Carreira

Liderada por 4 mulheres, Fugini expande no Brasil e investe R$ 11 mi em novo centro de distribuição

A empresa é familiar desde a sua origem e dobrou o faturamento desde a pandemia

Marina Abrahão, Cristina Fugita, Giulia Ninelli e Raissa Ninelli, diretoras da Fugini  (Fugini )

Marina Abrahão, Cristina Fugita, Giulia Ninelli e Raissa Ninelli, diretoras da Fugini (Fugini )

Publicado em 2 de maio de 2024 às 07h20.

Última atualização em 2 de maio de 2024 às 10h41.

Tudo sobreMulheres executivas
Saiba mais

No universo corporativo em que apenas 6% dos CEOs são mulheres no mundo - sendo que no Brasil o número cai para 2,4% -, uma empresa no interior paulista está estimulando a jornada das mulheres até o topo com 4 mulheres liderando uma companhia.

Cristina Fugita, Giulia Ninelli, Raissa Ninelli e Marina Abrahão são as diretoras da Fugini Alimentos, empresa de atomatados e vegetais criada na década de 90 pelo brasileiro Kogi Fugita, e que neste ano está com um novo plano de expansão: Estamos prevendo um investimento de R$ 11 milhões para um novo centro de distribuição em Maceió”, afirma Cristina Fugita, filha do fundador Kogi Fugita, que adianta que a inauguração será dentro de 60 dias.

A empresa que nasceu em 1996 como um negócio familiar segue a tradição até hoje. Em 1998 a advogada Cristina Fugita começou a trabalhar com o pai Kogi Fugita.

“Vim para a gestão da companhia a convite do meu pai. Sou advogada por formação e fiz uma transição de carreira para seguir com os negócios da família, tanto que tive que estudar gestão de empresa e de início acompanhar meus pais nas reuniões para entender como funcionava o mundo corporativo.”

Pouco mais de uma década depois chegaram à direção a advogada Raissa Ninelli e a administradora Giulia Ninelli representando os 50% da companhia que pertence ao pai Auro Ninelli, que se tornou sócio da Fugini em 2002.

Raissa chegou na direção em 2010 e une o conhecimento jurídico com a especialidade em nutrição e alimentação saudável conquistada em uma pós-graduação na PUC. "Sou apaixonada por nutrição, alimentação saudável e empreendedorismo", diz a executiva que aceitou o cargo para liderar a estratégia de varejo.

Já a irmã Giulia, formada em administração, chegou a empresa em 2017, com foco em planejamento, liderança e estratégia e chegou na gestão da Fugini em 2017. "Meu objetivo é contribuir para o crescimento e a inovação da Fugini Alimentos, alinhando a visão, a missão e os valores da empresa com as necessidades e as preferências dos consumidores", diz.

Para fechar o time de executivas, Marina Abrahão é a mais nova das diretoras – como filha de Cristina Fugita, ela deixou a formação de moda de lado e investiu em estudos sobre sustentabilidade global nos EUA para manter o legado dos negócios criado pelo avô.

“Além da minha formação em moda, que é uma área que pode ir muito além de desenhar roupas, tenho formação em Global Sustainability pela University of South Florida. Agora, mais madura, entendo que posso usar todo o meu conhecimento e anseios na Fugini. Acredito que tenho habilidades e vontades aguçadas para dar continuidade nesta história de perseverança e idealismo da minha mãe e avô”, afirma Abrahão, neta de Kogi Fugita, que chegou à direção da empresa em 2022.

A sociedade que gerou uma nova gestão familiar

A Fugini Alimentos que conhecemos hoje nasceu com o nome de Fugita, sobrenome do fundador. Desde os anos 90 a indústria vendia goiabada para a CICA (na época marca da Unilever), mas em 2002 se transformou na Fugini após o contrato com a Unilever acabar e chegar o executivo Auro Ninelli como novo sócio da companhia.

“Auro Ninelli, era sócio de uma fábrica de molhos e doces do interior paulista e foi dele a ideia de produzir molho de tomate em lata abre fácil e depois vendidos em sachês, que hoje é um dos nossos principais produtos”, afirma a diretora que informa que a companhia reduziu 30% o custo com o modelo sachê. “Não é só na compra do material, mas o custo com a embalagem também pesa na questão logística”.

O negócio que contava com duas famílias na gestão (Fugita e Ninelli) acabou expandindo. Em 2010, foi inaugurada a fábrica em Cristalina, no interior de Goiás, numa região que produz muito milho, ervilha e grão-de-bico. “Passamos então a vender em conserva esses produtos e a chegar mais rápido na região Norte e Nordeste, além do Centro-Oeste,” diz Fugita.

Há 10 anos o fundador Kogi Fugita deixou a vida corporativa da Fugini, para viver de hobbies e viagens, mas mesmo longe, continua de olho nos negócios. “Tanto meu pai quanto o Auro agora estão como conselheiros da companhia, que hoje segue com uma gestão formada 100% por mulheres”.

Onde estão as mulheres da Fugini?

Além da direção, atualmente a Fugini conta com a liderança feminina nas seguintes áreas: logística, qualidade, gerência de operações, contabilidade, financeiro, SAC, RH, operações, comercial e financeiro. “Já somamos 30% dos cargos de gestão ocupados por mulheres”, diz Fugita que afirma que o movimento foi algo natural e segue sem metas.

