Não é só o Reino Unido: Portugal e França também têm vistos que brasileiros podem aplicar

Governo britânico anunciou novo visto que permite que profissionais graduados em universidades de elite morem e trabalhem no país, mas outros países da Europa também flexibilizaram entrada de estrangeiro
Tower Brigde, em Londres: Reino Unido criou novo visto para estudantes graduados em universidade de elite (Richard Heathcote/Getty Images)
Tower Brigde, em Londres: Reino Unido criou novo visto para estudantes graduados em universidade de elite (Richard Heathcote/Getty Images)
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Luciana Lima

Publicado em 11/06/2022 às 11:00.

Última atualização em 13/06/2022 às 11:20.

Recentemente, o Reino Unido lançou um novo visto, o 'high potential individual", ou, em tradução livre, indivíduos de alto potencial que permite que profissionais graduados em universidades de elite solicitem um visto para morar e trabalhar no país.

Um dos diferenciais do novo visto é que, ao contrário dos existentes anteriormente, o visto de high potential dispensa a exigência de oferta de emprego de uma empresa no Reino Unido. Para aqueles que tiverem um bacharelado ou doutorado em uma das universidades da lista, o visto tem duração de dois anos.

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Já para aqueles que tiverem uma qualificação equivalente ao doutorado, a permissão aumenta para três anos. Os aprovados também estarão autorizados a levar o parceiro e filhos menores de 18 anos.

Para se candidatar, os interessados devem ter se formado nos últimos cinco anos em uma das instituições listadas como top 50 em pelo menos dois dos seguintes sistemas de qualificação: Times Higher Education World University Rankings, Quacquarelli Symonds World University Rankings e The Academic Ranking of World Universities.

A lista das universidades elegíveis nos últimos cinco anos pode ser conferida no site de governo britânico. Porém, há pouca variação desde 2016 e, além de não contar com nenhuma universidade latino-americana, metade da seleção é composta majoritamente por instituições de elite dos Estados Unidos, como Harvard, Yale, Stanford, Columbia e MIT.

Contudo, como o visto independe da origem de quem está aplicando, uma parcela dos brasileiros pode obter a autorização. De acordo com o relatório "Open Doors 2021", existem cerca de 14 mil brasileiros estudando em universidades dos EUA e Canadá e que poderiam estar elegíveis ao visto.

A nova autorização faz parte de um programa criado pelo governo do Reino Unido pós-Brexit, que visa atrair talentos de todo mundo para o país. Ele ainda prevê lançar, em agosto deste ano, um outro visto voltado para profissionais de alto nível que tenham um empregador no país.

"Por trás dessa iniciativa está uma necessidade de vários países de suprir a escassez de mão de obra qualificada nas carreiras de Engenharia, Ciência, Matemática e Tecnologia", diz Diana Quintas, CEO da Fragomen, consultoria de imigração.

"Antes ouvíamos falar do Canadá e Austrália que tinham esse necessidade de atrair profissionais qualificados, mas não tanto da Europa e Estados Unidos, algo que mudou nos últimos anos", completa.

Portugal e França

Mas o Reino Unido não é o único país da Europa a flexibilizar a entrada de alguns grupos de profissionais, algo que pode beneficiar brasileiros interessados em morar fora do país.

Ainda em 2018, Portugal criou o Tech Visa, programa que prevê a concessão de vistos para trabalhadores, principalmente das áreas técnicas e de tecnologia que tenham um empregador português.

Quem for contratado por uma empresa que faz parte do programa Tech Visa de Portugal fica dispensado da necessidade de agendar o visto presencialmente e precisa apenas apresentar um termo de responsabilidade junto ao consulado português.

A lista de empresas credenciadas está disponível no site do programa. Como requisito, além do empregador português, os candidatos também precisam ter curso superior ou técnico e experiência de cinco anos na atividade em questão.

Já a França vem adotando uma política de incentivo às startups e empreendedores. Para facilitar a contratação de estrangeiros por empresas francesas e incentivar o empreendedorismo, em 2017, o governo francês lançou o French Tech Visa.

Podem se candidatar profissionais interessados em empreender na França, que sejam graduados ou tenham cinco anos de carreira, e provem um investimento de 30 mil euros em um negócio inovador.

Ou aqueles que invistam 300 mil euros em ativos fixos ou não na França, valendo investimentos pessoais ou empresas. A validade de cada visto varia entre um e quatro anos, com possibilidade de renovação. Além de dispensarem um empregador, os vistos também incluem autorização de trabalho.

"Se você for um profissional de tecnologia, com certeza, já saí na frente. Mas o fato é que os países estão mais abertos, lutando a falta de mão de obra. Mesmo que seja mais limitado, terá algum com um visto para chamar de seu", diz Diana.

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