Kalil: ex-prefeito de Belo Horizonte está em terceiro nas pesquisas para o governo do segundo maior colégio eleitoral brasileiro (Amira Hissa/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 15h17.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 15h18.
O PDT anunciou nesta quinta-feira, 27, que retirou a candidatura de Marcelo Heringer ao Senado pelo estado de Minas Gerais. Agora, a atuação do partido no segundo maior colégio eleitoral brasileiro é focada na disputa pelo governo estadual, com o candidato Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte. Além disso, a legenda organiza a entrada do ex-governador e presidente nacional do PSDB Aécio Neves à chapa de Kalil.
Em nota conjunta, o PDT e a federação PSDB-Cidadania afirmaram que receberam, nos últimos dias, pedidos de prefeitos, vereadores, deputados, militantes e outras lideranças de Minas Gerais para que Aécio reconsiderasse a decisão de não disputar as eleições deste ano.
Segundo os partidos, o movimento reflete uma “preocupação legítima com o futuro de Minas” e a necessidade de contar no Senado com um nome de “experiência, articulação e força política em Brasília” para enfrentar, entre outros desafios, a dívida do estado. “Aécio, escute esse chamado. Minas precisa de você no Senado”, diz o comunicado.
A corrida eleitoral mineira é disputada também pelo deputado federal Patrus Ananias (PT-MG), um dos principais nomes do governo Lula e também ex-prefeito de Belo Horizonte, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), alinhado ao bolsonarismo e Senador por Minas Gerais.
Na oposição ao atual governo de Romeu Zema (NOVO), Kalil tenta se consolidar como principal nome de centro-esquerda fora da órbita do presidente Lula.
Agora, com a retirada da candidatura de Heringer ao Senado, o PDT concentra sua estratégia eleitoral na tentativa de fortalecer Kalil na disputa pelo governo e ampliar sua aliança com o PSDB.
A movimentação ocorre em uma disputa que reúne 11 candidatos ao governo de Minas. O estado tem 16,3 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, o equivalente a 10,32% do eleitorado brasileiro. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
A retirada de Marcelo Heringer abre espaço para a tentativa de incluir Aécio Neves na chapa de Kalil. O tucano havia decidido não disputar um cargo eletivo em 2026, interrompendo, pela primeira vez, uma sequência de 40 anos de candidaturas e mandatos consecutivos.
Em nota conjunta, PDT e PSDB-Cidadania afirmaram que prefeitos, vereadores, deputados, militantes e outras lideranças de Minas pediram que Aécio reconsiderasse a decisão. Os partidos citam sua experiência e capacidade de articulação em Brasília, especialmente para enfrentar o problema da dívida estadual.
Aécio ainda precisa formalizar sua eventual candidatura. Como o prazo para registro terminou em 15 de agosto, a substituição depende da renúncia de Heringer e da posterior homologação pelo Tribunal Regional Eleitoral. A legislação permite a troca de candidatos que renunciem até 20 dias antes da eleição.
O PSDB já indicou o ex-deputado federal Carlos Mosconi como vice de Kalil, outro movimento de aproximação entre os partidos.
A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 25, mostra Cleitinho na liderança, com 29% das intenções de voto. Patrus Ananias aparece com 11%, seguido por Kalil, com 10%. O atual governador, Mateus Simões (PSD), tem 7%, e Gabriel Azevedo (MDB), 5%.
O levantamento foi encomendado pela Globo e ouviu 1.506 eleitores entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Apesar da proximidade entre Kalil e Patrus no primeiro turno, os cenários de segundo turno indicam diferenças importantes. Em uma eventual disputa entre os dois, Kalil aparece com 42%, contra 18% de Patrus.
Já contra Cleitinho, o ex-prefeito perde por 48% a 27%. O senador também supera Patrus, por 51% a 26%, e Mateus Simões, por 49% a 17%.
Em outro cenário, Kalil aparece numericamente à frente de Simões, com 32% contra 30%. A pesquisa também aponta que 45% dos eleitores ainda podem mudar de voto até a eleição.
A tentativa de aproximar Aécio de Kalil ocorre em meio a uma divisão dentro da federação PSDB-Cidadania. Enquanto o PSDB participa da articulação em torno de Kalil, o Cidadania anunciou apoio à reeleição de Mateus Simões, sucessor de Romeu Zema (Novo).
Simões disputa o eleitorado de direita com Cleitinho, que lidera a pesquisa, e com o empresário Flávio Roscoe (PL), apoiado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. No campo de centro-esquerda, Kalil, Patrus e Gabriel Azevedo completam os principais nomes da disputa.
A pesquisa Quaest também mostra um eleitorado ainda pouco consolidado: 54% afirmam que sua escolha é definitiva, enquanto 45% admitem mudar de voto. O cenário abre espaço para mudanças na campanha nas próximas semanas.
Kalil entrou no PDT em 2025 como uma das principais apostas do partido para Minas. Em 2022, quando disputou o governo estadual, recebeu mais de 3,8 milhões de votos, correspondentes a 35,08% dos votos válidos, e terminou em segundo lugar.
A disputa pelo eleitorado mineiro na eleição para a Presidência da República está acirrada, segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira, 27.
Em um cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera numericamente, com 39% das intenções de voto.
Na segunda posição está o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 34%. A distância entre os dois candidatos não configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparece na terceira posição com 9%, seguido por Renan Santos (Missão) com 5%. Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível mas ainda consta como ‘concorrendo’ no DivulgaCand, registra 4%.
Entre os demais nomes testados, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) registram 2% cada. Votos nulos e brancos somam 2%, mesma taxa dos que não sabem ou não responderam.
Os candidatos Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC) e Wilson Grassi (Democrata) somados chegam a 1%, e entram no gráfico como ‘outros’.