“Não temos uma meta para gênero na companhia, foi um avanço natural. Todas que estão na liderança são pratas da casa, ou seja, cresceram com a gente e se prepararam para esses cargos. A gerente de vendas, por exemplo, trabalhava na produção há 20 anos”, afirma a diretora.

Bônus, 14º salário e formação de líderes

Além do movimento orgânico das mulheres na liderança, a companhia está apostando na formação dos atuais líderes, tanto que neste ano montaram um treinamento com a Fundação Dom Cabral para qualificar sua liderança sobre novas perspectivas de gestão.

Outro benefício diferente é um bônus que foi criado na época da pandemia. “Demos um vale adicional de 350 reais por mês para ajudar os funcionários, afinal a produção não parou na pandemia. Foi uma forma que encontramos de ajudar os nossos funcionários e sua família, afinal, muitos parentes perderam seus empregos”.

Acabando a pandemia, a companhia teve a ideia de ao invés de tirar o bônus, usá-lo para engajar os funcionários. “Foi então que atrelamos esse vale a alguns objetivos internos, como redução de atestados e estímulo a produtividade”, diz Fugita. “Com isso entregamos esse bônus todo mês que atingimos a nossa meta. No ano passado, por exemplo, conseguimos entregar esse bônus em 8 meses”, afirma Fugita que lembra que a companhia também oferece o 14º salário há dois anos.

Sobre os processos de qualidade

Em março do último ano, a Anvisa suspendeu por um período de mais de 10 dias a fabricação e venda de alimentos da marca, após ser identificada à presença de urucum vencido em um lote de maionese.. O episódio fez com que a companhia reforçasse os seus procedimentos e treinamentos com os times.

“Buscamos pela excelência operacional a todo instante, mas a base de tudo está nas pessoas e depois nos processos, por isso investimos em reestruturação e incremento de talentos na área de gestão de qualidade; na formação de mais de 50 auditores internos multidisciplinar, compramos novos equipamentos que foram espalhados pelos vários laboratórios para análise de embalagem e estamos investindo na aplicação de IA e plataformas voltadas para área de qualidade, produção, SAC e ambiental; tudo isso para promover a melhoria contínua de nossos processos”, afirma a diretora Fugita.

O estabelecimento foi considerado apto para retomar a fabricação de seus produtos na unidade de Monte Alto em 11 de abril de 2023, mas ficou proibida a distribuição, comercialização e uso dos produtos acabados em estoque da empresa fabricados até o dia 27/03/2023. "Por não ter sido encontrada nenhuma falha na produção, o estabelecimento foi considerado apto para retomar a fabricação", afirma Fugita.

Os planos de expansão

Com duas fábricas, uma em Monte Alto, SP, e outra em Cristalina, GO, a Fugini segue com um time de mais de 6 mil funcionários e busca expansão dos negócios este ano.

Estamos prevendo um investimento de R$ 11 milhões para um novo centro de distribuição em Maceió”, afirma Fugita que vê um potencial de crescimento no Nordeste. “O espaço é alugado e deve ser inaugurado dentro de 60 dias.”

Hoje a maior parte dos produtos da Fugini que vão para o Nordeste saem da planta de Goiás. Enquanto isso, a fábrica de Monte Alto distribui para Sul e Sudeste, que é o maior mercado, segundo Fugita, que não pensa em levar a companhia para outro país. “Por enquanto não pensamos em ir para fora. O nosso foco é aqui no Brasil, temos muito espaço para conquistar aqui”, diz. “Com o novo CD, a ideia é reduzir o tempo de entrega e o valor do frete no Nordeste em pelo menos em 4 ou 5 dias.”

A diretora não abriu os dados do faturamento, mas afirma que de 2019 para 2023 o faturamento da companhia cresceu em 120%. “Temos a expectativa de crescer 8,7% em 2024”, diz Fugita que afirma que tem irmãos, mas ela foi a única que decidiu seguir com a gestão do negócio.

“Ainda são poucas mulheres que atuam no agro e estou tentando quebrar esse estigma há mais de 20 anos”, diz. “Eu e meus irmãos somos todos sócios, mas sou eu que estou a frente representando a família”.

Apesar de ser um grande desafio separar família e negócios, o legado é algo que Fugita valoriza. “Eu e as minhas sócias estamos fazendo essa transição na direção de forma bem planejada e ter o apoio dos nossos pais nos traz muito empoderamento”, diz Fugita. “Hoje o mundo mudou com a tecnologia, o que para eles é mais complicado, mas os valores é algo que aprendemos com eles e que sempre estarão conosco, porque foram eles que nos trouxeram até aqui e nos guiam até hoje.”

Quer dicas para decolar o seu negócio? Receba informações exclusivas de empreendedorismo diretamente no seu WhatsApp. Participe já do canal EXAME Empreenda

Acompanhe tudo sobre:Mulheres executivasEmpreendedoresEmpresas familiares

Mais de Carreira

O que é quiet vacationing? Trabalhadores têm tirado folgas 'escondidas'

Dia Mundial do Refugiado: O que podemos aprender com os que chegam?

Quais são os jargões mais utilizados no mundo corporativo?

O que o estagiário recebe quando acaba o contrato?

Mais na Exame