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Qual será o peso do apoio de Lula e Bolsonaro nas eleições municipais?

De acordo com a pesquisa Futura Inteligência, apenas três capitais demonstram que o apoio de Lula ou Bolsonaro será relevante para escolha do voto

Lula e Bolsonaro: pesquisa mostra qual será o peso dos apoios em 2024 (Lula: Ricardo Stuckert - Bolsonaro: Alan Santos/PR/Divulgação)

Lula e Bolsonaro: pesquisa mostra qual será o peso dos apoios em 2024 (Lula: Ricardo Stuckert - Bolsonaro: Alan Santos/PR/Divulgação)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 27 de dezembro de 2023 às 09h33.

Última atualização em 27 de dezembro de 2023 às 13h29.

A pouco menos de um ano para as eleições municipais, uma dúvida permeia a estratégia das campanhas: afinal, quanto peso eventuais apoios do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro trarão para os candidatos?

A melhor forma de se entender essa questão é perguntar para os cidadãos. Foi o que fez a pesquisa Futura Inteligência, em parceria com Apex Partners, divulgada com exclusividade à EXAME. Segundo o levantamento, em apenas quatro capitais do Brasil o apoio de Lula ou Bolsonaro -- ou do atual governador do estado em questão -- terá influência em mais de 25% do eleitorado.

Em Salvador, 25,3% dos entrevistados afirmaram que votariam com certeza em um candidato apoiado por Lula. Em Curitiba, Goiânia e Manaus, por outro lado, 29,8%, 29,2% e 26,2%, respectivamente, manifestaram com certeza a intenção de votar em um candidato apoiado por Bolsonaro. Goiânia foi a única capital onde o apoio do governador terá influência para 25,2% do eleitorado.

Nas outras 11 capitais pesquisadas, os apoios vão influenciar menos de 20% da população na escolha do próximo prefeito. Segundo José Luiz Orrico, fundador da Futura Inteligência, o resultado do levantamento pode ser explicado pela forma que a população observa o trabalho do prefeito. 

"Quando o eleitor vai votar em prefeito, quer saber quem é e o que o candidato vai fazer pela sua cidade. Ele não quer saber a pessoa é apoiada por Lula ou Bolsonaro. Ele quer um gestor para resolver os problemas da cidade", explica.

O levantamento aponta que as propostas sobre saúde, tema eleito como prioridade número um para os próximos governos municipais, educação e segurança serão mais determinantes para a escolha do candidato. Orrico acrescenta que será uma eleição de personalidade, onde o candidato terá que "se provar" capaz de resolver os problemas da cidade.

SP e capitais com disputa nacionalizada

O fundador do instituto salienta, porém, que capitais como São Paulo e Rio de Janeiro podem ter a disputa nacionalizada, com uma repetição do que ocorreu em 2022. "No caso de São Paulo, não é só o ponto de prestação de serviço que será considerado pelo eleito. O peso de Lula e Bolsonaro pode ser decisivo", diz.

Em capitais como Belo Horizonte, onde o nome mais citado na pesquisa espontânea não será candidato, os apoios também podem fazer a diferença para desembolar a disputa.

Segundo Orrico, os resultados da pesquisa naturalmente devem mudar, uma vez que ainda faltam 285 dias para as eleições municipais.

"Tudo pode mudar até o dia da eleição, principalmente quando a campanha começar de fato", diz. Ainda assim, a fotografia do momento atual auxiliará eleitores e campanhas a se posicionar nos próximos meses.

Em 7 capitais do Brasil, maioria da população se declara de direita

A maioria da população de ao menos sete capitais brasileiras se declara de direita.

Entre as 15 capitais pesquisadas, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Porto Alegre e Vitória tiveram a maioria da população que se declarou de direita.

Para o fundador da Futura Inteligência, esse resultado mostra uma mudança de postura em comparação aos últimos anos, quando pessoas que se diziam de direita tinham vergonha de declarar a sua preferência ideológica. 

"Eu acompanho política há muitos anos. As pessoas se diziam de esquerda, sem o Brasil nunca ter sido de fato um país de esquerda. Víamos que quem era de direita tinha vergonha de se declarar. Mas isso mudou. Essa é a primeira vez que vejo em uma pesquisa mais pessoas se dizendo de direita do que esquerda", diz. 

Em Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo, a maioria disse que não tem preferência ideológica. Nenhuma das capitais teve a esquerda na frente.

Orrico explica que a esquerda sempre teve um discurso "muito público" e com adeptos, principalmente durante a ditadura militar brasileira. "A maioria dos jovens era de esquerda, até vivíamos uma ditadura dita de direita. Quem não era, tinha vergonha de dizer", explica.

Ideologia do candidato terá peso na escolha de novo prefeito

Ao questionar os entrevistados sobre qual a relevância do posicionamento político na escolha dos candidatos, a pesquisa mostrou que nas 15 capitais do levantamento a ideologia do candidato será importante na decisão do voto para pelo menos 70% dos eleitores.

A cidade onde o espectro ideológico do candidato terá maior peso será em Vitória, com 83,7%, enquanto em Porto Alegre 74,5% disseram que o candidato ser de direita ou esquerda vai determinar o seu voto.

Para a pesquisa, foram ouvidas 14.450 pessoas entre os meses de novembro e dezembro, usando a abordagem CATI (entrevista telefônica assistida por computador) em 15 capitais brasileiras. A margem de erro varia entre 3 e 3,95 pontos percentuais dependendo da cidade, para um nível de confiança de 95%.

Para a pesquisa, foram ouvidas 14.450 pessoas entre os meses de novembro e dezembro, usando a abordagem CATI (entrevista telefônica assistida por computador) em 15 capitais brasileiras. A margem de erro varia entre 3 e 3,95 pontos percentuais dependendo da cidade, para um nível de confiança de 95%.

Quando vai ser a próxima eleição para prefeito?

As eleições municipais de 2024 vão acontecer no dia 6 de outubro de 2024, o primeiro domingo do mês. Já o segundo turno, se houver, deve acontecer no último domingo do mês, dia 27 outubro, nas cidades com mais de 200.000 eleitores em que a candidata ou candidato mais votado à prefeitura não tenha atingido a maioria absoluta, isto é, metade mais um dos votos válidos (excluídos brancos e nulos).

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