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Se tudo é questão de hábito, habitue-se a fazer o melhor

Responda rápido: qual é a primeira ação que você executa logo que abre os olhos ao acordar?

Por Emannuelle Junqueira*

Independentemente de sua resposta, sabemos o que é um hábito — algo que se faz sem que o nosso cérebro tome uma decisão consciente, envolvendo uma série de fatores para considerar. Boa parte de nossa rotina é tomada por hábitos — cerca de 40%, segundo um estudo da Duke University.

A verdade é que não há dúvidas de que boa parte de tudo que fazemos é uma questão de hábito: são milissegundos entre o pensar e o fazer. Passei a observar tudo com mais cuidado depois de me tornar adepta da ioga. Hoje, um hábito: meu corpo está condicionado e me pede para ter o momento das práticas que adotei. Já passei pelo processo de ter de me lembrar de praticar — a ioga já é algo presente no meu existir.

Isso começa com a disciplina, já que o cérebro humano tem a capacidade incrível de adotar novos hábitos e esquecer antigos, de criar novas correntes de pensamento e deixar de lado o que já não faz mais sentido.

Não é de hoje que o cultivo de hábitos — ou uma série de processos e ações que ocorrem automaticamente —, vindo do meio militar, é inspiração para a gestão de empresas. Gerenciar negócios é uma delicada batalha, principalmente em um país como o Brasil, onde a burocracia impera e fazer o correto às vezes é muito mais difícil do que o errado.

O que me faz refletir nesse ponto é justamente o fato de que o uso de ensinamentos militares altamente treinados é que, apesar de comprovado o sucesso em diversas iniciativas, nem sempre paramos para entender o motivo pelos quais essas técnicas são tão bem-sucedidas. E é aí que retornamos ao hábito: para um militar extremamente capacitado, suas ações e reações em um campo de batalha nada mais são do que costumes e respostas praticadas à exaustão até se tornarem automáticas e, com isso, eles são condicionados a responder a ameaças e à tomada de decisão de forma extremamente rápida — os tais milissegundos.

Tudo é hábito: nossa memória depende deles, nossa rotina, as mudanças que queremos proporcionar em nossa vida. Estamos todos com os sentimentos no mesmo looping que nos dispara um gatilho, incentivando uma ação e finalizando com uma recompensa, fixando-se no cérebro como algo inerente à nossa existência.

Nos conectamos às pessoas e à vida da forma como nos habituamos a fazer. E em tempos líquidos, onde nada é perene e tudo é superficial, as conexões profundas e reais, que exigem trabalho, acabam ficando de lado.

Minha questão é que, se podemos mudar nossos hábitos para inserir, por exemplo, ações mais saudáveis e que nos fazem bem fisicamente, também podemos mudar nossos hábitos de conexão. Por que não o fazemos? Me diga você.

Um dos mais renomados e especializados doutores em memória do mundo, integrante do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas do MIT, Larry Squire, passou anos estudando a memória e a formação dos hábitos. Para ele, o mais fascinante é perceber “quanto a vida pode ser rica, mesmo quando você não se lembra dela”.

Não é porque não pensamos de forma consciente que as conexões não acontecem em nossa vida. Porém, estamos prontos para elas? Nos conectar de forma superficial, manter relacionamentos etéreos e pouco significativos, tudo isso é fácil.

Coragem mesmo, é ter espaço para criar o hábito da conexão real. De buscar se relacionar com pessoas que tenham as mesmas vontades e propósito e, ainda assim, sejam diferentes de você. Semelhanças com um quê de diferença: pessoas que se habituaram a crescer com outras. Pessoas-epífitas — como as orquídeas que se prendem às árvores, mas só para manter suas raízes bem fixadas. A água, melhor consumir pelas folhas. Elas não se aproveitam de outras plantas, e sim do suporte que elas podem dar.

Conexão com quem quer mudar o mundo como você. Quer ajudar. Colaborar para o desenvolvimento de quem está no entorno. Crescer e aprender com quem está em volta.

Em 2021, essa foi minha lição que, espero, ao dividir nesta coluna, possa ser útil para os outros. Em 2021, tomei as rédeas da minha vida. Assumi controle do que me faz bem. Adotei novos hábitos. Refinei antigos. Apaguei outros muitos que, por mais que não parecessem, não eram bons para mim.

Assim como grandes companhias que se aproveitam do conhecimento adquirido por meio de estudos da neurociência por trás dos hábitos, quero tirar proveito do meu cérebro para que, com seu talento inato de repetir o que me habituo a fazer, eu possa criar as melhores relações e memórias que puder.

Que nos habituemos, neste ano, a fazer o certo. A tomar as atitudes corretas. A considerar e a exigir consideração. Que seja hábito buscar a profundidade das conexões. A verdade, o genuíno interesse pelo outro e pelo que ele pode ensinar. Como todo hábito, ele precisa ser praticado até que se torne automático.

Já sabemos que somos altamente capazes de fazer tudo no automático. Que revisitemos, então, as ações automáticas para que elas tenham, acima de tudo, qualidade.

Para que a gente não precise pensar duas vezes antes de adotar o que for melhor para nós mesmos. A cada dia, vamos nos lembrar de buscar a felicidade e fazer dessa busca, sim, um hábito. Em tudo que fazemos, em tudo que decidirmos.

Um dia, poderemos esquecer. Mas a ciência já nos mostrou que o cérebro tem uma espantosa capacidade de encontrar os momentos mais felizes e intensos, mesmo quando a memória deles não estão mais ali.

Façamos do amor que colocamos nas nossas conexões uma prática diária. Em tudo que nos envolve, em tudo no que nos envolvemos. Quando nos dermos conta, esse sentimento que move nossas vontades e forças de conexão estará entranhado nos nossos dias. Será apenas uma questão de hábito.

*Emannuelle Junqueira é diretora criativa da marca que leva seu nome, designer, empreendedora e apresentadora do Prova de Noiva no Discovery H&H

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