Puma ou ocapi: o que sabemos sobre habilidades necessárias no pós-covid?

Empresas não reconhecem que competências têm em sua própria força de trabalho

Por Bia Magalhães e Raquel Mello

A vacinação em massa avança em alguns países, rotinas são retomadas, fogos de artifício iluminam os céus da gigante Nova York, os israelenses suspendem o uso das máscaras para anunciar: voltamos!

No Brasil, embora ainda estejamos avançando em ritmo menor do que gostaríamos, não deveríamos estar nos perguntando: em que bases se dará nosso retorno, não para fora, mas dentro de casa?

Na interface externa, a resposta das organizações tem sido clara e tem sido acelerada nos últimos 15 meses: mais e mais intensivo uso de tecnologias de informação e comunicação. Big data, inteligência de negócios, inteligência artificial, hibridismo entre o mundo físico e o mundo digital, mais conectividade. Para fora, já sabemos como – ainda que ainda não saibamos quando.

Mas o que temos pensado para dentro das organizações? Que habilidades vamos precisar para voltar? Essas são perguntas que podem definir o futuro de muitos negócios, em muitas e diferentes áreas. Aqui também já sabemos como: gente. Mas o quê?

Pesquisa global da consultoria Mercer com 7.300 executivos de RH e funcionários em 44 países, mostra que mais da metade desses entrevistados (53%) identificam novas competências necessárias para suas operações após a pandemia. Mas estamos todos atrasados: o mesmo levantamento aponta que somente 14% desses executivos realmente implementaram estratégias de talentos baseadas em competências, como o pagamento por habilidades ou uma estrutura de competências.

É como pisar em Júpiter: dois em cada cinco líderes de RH reconhecem que não sabem quais competências têm na força de trabalho das organizações onde atuam.

O convite, então, é para que as organizações abracem técnicas de comunicação interna para pensar o que aprenderam com a pandemia do covid-19? Em que áreas as pessoas precisaram ser capacitadas, no que foi preciso mexer para fazer circular a informação, ganhar produtividade, gerar competitividade? Eis aí o mapa de onde estão os gargalos, no que precisou ser harmonizado na eclosão da pandemia e nos meses que se seguiram. As adaptações foram feitas com o objetivo “de resolver um problema conjuntural” ou foram feitas de forma sustentável? O que deve ficar, o que deve se perder e o que precisa ser melhorado?

Quando atuamos com comunicação interna, sabemos que as respostas estão com os funcionários dessas próprias organizações, ainda que, na superfície, possa parecer que eles não as conhecem. Simplesmente ainda não tiveram a possibilidade de formular o que vem – e veem – pela frente.

Cada um de nós experimentou respostas nos últimos 15 meses: mais trabalho em equipe, mais produtividade com flexibilidade de horários, sobrecarga de tarefas, bons resultados graças a equipes em formato agile, com menos hierarquia e mais foco, mais oportunidades de capacitação. Que lições aprendemos? E o que vamos aprender com tais lições daqui pra frente? É preciso escutar, anotar, investigar, descobrir.

Se, para fora, a pandemia do covid-19 nos empurrou de 2019 para 2025, como formulou o professor emérito Silvio Meira, e fomos capazes de pular como um puma, o que acumulamos de saber dentro das organizações? Saltamos como um felino ou apenas nos disfarçamos de ocapi, esse bicho estranho com pinta de girafa com zebra e língua de tamanduá? No mundo pós-covid, o que precisaremos saber e fazer para seguirmos?

São perguntas urgentes. O futuro das organizações depende dessas respostas. #ficaadica: elas moram dentro do que vivemos nesses últimos 15 meses, moram em nós.

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