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Disparada dos custos de financiamento pressiona empresas dos EUA

Com o Treasury no maior nível desde 2002, refinanciar exige mais planejamento e menos otimismo

Publicado em 8 de outubro de 2026 às 15h39.

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Nos Estados Unidos, o custo de financiamento das empresas com as piores notas de crédito chegou a 17% em outubro, o maior nível desde maio de 2020, segundo o Financial Times. A alta acompanha a onda de vendas de títulos do governo americano. No dia 7, ela levou o rendimento do Treasury de dez anos para acima de 5,35%, patamar que não se via desde 2002, segundo a Forbes.

O recado vai além de Wall Street. Quando a maior economia do mundo passa a pagar mais para se financiar, o custo de capital sobe em todos os mercados, e as empresas que precisam refinanciar dívida nos próximos meses têm menos espaço para errar.

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O que sustenta a alta dos juros americanos

A pressão vem de várias frentes. A inflação ao consumidor nos EUA subiu 3,4% em 12 meses até agosto, puxada por uma alta de 16,3% na energia. Em 16 de setembro, o Federal Reserve elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4%. Segundo o Financial Times, o mercado futuro aposta em mais três ou quatro altas até o início de 2028.

O tamanho da dívida pública também pesa. O Escritório de Orçamento do Congresso americano projeta um déficit de US$ 1,9 trilhão no ano fiscal de 2026, o equivalente a 5,8% do PIB. Com mais títulos à venda, os investidores passaram a exigir um prêmio maior para emprestar por prazos longos.

Quem sente primeiro o encarecimento do crédito

As primeiras afetadas são as empresas mais frágeis. O prêmio de risco das companhias com nota triplo C ou abaixo subiu para 12 pontos percentuais, o maior desde 2022. Analistas ouvidos pelo Financial Times apontam como mais expostas as empresas com dívida a taxa flutuante e as que precisam refinanciar nos próximos meses.

O efeito já aparece nas emissões. O Bank of America reduziu de US$ 160 bilhões para US$ 110 bilhões sua previsão de dívida corporativa com grau de investimento a ser emitida em outubro. 

Na captação de US$ 52 bilhões da Paramount Skydance para comprar a Warner Bros Discovery, a demanda pelos títulos de dois anos foi quase o dobro da registrada pelos de 30 anos. Os papéis de prazo mais longo caíram logo depois da estreia.

A troca de prazo por flexibilidade

A reação dos diretores financeiros tem sido encurtar os prazos. A ideia é emitir dívida mais curta agora e refinanciar mais à frente, se as taxas caírem.

A McCormick, que prepara a fusão com a divisão de alimentos da Unilever, disse a investidores que está revendo moedas, prazos e a proporção entre taxas fixas e flutuantes da dívida que pretende emitir

Essa escolha tem custo. A dívida curta reduz o compromisso com juros altos hoje, mas aumenta a dependência de que o mercado esteja aberto, e mais barato, no próximo vencimento.

O muro de vencimentos até 2030

A preocupação maior está nos próximos anos. A Moody’s estima que US$ 1,45 trilhão em dívida corporativa americana com grau de investimento vence entre 2026 e 2030, um volume recorde. Boa parte desses papéis foi emitida no início da década, com juros perto de zero.

Conduzido por Jorge Louzada, ex-CIO da CAIXA Asset, com experiência em reestruturação de dívida de ativos estressados, o FECC aproxima o conselho das decisões de financiamento. Saiba mais

Uma exceção tem chamado atenção: as empresas ligadas à inteligência artificial. Elas continuam captando porque, para elas, a urgência de construir centros de dados pesa mais do que um ou dois pontos percentuais a mais no custo da dívida.

O reflexo no mercado brasileiro

No mesmo 16 de setembro em que o Fed subiu os juros, o Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano. Com os juros americanos subindo e os brasileiros caindo, a diferença entre as duas taxas diminui. Essa diferença costuma influenciar o câmbio, o apetite do investidor estrangeiro e o ritmo dos próximos cortes por aqui.

O mercado de capitais local segue ativo, mas a forma de captar está mudando. Até agosto, as emissões domésticas somaram cerca de R$ 485 bilhões, alta de 7,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Anbima. 

Em agosto, porém, as debêntures recuaram 35,2% em relação a julho, enquanto os FIDCs mais que dobraram. Do lado das empresas endividadas, o quadro já é de pressão. De janeiro a maio, foram 346 pedidos de recuperação judicial no país, segundo a Serasa Experian.

Quatro perguntas para a próxima reunião do conselho

  • Quanto da nossa dívida vence nos próximos 24 meses, e qual seria o custo de rolá-la hoje?
  • Qual parcela está atrelada a taxa flutuante, e qual o efeito de mais um ponto percentual de juros no resultado?
  • O cronograma de investimentos se sustenta se o custo de capital ficar alto até 2028?
  • Temos fontes de financiamento alternativas prontas, ou dependemos de uma única janela de mercado?

O risco começa quando a rentabilidade das empresas não cresce no mesmo ritmo do custo da dívida. Nessas condições, a estrutura de capital passa a ser decisão de conselho, e não apenas de tesouraria.

Do cenário macroeconômico ao mercado de derivativos, o programa reúne em oito módulos os temas que hoje chegam à pauta dos conselhos. Veja a estrutura do curso

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