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Por Denis Zanini Lima e Kelly Pinheiro*

Sem dúvidas, um dos principais assuntos dos últimos tempos, que ultrapassou o mundo da tecnologia, foi o ChatGPT.

A ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) foi apresentada para a maioria de nós como capaz de coisas incríveis e até aqui exclusivas de seres humanos.

Já se fala sobre o futuro do jornalismo, do marketing e da comunicação, além de diversas outras profissões e áreas de atuação. Tão fascinante como assustador!

O debate proposto aqui não é para crucificar ou não as novas tecnologias. Inovação é fantástico e essencial para a evolução. A grande questão são os usuários.

Muito já se discutiu e ainda vai ser debatido sobre a obsolescência humana e o valor da criação a partir disso. Entende-se que essa, como boa parte das tecnologias inventadas desde sempre, acabam por massificar a produção, deixando tudo meio parecido.

É justamente desta forma, com a criação de padrões, que se reduzem os custos e, em algum momento, tendem a democratizar o acesso a um determinado bem ou serviço.

Aqui está a armadilha para marcas, empresas e serviços que querem se destacar diante de um mercado tão competitivo: todos serão iguais. O famoso mais do mesmo.

Onde vai parar a autenticidade? Este quesito, tão primordial, será deixado de lado?

Outro dia, fomos apresentados a um programa que “constrói” vozes para narração. Se você tem um texto que precisa ser narrado, pode escolher o timbre, a velocidade, a entonação e está pronto. Mas seria possível esse programa improvisar?

Ainda que a inteligência artificial seja abastecida com todas as vozes dos maiores narradores do mundo, seria capaz de narrar a emoção de um gol (no melhor estilo Galvão Bueno) feito nos últimos minutos por aquele jogador desacreditado, de um time pequeno, que ganha o campeonato sobre o maior time do país?

Para nós, o diferencial, a personalização e o exclusivo continuará sendo humano. E não adianta brigar contra a tecnologia. Uma vez desenvolvida, ela não volta para a gaveta.

No princípio da Revolução Industrial, os ludistas quebraram as máquinas a vapor e o resto da história você já sabe. É nítido que estamos diante da maior revolução tecnológica dos últimos tempos – ousamos dizer, sem medo de errar, que a mais importante do século.

Mas nesse maravilhoso mundo da IA, com tantos programas e ferramentas gratuitas, o que também precisamos perguntar é: a que preço?

Já sabemos que não existe almoço grátis, muito menos tecnologia de ponta. Então, a que preço tudo isso é oferecido?

Com o atendimento a diversos clientes da área de tecnologia nos últimos anos e, ainda nos considerando leigos no assunto, arriscamos dizer que a resposta é óbvia: nossos dados.

Então, sendo os “chatos do rolê” (expressão bem paulistana), por que os nossos dados valem tanto esforço?

Já imaginou o tamanho e a expertise de uma equipe capaz de criar coisas como o ChatGPT?

Aqui vai outro ponto de reflexão: não podemos nos enganar, pensando que é só para refinar estratégias de growth (crescimento digital) e, no fim das contas, nos vender cursos, e-books, gadgets e demais bugigangas variadas!

Também não podemos e nem queremos dizer para você não usar a tecnologia, até porque somos totalmente a favor da inovação e, cá entre nós, não adianta relutar.

Nós mesmos já baixamos o plugin e fizemos cursos para utilizá-la da melhor forma. Mas é importante enxergar tais ferramentas como suporte ao trabalho, capazes de potencializar a produtividade e garantir agilidade.

Não cair na armadilha da massificação, que transforma todos os conteúdos em produtos da mesma receita de bolo.

Pense e desconfie.

Leia, releia, edite e revise quantas vezes forem necessárias.

E seja aberto ao novo, aprenda e evolua, sem perder a nossa principal característica: o poder de humanizar e improvisar, como só uma PESSOA consegue desenvolver.

*Denis Zanini Lima é diretor da Ynusitado Marketing Digital Intelligence e Kelly Pinheiro é jornalista e fundadora e sócio-diretora da Mclair Comunicação

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