa é que novas versões do medicamento cheguem ao mercado ainda neste ano.

“Em julho chegará o produto similar do Ozempic, que depois deve abrir caminho para os genéricos”, diz o CEO.

Os medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, se tornaram um dos segmentos mais promissores da indústria farmacêutica global.

Para Jonas, a ampliação da concorrência pode ampliar significativamente o acesso ao tratamento.

“Essa classe de medicamentos é uma verdadeira revolução. Na minha opinião, é uma das grandes invenções da medicina recente”, afirma.

Com a entrada de novos produtos, a expectativa é de queda de preços e aumento da demanda, especialmente entre consumidores que hoje não têm acesso ao tratamento.

Veja a entrevista completa de Jonas Marques, CEO da Pague Menos, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME. 

yt thumbnail

“O genérico do Ozempic vai ser uma explosão de mercado”

A mudança pode beneficiar especialmente regiões onde o consumo ainda é menor. Hoje, cerca de 70% das operações da Pague Menos estão no Norte e Nordeste, mercados que devem ganhar relevância caso os medicamentos se tornem mais acessíveis.

“Vai ser a vez de uma grande parte da população ter acesso a esse tipo de tratamento”, afirma.

Veja também: Patente do Ozempic cai em cinco dias. Quais empresas se beneficiam?

Mês do consumidor impulsiona vendas

Enquanto o mercado acompanha as mudanças no setor farmacêutico, o curto prazo também traz oportunidades para o varejo. Março é tradicionalmente um dos meses mais fortes do ano para as farmácias por causa do Dia do Consumidor, que movimenta campanhas promocionais em todo o país.

Na Pague Menos, a estratégia foi concentrar ações comerciais nesse período.

“Só neste mês temos cerca de 3 mil produtos em promoção”, afirma Jonas.

Segundo o executivo, a empresa adaptou seu calendário promocional considerando um ano que pode ser mais complexo para o consumo. “No varejo não existe um ano comum”, diz.

Ele explica que fatores como eleições e Copa do Mundo exigem planejamento mais detalhado para evitar períodos em que o consumidor esteja menos atento às campanhas comerciais.

Veja também: A estratégia da Mondelēz Brasil para driblar a inflação do cacau e crescer com a Páscoa neste ano

Escala 6x1 no radar do varejo

Outro tema que acompanha o planejamento do setor é o debate sobre a possível mudança da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.

Jonas afirma que a rede já realiza simulações para entender como uma eventual transição para jornadas como a escala 5x2 poderia afetar a operação.

“Nós não somos contra a escala 5x2. Se ela vier a ser aprovada, a gente vai se adaptar”, diz.

Ao mesmo tempo, o executivo ressalta que o tema exige cuidado em setores que operam com atendimento contínuo.

“Ela não é uma mudança banal, porque mexe com atividades como o varejo, que muitas vezes funciona aos domingos ou até 24 horas”, afirma.

Veja também: Será o fim da escala 6x1 no Brasil? Varejistas, hotéis e até mineradoras já se movimentam

A injeção para acelerar o negócio em 2026

A companhia encerrou 2025 com R$ 16 bilhões em faturamento e crescimento nas vendas impulsionado pelo aumento da base de clientes e do ticket médio.

Para 2026, a estratégia combina execução comercial, expansão da rede e adaptação às mudanças do mercado.

“2026 é o ano da escala”, afirma o CEO.

A rede abriu 51 lojas no último ano e deve continuar ampliando sua presença no país, especialmente em regiões onde ainda há espaço para crescimento.

Para Jonas, o setor farmacêutico segue como um dos mais resilientes da economia.

“O varejo farmacêutico cresce de forma consistente há décadas e não será diferente neste ano”, afirma.

Veja também: Esperamos uma ‘Black Friday’ de 6 meses com a Copa do Mundo, diz CEO da Amazon Brasil

Acompanhe tudo sobre:Podcast De frente com CEOPodcastsPague MenosEscala de trabalhoOzempicDia do Consumidor

Mais de Negócios

Petrobras mira o agronegócio e investe US$ 1 bilhão em nova fábrica de fertilizante no MS

A corrida da Centauro: como a varejista quer acelerar rumo à Copa do Mundo

Com vendas em alta, motos chinesas ganham espaço na América Latina

'México me interessa, Venezuela é difícil', diz presidente da Petrobras