Cila Schulman: “O dia da eleição tem sido cada vez mais complexo, e isso causa frustração no eleitor” (Leandro Fonseca/Exame)
Colaboradora
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 15h55.
Última atualização em 25 de outubro de 2026 às 16h04.
A CEO do Ideia Instituto de Pesquisa, Cila Schulman, analisou mudanças de comportamento nas campanhas e no eleitorado nas últimas eleições brasileiras. “Temos importado algumas práticas nefastas de outros países e que não aconteciam em eleições no Brasil”, afirmou à EXAME durante a cobertura do segundo turno neste domingo, 25.
Segundo ela, três práticas têm marcado o cenário eleitoral brasileiro: a desconfiança em relação ao sistema eleitoral, a violência nas campanhas e os movimentos de tentativa de supressão de votos. “O dia da eleição tem sido cada vez mais complexo, e isso causa frustração no eleitor”, disse.
A discussão sobre o acesso às urnas ganhou destaque após eleitores de algumas cidades, como Salvador e São Paulo, terem alegado dificuldade de utilizar o transporte público neste domingo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a afirmar que pedirá ao Tribunal Superio Eleitoral (TSE) que estenda o prazo de votação.
“Ninguém pode desistir de votar porque um empresário sacana, um prefeito bandido, tentou evitar que o povo vote”, declarou o presidente. Para Cila, a oferta de transporte público é um fator fundamental para garantir que os eleitores consigam chegar aos locais de votação.
A CEO do Ideia avalia que a abstenção tende a diminuir no segundo turno, diante do receio de que o candidato adversário vença a disputa. Ainda assim, ela destaca que a ausência de eleitores é um fenômeno recorrente e associado a fatores socioeconômicos e demográficos.
“O PT perde de 1 a 1,5 ponto toda eleição por conta da abstenção, que é sistêmica, que anda de mãos dadas com a baixa escolaridade e baixa renda e com a população idosa que não é obrigada a votar”, disse.
A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 foi de 21,08%, o que corresponde a 33.469.244 eleitores.