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'Seria como comparar o filho do Pelé com o Pelé', a entrevista de Flávio Bolsonaro ao FT

Pré-candidato, o senador compara sua projeção à de Jair Bolsonaro e defendeu mudanças com foco em segurança pública, economia e política externa, em entrevista ao jornal britânico Financial Times

Flavio: O Financial Times destaca que Flávio se apresenta como o membro mais moderado da família, mas ressalta que suas posições políticas são semelhantes às de seu pai (Geraldo Magela/Agência Senado)

Flavio: O Financial Times destaca que Flávio se apresenta como o membro mais moderado da família, mas ressalta que suas posições políticas são semelhantes às de seu pai (Geraldo Magela/Agência Senado)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 7 de abril de 2026 às 11h14.

Última atualização em 7 de abril de 2026 às 11h22.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 7, ao jornal britânico Financial Times que nunca chegará perto do tamanho político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e fez uma comparação futebolística com Pelé.

"Eu nunca chegarei perto dele. Seria como comparar o filho de Pelé com o próprio Pelé", afirmou.

Flávio revelou ao jornal que recebe pessoas para discutir articulação política no escritório que seu pai utilizava, mas se recusa a sentar na cadeira de Bolsonaro.

O ex-presidente está em prisão domilicar após condenação de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. 

Sobre a disputa eleitoral, Flávio voltou a afirmar que o Brasil precisa urgentemente de mudanças e de um "governo mais jovem, moderno e com mais energia".

"O problema não é a idade de Lula, mas sim o fato de suas ideias estarem ultrapassadas", afirma.

O senador também criticou, ao jornal, a política externa do governo Lula, que, segundo ele, é hostil aos Estados Unidos e muito favorável à China.

"O presidente Lula está errado em fechar as portas para os Estados Unidos e simplesmente abrir o Brasil como se fosse uma colônia chinesa", disse.

Redução da maioridade e privatizações

Sobre propostas, Flávio citou a redução da maioridade penal para 16 anos em todos os crimes e para 14 anos em casos de homicídio e estupro.

"Os trabalhadores brasileiros não querem mais se preocupar com alguém apontando um revólver para a cabeça deles em um semáforo", afirmou.

Sobre economia, Flávio disse que quer reduzir impostos e privatizar estatais, como os Correios, mas não deu detalhes do seu plano econômico. O senador afirmou que os empresários ainda não estão convencidos, mas que tomará decisões difíceis relacionadas ao corte de gastos.

Além da entrevista, o jornal fez um breve retrospecto da situação do bolsonarismo após a prisão de Bolsonaro e de como Flávio surgiu como opção para disputar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cresceu nas pesquisas. Nos últimos levantamentos, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados. 

O Financial Times destaca que Flávio se apresenta como o membro mais moderado da família, mas ressalta que suas posições políticas são semelhantes às de seu pai, como posturas mais à direita em questões sociais, no combate ao crime e na economia, além da crença de que Jair Bolsonaro foi condenado injustamente.

O jornal britânico questiona, porém, o histórico de Flávio para suportar a pressão de uma eleição presidencial e cita a campanha para prefeito do Rio de Janeiro em 2016, quando, em um debate, ele desmaiou e teve que desistir da participação.

Acompanhe tudo sobre:Flávio BolsonaroEleições 2026

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