Flamengo lidera perdas com proibição das bets no patrocínio máster (Adriano Fontes/Flamengo)
Colaboradora
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 11h30.
Última atualização em 26 de setembro de 2026 às 11h32.
A medida provisória anunciada pelo governo Lula na tarde desta sexta-feira, 25, que proíbe a operação de casas de apostas no Brasil, deve provocar desdobramentos no futebol nacional: 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro têm patrocínio máster de bets, em contratos milionários.
A título de comparação, em 2025 as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value.A MP proíbe apostas esportivas e cassinos online, barra a publicidade das bets e obriga a devolução do dinheiro aos apostadores. O anúncio, feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ocorre a menos de dez dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, e em meio à preocupação do governo com o endividamento da população.
O processo seguirá um cronograma:
Segundo Durigan, as bets causam estão "gerando angústia, vergonha" às pessoas. Porém, para o futebol, a história é diferente.
Para os clubes, a proibição das casas de aposta online pode gerar um prejuízo milionário para os times da Série A do Brasileirão que têm acordos de patrocínio máster com as bets.
O Flamengo lidera os contratos de 2026, com R$ 268,5 milhões fixos por ano, seguido por Corinthians (R$ 150 milhões) e Palmeiras (R$ 100 milhões). São Paulo, Atlético-MG, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Vasco e Santos recebem entre R$ 35 milhões e R$ 90 milhões. Vitória (R$ 20 milhões), Remo (R$ 12 milhões) e Chapecoense (R$ 10 milhões) têm os menores valores.
Boa parte dos contratos ainda prevê bônus por título e desempenho esportivo — por exemplo, no caso do Palmeiras, há a possibilidade de até R$ 70 milhões extras, aumentando o total do clube para R$ 170 milhões anuais.
O caso mais peculiar é o do Grêmio: em meio à polêmica sobre a proibição, o clube fechou contrato com uma casa de apostas na última quarta-feira, 23, sem divulgar os valores. Dois dias antes, o Imortal já havia anunciado a Pitaco como nova patrocinadora máster.
Antes da medida provisória, no dia 17, um manifesto assinado por diversos clubes, intitulado "O Fim do Futebol Brasileiro", defendeu a manutenção do mercado regulado de apostas.
O texto argumentava que o investimento das empresas autorizadas "tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte" e que os recursos também chegam a "equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial".
Os clubes pediam o combate à ilegalidade e o fortalecimento da fiscalização, "sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado", e afirmaram que "se acabar o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é que acaba."
Depois da MP, os times voltaram a argumentar contra a proibição.
O Flamengo publicou nota defendendo a continuidade do mercado regulado, argumentando que empresas que passaram a operar legalmente fizeram investimentos e assumiram compromissos após a regulamentação do setor, e que uma mudança repentina afetaria a previsibilidade de contratos e investimentos.
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se… pic.twitter.com/RxK2nBe6S7
— Flamengo (@Flamengo) September 25, 2026
O Fluminense reconheceu preocupações com o endividamento e o vício em apostas, mas defendeu que eventuais mudanças considerem os contratos já firmados. O clube citou como exemplo o estoque de produtos com a marca da patrocinadora máster nas lojas oficiais e afirmou ter compromissos financeiros para os próximos anos atrelados às receitas do acordo.
O debate sobre a proibição das apostas é legítimo e não deve ser interditado. Há preocupações reais com endividamento e vício, mas qualquer decisão precisa considerar os seguintes pontos:
• Segurança jurídica e previsibilidade: empresas que cumpriram a regulamentação e… pic.twitter.com/HPsgSaciAC
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) September 25, 2026
O Grêmio, por sua vez, informou ao ge que vai aguardar os próximos desdobramentos da medida antes de definir o futuro do contrato fechado nesta semana, e que ainda precisa mensurar o impacto da decisão sobre as receitas da indústria do futebol.
*Com informações de O Globo