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Por Julia Alcassa*

Vivemos um momento na comunicação em que pelo menos três gerações se encontram no universo das redes sociais. Se antes era exclusividade dos mais jovens, modernos ou com mais oportunidade de acesso à Internet saber das novidades online, hoje, seus avós mandam mensagens no Whatsapp, entendem memes e, às vezes, sabem das novidades antes de você, inclusive, sobre as redes sociais mais discutidas no ano.

Pensando nisso, venho aqui refletir sobre a importância da presença de marcas nas redes sociais, em um ambiente que, ao mesmo tempo que é plural e diverso, também é orquestrado para que permaneçamos em bolhas de interesse. O primeiro passo é entender que, para ser relevante neste ambiente, torna-se necessário aceitar a imprevisibilidade do jogo. As regras se alteram constantemente e as conversas mudam a todo momento – o que permanece diante de tudo isso é o senso de comunidade.

E o que o Threads tem a ver com isso?

Por exemplo, o Threads, lançado recentemente, alcançou 10 milhões de usuários em apenas sete horas, fato inédito dentre todos os seus antecessores. Porém, o acesso diário, que chegou a atingir o número de 44 milhões, registrou apenas 8 milhões em 31 de julho, segundo a plataforma Senso Tower, o que nos faz refletir que manter é mais difícil do que criar. Afinal, qual é a oferta que o Threads está fazendo para competir pelo tempo dos usuários? Como foi que a nova rede de Zuckerberg não conseguiu manter o interesse e criar um sentimento de pertencimento daquelas milhões de pessoas que acessaram a plataforma quase que instantaneamente ao seu lançamento?

Já a rede social ao lado…

Enquanto isso, o (polêmico) X, desde que mudou oficialmente de nome, em 24 de julho, teve 78% das novas avaliações com apenas 1 estrela, de acordo a Sensor Tower, em protesto às mudanças na marca e nas funcionalidades da plataforma – como limitação à quantidade de conteúdo consumido. Em contrapartida, não há evidências que mostrem tendência ao abandono da rede. O que levanta outra questão: por qual motivo as pessoas mantêm suas contas ativas no X mesmo insatisfeitas?

A minha aposta é que, da mesma forma que temos personalidades diferentes para falar com nossos amigos, familiares e pessoas no trabalho, cada perfil em rede social desperta uma versão diferente de nós mesmos. E o antigo Twitter sempre foi conhecido por ser uma rede de early adopters, que ditam tendências e onde a maior parte dos debates ainda nascem lá, apesar da ascensão do TikTok. A comunidade criada é maior do que a plataforma, e, apesar das últimas mudanças, migrar do X para o Threads parece não estar nos planos dos usuários.

Quais os ensinamentos para as marcas?

O aprendizado dessa reflexão é que é inteligente para as marcas concentrarem seus esforços em serem membros reais das comunidades que as interessam. Dessa forma, a fidelidade, o espaço criado e as conversas serão fortes o bastante para transitar entre as mudanças deste universo inconstante.

Também é importante conhecer seu público: para criar uma plataforma, é necessário entender se há espaço para ela na rotina das pessoas e qual seria a sua funcionalidade considerando as demais já estabelecidas – uma vez que cada rede social tem sua função específica para o usuário. De acordo com o estudo Digital 2023 Global Overview Report, 71,1% dos usuários utilizam o Facebook para trocar mensagens com família e amigos, enquanto 67,9% dizem usar o Instagram para postar ou compartilhar fotos e vídeos, apesar de ambas serem da Meta. Quanto ao Twitter/X, 61,2% das pessoas que o usam dizem acessar a rede para manterem-se atualizadas com notícias e eventos da atualidade.

Diante disso e para o restante de 2023, vale as marcas estarem atentas aos comportamentos destas duas redes sociais – e de seus usuários - e buscarem tirar aprendizado daquilo que não se deve fazer, principalmente, na hora de promover um rebranding ou lançar uma nova linha de produtos. Afinal, ninguém quer investir tempo e dinheiro, desgastar a marca e, por fim, se tornar algo que ninguém lembra mais. Aproveitando, alguém aqui ainda usa o Be Real?

*Julia Alcassa é gerente de conteúdo da Jüssi

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