(ROBYN BECK/AFP/Getty Images)
Redatora
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 14h22.
Durante anos, os cargos mais valorizados do setor de tecnologia estiveram ligados ao domínio de código, e esse cenário começa a mudar. Em meio à expansão acelerada da inteligência artificial, empresas como Netflix, OpenAI e Anthropic passaram a pagar salários que chegam a US$ 775 mil por ano para profissionais que não escrevem uma linha de programação, mas sabem transformar tecnologia complexa em histórias compreensíveis.
A demanda crescente por especialistas em comunicação e storytelling revela uma virada estratégica voltada para entender que a IA é importante, mas saber explicá-la se tornou essencial para negócios, reputação e crescimento. As informações foram retiradas de Entrepreneur.
Os cargos mais disputados hoje no setor de tecnologia incluem funções como diretor de comunicação, chief communications officer e head de storytelling. Nessas posições, a responsabilidade central não é técnica, mas narrativa.
Os profissionais atuam na construção da forma como empresas de IA se apresentam a investidores, reguladores, clientes, funcionários e ao público em geral. O foco está em dar sentido, contexto e clareza a produtos e decisões baseadas em inteligência artificial.
Os salários refletem essa relevância. Enquanto a média de um diretor de comunicação nos Estados Unidos gira em torno de US$ 107 mil anuais, companhias de ponta oferecem pacotes entre US$ 200 mil e US$ 775 mil para liderar essa agenda estratégica.
O avanço da IA generativa inundou o mercado com conteúdos automatizados, repetitivos e de baixa qualidade. Nesse ambiente, a escrita humana, estratégica e bem editada passou a ter mais valor.
As empresas buscam profissionais capazes de traduzir pesquisas técnicas, modelos complexos e decisões algorítmicas em mensagens claras, confiáveis e alinhadas ao negócio. Não se trata apenas de comunicar — mas de construir entendimento e legitimidade.
Para isso, não é exigido conhecimento profundo em programação, e sim a capacidade de fazer as perguntas certas, compreender conceitos-chave de IA e explicá-los de forma acessível.
A valorização do storytelling abriu espaço para profissionais vindos do jornalismo. Segundo o Wall Street Journal, o número de vagas que mencionam a palavra “storyteller” dobrou entre 2024 e 2025 em plataformas como o LinkedIn.
Esse movimento atraiu centenas de candidatos para posições específicas. A fintech Chime, por exemplo, recebeu mais de 500 currículos para uma vaga de direção editorial e storytelling — a maioria de jornalistas experientes.
Quem sabe apurar, escrever, editar e contextualizar informações complexas ganha vantagem em um mercado dominado por IA.
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